Brasília, 17 de setembro de 2025 — A classificação do ex-governador do Ceará e ex-ministro Ciro Gomes como possível candidato “da direita” por um portal de notícias provocou reação imediata de analistas alinhados ao campo conservador. O comentário ganhou repercussão após coluna publicada pelo economista Rodrigo Constantino, que contesta a tentativa de associar Ciro a pautas liberais ou conservadoras.
Site aponta Ciro como nome “antipetista” e focado na economia
No texto que deu origem à polêmica, o site Metrópoles descreveu Ciro Gomes como “antipetista e focado na economia”, sugerindo que o político poderia atrair o eleitorado de direita nas próximas eleições presidenciais. A avaliação surpreendeu parte do público, já que o ex-governador construiu carreira defendendo nacional-desenvolvimentismo, intervenção estatal e Banco Central politizado — posições historicamente associadas à esquerda brasileira.
A repercussão ganhou força nas redes sociais. Usuários questionaram se a simples oposição ao Partido dos Trabalhadores (PT) seria suficiente para classificar um político como conservador ou liberal. O episódio reabriu discussões sobre critérios utilizados pelos meios de comunicação ao rotular figuras públicas no espectro ideológico.
Rodrigo Constantino contesta enquadramento e relembra trajetória de Ciro
Em sua coluna na Gazeta do Povo, publicada nesta quinta-feira (17), Rodrigo Constantino qualificou a menção a Ciro como “forçada” e afirmou que o episódio faz parte de um “teatro das tesouras” — expressão usada por conservadores para descrever a alternância de poder entre legendas de esquerda que, segundo eles, simulam antagonismo para manter a hegemonia socialista.
Constantino recordou que Ciro Gomes foi ministro da Integração Nacional no primeiro governo Lula, defendeu publicamente a politização do Banco Central e apoia políticas de planejamento centralizado. Para o colunista, tais posicionamentos distanciam o ex-governador de princípios econômicos liberais, como limitação do Estado e respeito irrestrito à iniciativa privada. Ele também destacou declarações de Ciro favoráveis a modelos de desenvolvimento inspirados na experiência chinesa, o que reforçaria seu alinhamento ao intervencionismo.
Ao elencar exemplos, Constantino citou Geraldo Alckmin, que, mesmo tendo disputado eleições como opositor do PT, hoje integra a chapa petista no governo federal. O colunista sustenta que o episódio revela o esforço de setores da mídia em limitar o debate político a opções internas à esquerda, rotulando conservadores como “extrema direita” enquanto relativiza posições socialistas.


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Direita cobra coerência nos rótulos e alerta para “mudança da janela de Overton”
Lideranças conservadoras reforçaram o questionamento. Para esses grupos, chamar Ciro Gomes de “direita” contribuiria para deslocar a chamada “janela de Overton” — conceito que descreve o intervalo de ideias aceitáveis na opinião pública — e marginalizar pautas genuinamente liberais ou conservadoras. A avaliação é que, ao redefinir o centro político como algo abraçado por desenvolvimentistas e social-democratas, temas como redução de impostos, privatizações e valores tradicionais passariam a ser tachados de radicais.
Analistas lembram que, desde 2018, parte do eleitorado passou a demandar representantes que combinem liberalismo econômico com conservadorismo nos costumes. O fenômeno ganhou força com a eleição de Jair Bolsonaro e encontra eco em nomes como Tarcísio de Freitas, que governadores de partidos adversários buscam atrair para alianças. Nesse contexto, rotular Ciro como direitista poderia, na visão de críticos, confundir o eleitorado ao apresentar candidatos alinhados a políticas estatais robustas como alternativa liberal.
Ciro não descarta novas composições, mas mantém discurso desenvolvimentista
Procurado por veículos de imprensa em ocasiões recentes, Ciro Gomes tem reiterado que seguirá “dialogando com todos os campos” e não descarta alianças futuramente. Contudo, continua defendendo a presença ativa do Estado na indução do crescimento econômico, programas de investimentos públicos e revisão do atual regime fiscal. Até o momento, não apresentou propostas de corte significativo de gastos, privatizações ou flexibilização trabalhista — bandeiras normalmente associadas à direita.

Imagem: Internet
Especialistas apontam que o ex-governador busca ocupar um espaço político disponível após a inelegibilidade de Bolsonaro. Entretanto, lembram que a própria trajetória partidária de Ciro — com passagens por PDT, PSB, PSDB e PROS — reforça a percepção de uma “metamorfose ambulante”, expressão usada pelo comentarista Rodrigo Constantino para descrevê-lo.
Rótulos em disputa antecipam cenário eleitoral de 2026
Com o início das articulações para 2026, a polêmica ilustra a disputa por narrativas. De um lado, comunicadores e partidos de esquerda tentam apresentar nomes com histórico de participação em governos petistas como opções “moderadas” ou “de centro-direita”. Do outro, vozes conservadoras exigem clareza na identificação ideológica dos candidatos, argumentando que apenas assim o eleitor poderá comparar projetos distintos de país.
Os próximos meses devem trazer novos movimentos nesse xadrez. Enquanto isso, o debate sobre quem representa de fato a direita brasileira continua aberto, com atenção redobrada aos termos utilizados na cobertura jornalística e às plataformas defendidas por cada pré-candidato.
Para acompanhar outras movimentações do cenário político, acesse a seção de Política do Geral de Notícias.
Em resumo, a tentativa de classificar Ciro Gomes como candidato da direita desencadeou críticas de colunistas e lideranças conservadoras, que apontam incoerência entre o histórico do ex-ministro e os princípios liberais. Fique atento às próximas análises e, se quiser receber conteúdos diários sobre política nacional, salve nosso site nos favoritos e acompanhe as atualizações.
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