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Lula tenta agendar conversa com Trump para barrar sobretaxa de 50%

Política

Brasília, 29 de setembro – O vice-presidente Geraldo Alckmin declarou que o aguardado diálogo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente norte-americano Donald Trump, voltado a discutir a sobretaxa de 50 % aplicada por Washington a produtos brasileiros, continua sem data, formato ou local definidos. Segundo Alckmin, o governo considera a conversa “um passo importante” para suspender a tarifa extra, mas ainda avalia cenários e disponibilidade de agenda dos dois líderes.

Primeiro contato deve ocorrer à distância

De acordo com o Palácio do Planalto, a expectativa é de que o primeiro contato seja remoto, por telefone ou videoconferência. Uma reunião presencial ficaria para um momento posterior, dependendo da evolução das tratativas e da conjuntura internacional.

Entre as possibilidades em estudo, estão:

  • Visita de Lula à Casa Branca;
  • Encontro na residência de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida;
  • Reunião em país neutro, aproveitando compromissos multilaterais já confirmados.

Lula tem viagens programadas para Itália, Indonésia e Malásia em outubro. Trump, por sua vez, pode comparecer à cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que ocorre na Malásia no fim do mês. A coincidência de itinerários abre a possibilidade de agenda paralela durante o evento.

Governo alega “bons argumentos” para revogar tarifa

A sobretaxa de 50 % sobre itens brasileiros foi adotada pelos Estados Unidos há quase dois meses. Alckmin sustenta que o Brasil reúne fundamentos técnicos para derrubar a medida, citando o superávit comercial norte-americano no fluxo bilateral como elemento central. “Os EUA têm superávit na balança com o Brasil”, afirmou. “Estamos otimistas e vamos aguardar os próximos dias para avançar.”

Dados oficiais indicam que, em 2023, o Brasil importou mais de US$ 50 bilhões em produtos norte-americanos, enquanto exportou cerca de US$ 36 bilhões para os EUA. O Planalto interpreta essa diferença como argumento adicional para pressionar Washington a rever a tarifa.

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Pauta interna: isenção de IR e cobrança sobre juros

Na mesma entrevista em que comentou o possível encontro com Trump, Alckmin abordou temas domésticos. O vice-presidente mencionou o projeto que eleva a faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil. A proposta deve ser votada na Câmara em 1.º de outubro. A equipe econômica projeta implementação plena em 2026.

Alckmin também voltou a cobrar do Banco Central uma redução mais rápida da taxa Selic, hoje em 15 % ao ano. Segundo ele, o patamar atual encarece o serviço da dívida pública e dificulta a retomada do crescimento. A Selic está no maior nível desde julho de 2006, quando, no primeiro mandato de Lula, chegou a 15,25 % ao ano.

Cenário político e implicações comerciais

A decisão dos Estados Unidos de impor a sobretaxa foi comunicada em julho, sob a justificativa de proteger a indústria nacional norte-americana. Setores exportadores brasileiros, contudo, relatam perdas imediatas de competitividade, principalmente em manufaturados e alimentos processados.

A Confederação Nacional da Indústria estima queda de 12 % nas vendas de determinados segmentos aos EUA desde a vigência da tarifa. A manutenção do tributo pode pressionar ainda mais a balança comercial brasileira, que, em 2024, já apresenta recuo no superávit acumulado.

Para interlocutores do setor privado, a indefinição sobre o encontro entre Lula e Trump prolonga a incerteza. Empresários ligados à agroindústria defendem solução “rápida e pragmática” para evitar demissões e redução de investimentos.

Possíveis rumos das negociações

Fontes do Itamaraty indicam que, caso não haja avanço pela via política, o Brasil poderá acionar mecanismos previstos em acordos internacionais, inclusive na Organização Mundial do Comércio (OMC). Esse caminho, contudo, é mais demorado e depende de painéis que podem se estender por anos.

Enquanto isso, a equipe econômica avalia medidas de compensação interna, como linha de crédito subsidiado para exportadores afetados. Ainda não há decisão final sobre o formato nem o montante disponível.

O andamento dessas negociações será decisivo para o setor produtivo e para o equilíbrio das contas externas. Caso a sobretaxa seja revogada, o governo espera recuperar parte das receitas cambiais perdidas desde julho.

Para acompanhar outras atualizações sobre as movimentações de Brasília, o leitor pode acessar a seção de política em Geral de Notícias.

Em resumo, a conversa entre Lula e Trump permanece sem data, mas o Planalto trabalha para que ocorra em breve e derrube a sobretaxa de 50 % que afeta exportadores brasileiros. Fique atento às próximas movimentações e compartilhe esta matéria para manter seus contatos informados.

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