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Tanques em Tiananmen expõem face violenta do regime chinês e o silêncio do Ocidente

Política

Pequim, 4 de junho de 1989. Tanques do Exército de Libertação do Povo avançaram antes do amanhecer sobre milhares de estudantes e civis reunidos na Praça da Paz Celestial, episódio que ficaria conhecido mundialmente como o Massacre de Tiananmen. Soldados abriram fogo contra a multidão, destruíram barricadas improvisadas e impediram qualquer registro fotográfico ou jornalístico do confronto. Até hoje, o número de mortos permanece indeterminado.

Como ocorreu a ofensiva militar

Testemunhas relatam que as forças armadas chegaram por volta das 4h da manhã, sem aviso prévio. Blindados esmagaram bicicletas, carros estacionados e atingiram pessoas que não conseguiram recuar com rapidez. Algumas lideranças estudantis tentaram negociar uma retirada pacífica, mas foram ignoradas. Após a sequência de disparos, ambulâncias civis e caminhões militares recolheram feridos e corpos. Câmeras foram confiscadas, e jornalistas estrangeiros tiveram material apreendido.

A operação foi ordenada pela liderança comunista como resposta às manifestações pró-reforma iniciadas em abril daquele ano. Os estudantes exigiam liberdades políticas, combate à corrupção e diálogo aberto com o governo. O Partido Comunista classificou o movimento como “perturbação social” e autorizou o uso de força letal.

Histórico de violações em massa

O massacre não foi um caso isolado no histórico da República Popular da China. Entre 1958 e 1962, o chamado Grande Salto Adiante levou cerca de 45 milhões de pessoas à morte por fome, segundo estimativas de pesquisadores independentes. A política estatal obrigou camponeses a abandonar lavouras para produzir aço, enquanto dados falsificados sobre colheitas “abundantes” serviram de base para confisco de alimentos.

Na década seguinte, a Revolução Cultural (1966-1976) mergulhou o país em novo ciclo de perseguição. Intelectuais, religiosos e cidadãos considerados suspeitos foram humilhados, enviados a campos de trabalho ou executados sumariamente. Escolas fecharam, templos foram destruídos, e a economia recuou. Esses episódios raramente são mencionados nos canais oficiais do governo chinês.

Censura interna e cumplicidade externa

Desde 1989, Pequim mantém rígido controle sobre qualquer menção aos eventos de Tiananmen em livros, filmes ou redes sociais. Termos relacionados ao massacre são bloqueados em mecanismos de busca domésticos, e familiares das vítimas relatam vigilância constante.

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Corporações estrangeiras que operam na China adotam políticas internas para evitar referências ao episódio, temendo sanções e perda de mercado. Governos ocidentais, por sua vez, priorizam tratados comerciais mesmo diante de denúncias de violações de direitos humanos. Analistas apontam essa tolerância como um dos fatores que prolongam práticas autoritárias em território chinês.

Por que o número de vítimas permanece desconhecido

Organizações de direitos humanos calculam que centenas, possivelmente milhares, morreram em Tiananmen. Arquivos hospitalares foram lacrados, e documentos militares continuam sob sigilo. A ausência de dados oficiais impede a elaboração de relatórios conclusivos, mas as evidências coletadas por jornalistas e diplomatas apontam para uma das maiores chacinas políticas do século XX.

Impacto geopolítico

Trinta e quatro anos depois, o regime comunista consolidou sua influência internacional, investindo em infraestrutura global e tecnologia avançada. Ao mesmo tempo, mantém controles internos severos, como vigilância digital de cidadãos e restrições a liberdades religiosas. O contraste entre crescimento econômico e repressão política gera críticas frequentes, porém pouco efetivas, de entidades multilaterais.

Enquanto a Praça da Paz Celestial permanece aberta ao turismo sob extrema vigilância, qualquer ato de homenagem às vítimas é reprimido. O episódio reforça a determinação do Partido em preservar o status quo e sinaliza que manifestações de contestação continuarão sendo tratadas como ameaça existencial.

Para entender como regimes autoritários moldam a dinâmica internacional e influenciam decisões econômicas, vale acompanhar as atualizações em nossa editoria de Política, onde análises e desdobramentos são publicados regularmente.

Em síntese, o Massacre de Tiananmen expõe o custo humano de um Estado que concentra poder absoluto e a falta de reação proporcional de nações livres. Mantenha-se informado, compartilhe dados verificados e participe do debate público para que episódios semelhantes jamais caiam no esquecimento.

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