Com apenas sete meses de mandato, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ainda lida com a influência direta do antecessor Arthur Lira (PP-AL). A série de episódios mais recentes – protesto de deputados, negociações sobre anistia a Jair Bolsonaro (PL) e a chamada PEC da Blindagem – evidenciou que o poder de articulação continua concentrado nas mãos de quem deixou o cargo no início do ano legislativo.
Lira conduz acordos decisivos nos bastidores
No retorno do recesso, parlamentares ligados à direita ocuparam as mesas dos plenários da Câmara e do Senado em repúdio à decretação de prisão domiciliar de Bolsonaro. O impasse só arrefeceu após encontro no gabinete de Lira, andar abaixo do de Motta. Ali foi discutido o compromisso de levar a votação, em momento oportuno, dois temas caros às maiores bancadas: o projeto de anistia e a PEC da Blindagem, que devolve ao Congresso a prerrogativa de sustar processos contra seus membros – mecanismo abolido em 2001.
Embora não tenha participado da reunião, Motta pôde retomar a presidência do plenário somente depois de o acordo ganhar corpo. Mesmo assim, enfrentou resistência: alguns deputados de oposição se recusaram a deixar a mesa, obrigando-o a cogitar, sem sucesso, a suspensão temporária dos mandatos. A dificuldade expôs fragilidades na sua base de apoio dentro da própria Mesa Diretora, composta por sete integrantes.
Anistia volta ao centro do debate
A pressão para votar o projeto de perdão aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro ganhou força nas últimas semanas. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), conduziu a ofensiva, defendendo a apreciação imediata da proposta. Em público, Motta passou a admitir que a matéria poderá ser pautada logo após o julgamento do Supremo Tribunal Federal que deve condenar Bolsonaro pela chamada “trama golpista”.
Até então, o comando da Casa vinha defendendo um texto mais moderado do que o pleiteado por parlamentares alinhados ao ex-presidente. Essa postura coincidiu com visitas de Lira à residência de Bolsonaro em Brasília, fato que turbinou a cobrança de deputados do PL e de siglas do centrão sobre Motta. Aliados do atual presidente da Câmara dizem, no entanto, que as votações expressivas obtidas no plenário demonstram respaldo suficiente para conduzir o tema sem atropelos.
PEC da Blindagem sofre resistência, mas segue na agenda
Logo após o motim no plenário, Motta tentou colocar em apreciação a PEC da Blindagem. A medida proposta pelo PL previa suspensão de todos os inquéritos e processos em curso contra parlamentares, dispositivo que divide opiniões – inclusive entre legendas de centro. A falta de consenso obrigou o presidente a adiar a sessão, postergando a discussão para data ainda indefinida.


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A manobra foi vista por parte do centrão como sinal de cautela excessiva. Já grupos conservadores enxergaram na decisão um recuo estratégico, diante do receio de derrota. A interrupção do avanço da PEC, somada à demora em pautar a anistia, alimentou questionamentos sobre a capacidade de Motta entregar acordos firmados sob a chancela de Lira.
Trajetória marcada por alianças amplas
Eleito aos 35 anos, Motta construiu carreira respaldada por diferentes correntes da Câmara. No passado, foi aliado de Eduardo Cunha, manteve diálogo com Rodrigo Maia e, mais recentemente, serviu de opção consensual apresentada por Lira para sucedê-lo. A eleição, vencida em primeiro turno, contou com apoio que ia do PT ao PL, cenário que ampliou expectativas de neutralidade na condução da Casa.
Contudo, a cobrança pela votação da anistia revela outro lado dessa composição plural: setores de direita cobram agilidade, enquanto a base governista demonstra desconforto. No primeiro semestre, Motta alternou períodos de sintonia e tensão com o Palácio do Planalto. Chegou a participar de viagens com o presidente Lula, mas também liderou, em abril, a derrubada de regra que alterava alíquotas do IOF, desagradando ao Ministério da Fazenda.

Imagem: Internet
Presidente busca afirmar autoridade
Para reforçar imagem de independência, Motta ressalta pautas consideradas estruturantes, como a reforma administrativa. O argumento é que, ao focar em matérias de impacto fiscal e institucional, a Câmara demonstra que não está refém de agendas pontuais. Mesmo assim, oposicionistas mantêm a ofensiva, lembrando que a palavra final sobre anistia e blindagem foi selada no gabinete de Lira.
Diante desse quadro, observadores veem a próxima sessão deliberativa como termômetro da liderança de Motta. Caso consiga levar adiante a votação da anistia sem novo adiamento, o deputado poderá reduzir a percepção de dependência do antecessor. Se, porém, recuar outra vez, a narrativa de que Arthur Lira continua à frente das grandes decisões ganhará fôlego.
A discussão sobre o perdão aos investigados, somada ao debate da PEC da Blindagem, promete dominar o noticiário nas próximas semanas. Ambos os textos têm potencial para alterar a relação de forças entre Congresso, Judiciário e Executivo, colocando à prova a solidez da coalizão que sustenta o comando da Câmara.
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Em síntese, Hugo Motta enfrenta teste decisivo: confirmar autonomia na presidência ou permanecer sob a marca da articulação de Arthur Lira. A definição virá nas próximas votações que tratam diretamente do futuro político de Jair Bolsonaro e da disputa entre Poderes. Acompanhe nossos próximos relatórios e compartilhe este artigo para manter o debate informado.
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