O setor madeireiro do Sul do Brasil vive a sua crise mais aguda em décadas. Desde a imposição de uma tarifa de 50% pelos Estados Unidos sobre produtos como molduras, compensados, serrados, portas e pisos de madeira, a indústria paranaense registra paralisações em série, demissões em massa e perda de competitividade frente a concorrentes estrangeiros.
Impacto imediato: fábricas fechadas e cinco mil postos eliminados
Pelo menos dez empresas do ramo suspenderam totalmente as atividades no Paraná. Segundo dados das entidades setoriais, aproximadamente cinco mil trabalhadores foram colocados em férias coletivas ou dispensados, quadro que tende a piorar caso as negociações comerciais não avancem.
Somente o segmento de molduras concentra 95% das vendas externas nos Estados Unidos. Como não existe mercado alternativo capaz de absorver tanta produção em curto prazo, a elevação tarifária praticamente inviabilizou as exportações. Nas palavras de empresários locais, contratos foram cancelados, embarques suspensos e contêineres retidos em portos, resultando em prejuízos imediatos.
A pressão competitiva aumenta porque outros fornecedores pagam menos imposto para acessar o mesmo mercado. Chile e Reino Unido enfrentam tarifa de 10%, enquanto produtos chineses arcam com 30% — percentual ainda bem inferior aos 50% aplicados ao Brasil. Na prática, importadores americanos trocam o fornecedor brasileiro por alternativas mais baratas, e a cadeia produtiva paranaense fica sem destino para a mercadoria.
Números que dimensionam a crise
Antes do tarifaço, o Paraná exportou aos Estados Unidos US$ 1,6 bilhão em 2024, dos quais US$ 627 milhões saíram da indústria de madeira. Esse montante corresponde a 39% de todas as vendas do estado para o mercado norte-americano, evidenciando a relevância do setor para a balança comercial regional.
Hoje, a atividade garante emprego direto a cerca de 38 mil trabalhadores em 266 municípios paranaenses, além de sustentar outros 180 mil postos de trabalho no restante do país. Estudo da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) indica que os três estados do Sul respondem por 90% da produção nacional de madeira industrializada.


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O encolhimento da demanda externa já força grupos empresariais a rever planos de investimento, reduzir jornadas e até cogitar o fechamento definitivo de unidades. Se a tarifa permanecer, líderes setoriais estimam que milhares de empregos adicionais estarão em risco nos próximos meses.
Frente Parlamentar da Agropecuária cobra reação rápida
O deputado federal Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), e a senadora Tereza Cristina levaram o tema ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, ao Itamaraty e ao corpo diplomático brasileiro. O objetivo é convencer Washington a retirar a taxa ou, ao menos, reduzi-la para patamar próximo ao aplicado a competidores.
Lupion argumenta que linhas de crédito domésticas não resolvem o problema, pois o gargalo é essencialmente comercial: “O comprador é único, o mercado é os Estados Unidos. Sem acesso competitivo, a produção encalha”, afirma. Para o parlamentar, o governo federal precisa priorizar a pauta nas tratativas bilaterais e proteger os empregos gerados pelo agronegócio, principal motor econômico do país.
A cobrança também atinge o Palácio do Planalto. Integrantes do setor criticam a falta de empenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para destravar o tema, lembrando que encontros protocolares com o mandatário norte-americano não produziram qualquer alívio tarifário concreto.

Imagem: Gels Bampi
O que está em jogo para a economia brasileira
A madeira industrializada faz parte de uma cadeia com forte peso nas contas externas, na arrecadação estadual e no mercado de trabalho. Municípios dependentes da atividade já sentem queda na receita e no consumo local, fator que se estende a outros segmentos do agronegócio que fornecem insumos e serviços.
Especialistas em comércio exterior alertam que, quanto mais demorar uma solução diplomática, maior o espaço que concorrentes ganharão nos Estados Unidos. Mesmo que a tarifa seja revista futuramente, recuperar clientes perdidos pode levar anos, com reflexos permanentes sobre a produção nacional.
Enquanto isso, sindicatos e associações patronais reforçam a necessidade de criar estratégias de diversificação de mercados. Porém, reconhecem que nenhum destino possui escala semelhante à americana para absorver, em curto prazo, os volumes produzidos pela Região Sul.
Em resumo, a taxa de 50% imposta por Washington ameaça diretamente 38 mil empregos no Paraná e fragiliza uma cadeia responsável por quase metade das exportações do estado para os Estados Unidos. Sem uma resposta diplomática rápida, o Brasil corre o risco de perder participação definitiva nesse mercado estratégico.
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