NOVA YORK, 22 set. — Donald Trump dedicou pouco mais de dois minutos para falar do Brasil em seu discurso de 56 minutos na Assembleia-Geral da ONU. O breve trecho foi suficiente para apontar censura, perseguição política e tarifas de retaliação contra Brasília, além de relatar um rápido encontro de bastidor com Luiz Inácio Lula da Silva. Câmeras de TV flagraram o presidente brasileiro desatento no momento da citação.
Trump critica censura e confirma tarifas contra o Brasil
Ao tratar das relações comerciais, o ex-presidente norte-americano afirmou que “o Brasil agora tem tarifas imensas” em resposta a “esforços sem precedentes para interferir nos direitos e na liberdade de cidadãos americanos e de outros por meio de censura, repressão, corrupção judicial e perseguição política”. Trump acrescentou que o país “continuará indo mal” se não trabalhar em parceria com Washington.
Logo depois, o republicano descreveu encontro de cerca de 20 segundos com Lula nos bastidores. Segundo ele, houve um abraço, “boa química” e um compromisso de conversa na semana seguinte. “Eu só faço negócio com quem eu gosto. Quando eu não gosto, não gosto”, declarou, frisando que, no passado, o Brasil aplicou tarifas “injustas” contra os Estados Unidos.
Lula é alertado por assessores durante a fala
No plenário, Lula usava fone de tradução simultânea, mas aparentou não acompanhar a menção ao Brasil. Celso Amorim, assessor especial, e o chanceler Mauro Vieira sinalizaram ao presidente que Trump falava do país. Também presente, a primeira-dama Janja da Silva foi filmada com expressão de irritação. O registro gerou repercussão entre diplomatas que acompanhavam a sessão.
Discurso de Lula prioriza Israel e Venezuela
Mais cedo, seguindo a tradição de abertura dos trabalhos, Lula criticou sanções econômicas, condenou Israel e evitou exigir a libertação dos reféns em poder do Hamas. O petista voltou a defender o conceito de “Sul Global” e pediu diálogo com o regime de Nicolás Maduro. Sobre o conflito na Faixa de Gaza, equiparou ações israelenses a “genocídio”, embora tenha reconhecido o ataque de 7 de outubro.
Ao mencionar violência interna, Lula afirmou que “usar força letal em situações que não constituem conflitos armados equivale a executar pessoas sem julgamento”. Não houve cobrança direta ao governo venezuelano sobre perseguição à oposição liderada por María Corina Machado.


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ONU, globalismo e energia verde sob fogo
Trump empregou grande parte do tempo para criticar o que classificou como burocracia e ineficiência das Nações Unidas. O ex-chefe da Casa Branca defendeu economia de mercado, atacou agendas ambientais que “bloqueiam quem pensa diferente” e citou dados de aumento de emissões de CO₂ na China. “Vocês querem ser politicamente corretos e estão destruindo sua herança”, disse ao europeu, mencionando perda de empregos após redução de carbono em 37 % no continente.
O republicano também justificou operações navais contra narcotraficantes ligados ao regime de Maduro, alegando que cada embarcação apreendida tinha “potencial de matar 30 mil americanos”. Nas raras interrupções, ganhou aplausos ao exigir a libertação imediata dos civis israelenses sequestrados pelo Hamas.
Duas efemérides, rumos diferentes
No mesmo palco, o secretário-geral António Guterres lembrou os 80 anos de fundação da ONU, enquanto Trump citou os 250 anos da Declaração de Independência dos Estados Unidos, a serem comemorados em 2026. Segundo o republicano, a Primeira Emenda continua a garantir liberdades individuais que, em sua avaliação, organismos multilaterais não conseguem proteger.

Imagem: Reuters
Imagens do plenário mostraram a delegação brasileira retomando atenção apenas depois de avisada sobre a citação. A cena reforçou a diferença de tom entre as falas: enquanto Trump ressaltou soberania nacional e combate à censura, Lula concentrou críticas em sanções internacionais e em políticas de Israel, permanecendo sem apoio visível de aliados.
Para quem acompanha as relações Brasil-Estados Unidos, o episódio evidencia que tarifas, liberdade de expressão e combate ao narcotráfico seguem no centro da agenda bilateral. A reunião informal de segundos pode abrir canal de diálogo, mas as acusações públicas de censura e perseguição política indicam que ajustes serão necessários para superar desconfianças.
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Em resumo, o recado de Trump expôs divergências sobre liberdade de expressão e deixou Lula em posição defensiva na ONU. A expectativa agora recai sobre o eventual encontro formal entre os dois líderes e sobre possíveis revisões tarifárias.
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