Brasília – O Banco Central elevou a taxa Selic para 15,00% ao ano na primeira reunião comandada integralmente pela nova diretoria, liderada por Gabriel Galípolo. A decisão confirma a continuidade de uma política monetária restritiva iniciada na gestão de Roberto Campos Neto e contraria a expectativa de setores do governo que defendiam cortes rápidos nos juros.
Pressões políticas na gestão anterior
Desde janeiro de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu a Roberto Campos Neto a responsabilidade por supostos entraves ao crescimento econômico. À época, a Selic partia de 13,75% ao ano, fixada por um Comitê de Política Monetária (Copom) em que a maioria dos diretores havia sido indicada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mesmo com o juro real elevado, a economia brasileira avançou 3,2% em 2023 e 3,4% em 2024, superando projeções iniciais do mercado de 0,8% e 1,5%, respectivamente. A expansão ocorreu em paralelo à desaceleração da inflação, resultado atribuído por analistas à postura firme do Banco Central durante o ciclo anterior de aperto.
Apesar desses números, Lula intensificou as críticas, insistindo que o Produto Interno Bruto poderia crescer acima de 3% caso os juros fossem menores. As cobranças incluíam declarações públicas e reuniões reservadas com a equipe econômica, sempre apontando Campos Neto como obstáculo ao “projeto de desenvolvimento” prometido em campanha.
Nova diretoria, mesma política
Com o encerramento do mandato de Campos Neto em dezembro de 2024, o Palácio do Planalto indicou Gabriel Galípolo e outros nomes alinhados politicamente ao governo. Integrantes do PT projetavam flexibilização quase imediata da política monetária, expectativa reforçada por declarações de congressistas governistas que defendiam queda acelerada da Selic.
No entanto, o Copom manteve duas altas de 1 ponto percentual já sinalizadas na ata de dezembro de 2024, levando a taxa a 14,25% em janeiro e a 14,75% em março. Em seguida, surpreendeu parte do mercado ao promover elevação adicional de 0,25 ponto, fixando a Selic em 15,00% em maio de 2025 – movimento integralmente atribuído à gestão Galípolo.


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Ao justificar a decisão, o Banco Central reiterou preocupação com o quadro fiscal. O parágrafo 8 da ata de maio destacou que a expansão do gasto público pressiona a demanda e afeta a percepção de sustentabilidade da dívida, elevando o prêmio de risco e, consequentemente, a taxa de juros neutra da economia.
Críticas do Planalto perdem força
A postura ortodoxa da nova diretoria reduziu o tom de confronto entre Executivo e Banco Central. Desde a posse de Galípolo, Lula evita ataques diretos ao Copom, mesmo diante de previsão de crescimento menor – estimada agora em 2% para 2025 – e de juros no maior nível desde 2017.
O silêncio contrasta com a retórica anterior. Quando Campos Neto liderava a instituição, discursos no Palácio do Planalto rotulavam a autoridade monetária de “insensível” e “contrária ao povo”. Agora, embora a Selic esteja 2,75 pontos percentuais acima do patamar observado no início do governo, inexistem cobranças públicas por cortes imediatos.
Analistas observam que o Banco Central não apenas mantém a vigilância sobre a inflação, como sinaliza firme disposição de prosseguir no aperto caso os indicadores de preços se deteriorem. A própria ata alerta que o ciclo poderá ser retomado se julgado necessário, mensagem que reforça a independência institucional assegurada pela Lei Complementar 179/2021.

Imagem: Lula Marques
Impacto no mercado e na dívida pública
Com a Selic a 15,00%, o rendimento dos títulos federais acompanha o avanço, elevando o custo de rolagem da dívida. O Banco Central aponta que o aumento do prêmio de risco decorre de dúvidas sobre a capacidade do governo de controlar gastos e estabilizar o endividamento. A autoridade monetária avalia que a política fiscal, se mantida expansionista, pressiona a curva futura de juros e dificulta a convergência da inflação à meta de 3%.
Para o setor produtivo, o crédito continua caro, sobretudo em linhas de capital de giro e financiamento de longo prazo. Apesar disso, o Comitê entende que relaxar a política monetária antes de sinais claros de disciplina fiscal comprometeria a estabilidade de preços e exigiria aperto mais severo no futuro.
Próximos passos
A diretoria de Galípolo projeta manter a taxa básica no patamar atual por período prolongado, enquanto monitora as contas públicas. Investidores acompanham a tramitação de medidas de ajuste no Congresso com expectativa de que a consolidação fiscal reduza o risco-país e abra espaço para cortes graduais de juros a partir de 2026.
Dentro do governo, a equipe econômica avalia a possibilidade de reordenar subsídios e revisar renúncias tributárias para conter a expansão de despesas sem comprometer programas sociais. A estratégia será decisiva para reconquistar confiança do mercado e aliviar a pressão sobre a Selic.
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Em síntese, a Selic mais alta sob a gestão Galípolo expõe que a independência do Banco Central permanece intacta e reforça a necessidade de disciplina fiscal para viabilizar a queda dos juros. Continue conosco e receba análises objetivas sobre economia e política em primeira mão.
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