Washington, 13 de abril — O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou neste sábado uma carta endereçada à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na qual defende medidas econômicas contundentes para acelerar o fim da guerra entre Rússia e Ucrânia. O republicano sugeriu que todos os países-membros imponham tarifas de 50% a 100% sobre produtos chineses e ressaltou estar preparado para aplicar “grandes sanções” unilaterais contra Moscou.
Pressão para bloquear a receita do petróleo russo
Trump argumenta que a compra de petróleo russo por parte de alguns aliados europeus enfraquece a posição ocidental nas negociações. Segundo ele, somente um embargo total ao petróleo proveniente da Rússia colocaria pressão suficiente sobre o Kremlin para interromper a ofensiva militar iniciada em fevereiro de 2022.
De acordo com o ex-presidente, as atuais medidas adotadas pela Otan “têm sido muito inferiores a 100%” de comprometimento. Ele qualificou como “chocante” o nível de importações de energia russa por países do bloco, enfatizando que o fluxo de receitas mantém a máquina de guerra do presidente Vladimir Putin.
Trump recordou que, durante sua gestão, advertiu diversas capitais europeias sobre a dependência do gás e do petróleo russos. Agora, sustenta que a imposição de tarifas punitivas à China seria a ferramenta mais efetiva para desacelerar o financiamento indireto de Moscou.
Relação China–Rússia no centro da proposta
O ex-presidente avalia que Pequim exerce “forte controle” sobre a economia russa e que tarifas robustas romperiam esse elo. “A China tem um forte controle, e até domínio, sobre a Rússia, e essas tarifas poderosas quebrarão isso”, escreveu na rede Truth Social.
Na publicação, Trump responsabilizou o governo de Joe Biden e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky pelo prolongamento do conflito. Ele afirmou que, se estivesse na Casa Branca, a guerra “nunca teria começado”. Ainda segundo o republicano, 7.118 vidas russas e ucranianas foram perdidas “apenas na semana passada” — dado apresentado sem detalhamento das fontes.


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O ex-presidente acrescentou que está “apenas tentando ajudar” a pôr fim às hostilidades, “salvando milhares de vidas” e reduzindo o custo para os contribuintes norte-americanos.
Tarifas já testadas contra outros importadores
Trump lembrou que o governo atual dos Estados Unidos anunciou sobretaxa de 25% sobre o petróleo importado da Rússia pela Índia, elevando o total para 50%. Ele indicou que estuda replicar a estratégia contra demais compradores, entre eles o Brasil, caso Washington conclua que esses países mantêm fluxo de recursos a Moscou.
O republicano argumenta que a elevação dos impostos de importação é preferível a prolongar o envio de ajuda militar e financeira à Ucrânia. Na carta dirigida à Otan, deixou claro que, na sua visão, a Aliança Atlântica está “desperdiçando tempo, energia e dinheiro” se recusar a adotar o pacote tarifário contra Pequim.
Repercussão e próximos passos
Até o momento, a Otan não respondeu publicamente ao pedido. Representantes de países europeus defendem que qualquer decisão sobre tarifas comerciais deve respeitar regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e considerar impactos sobre cadeias de suprimentos globais.

Imagem: REUTERS
Autoridades de Bruxelas recordam que medidas punitivas já estão em vigor contra setores estratégicos da economia russa, mas admitem que divergências internas dificultam a aprovação de sanções adicionais. Alemanha, Itália e Hungria continuam importando parte de suas necessidades energéticas de fontes russas, embora em volume menor do que no início da guerra.
Em Washington, a Casa Branca ainda não se posicionou sobre a correspondência enviada por Trump. Analistas próximos ao Partido Republicano acreditam que o tema será incorporado ao debate eleitoral de 2024, reforçando a pauta de independência energética e de pressão econômica sobre adversários estratégicos.
Impacto potencial na economia brasileira
O governo brasileiro monitora o assunto porque eventuais sobretaxas podem elevar o custo do petróleo russo adquirido por importadores privados no país. Brasília mantém neutralidade formal no conflito e vem ampliando as compras de diesel russo, considerado financeiramente competitivo em relação a outros fornecedores.
Especialistas ouvidos por agências internacionais avaliam que, caso os Estados Unidos apliquem penalidades semelhantes às impostas à Índia, importadores brasileiros de combustíveis fósseis podem enfrentar aumento expressivo nos custos. O Ministério de Minas e Energia ainda não divulgou nota oficial sobre o tema.
Se confirmadas, as tarifas propostas por Trump alterariam os fluxos comerciais entre as maiores economias globais e adicionariam nova camada de pressão sobre Pequim. O republicano sustenta, porém, que o resultado final seria uma desistência do Kremlin em prosseguir com a campanha militar, fechando o principal canal de financiamento russo.
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Em resumo, Donald Trump condiciona o fim da guerra na Ucrânia a uma ação econômica coordenada pela Otan contra a China. A proposta amplia o debate sobre a dependência energética europeia e coloca em foco o papel de Pequim no financiamento indireto de Moscou. Continue acompanhando nossas publicações para saber como essa estratégia pode repercutir nas relações comerciais do Brasil e no cenário geopolítico mundial.
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