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Acordo EUA-China retoma compra de soja e pressiona competitividade do agro brasileiro

Econômia

O entendimento anunciado nesta quinta-feira (30) entre Estados Unidos e China, que prevê a retomada imediata das compras de soja norte-americana por Pequim, altera o equilíbrio de forças no mercado global da oleaginosa e impõe um desafio direto ao agronegócio brasileiro.

Retomada das compras chinesas muda o jogo

Durante o voo presidencial, Donald Trump afirmou que “quantidades enormes de soja” dos EUA voltarão a ser adquiridas “a partir de agora” pela China. O gesto encerra um período em que o gigante asiático, em reação à guerra tarifária, havia interrompido completamente a importação do grão norte-americano. Nesse intervalo, o Brasil ocupou o espaço vago e registrou sucessivos recordes mensais de exportação.

Somente em 2024, as vendas brasileiras de soja para a China renderam US$ 31,5 bilhões, valor que correspondeu a 19,2 % de todas as exportações do agronegócio nacional. Com o restabelecimento do fluxo entre Washington e Pequim, esse impulso tende a enfraquecer.

Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global, alerta que o novo acordo “pode ser mais prejudicial ao agro brasileiro do que o próprio tarifaço” imposto pelos EUA aos produtos nacionais. Se o comércio voltar ao padrão anterior a 2017 — quando não havia sobretaxas e a China alternava compras entre América do Norte e do Sul ao longo do ano —, o país asiático reduzirá a necessidade de estoques e terá maior poder de barganha sobre preços.

Tarifas tiveram efeito limitado sobre o Brasil

A sobretaxa de 40 % aplicada por Washington, somada aos 10 % já existentes, não produziu o estrago que muitos previam. Segundo Jank, itens como celulose e suco de laranja logo foram retirados da lista americana, enquanto carne bovina e café seguem com preços historicamente elevados no mercado internacional, minimizando perdas.

Em 2024, o Brasil faturou US$ 12,1 bilhões com exportações agropecuárias para os EUA, fatia de pouco mais de 7 % dos US$ 164,3 bilhões obtidos pelo setor como um todo. Esses números reforçam que o volume negociado com a China tem peso incomparavelmente maior na balança comercial.

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Para Lucas Beber, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso (Aprosoja-MT), a primeira disputa tarifária “foi muito favorável ao Brasil”, pois gerou um “boom” de demanda pelo grão nacional. O estado responde por mais de 30 % da safra e um quarto das exportações do país. Entretanto, Beber reconhece que a expectativa de um acordo entre Washington e Pequim provoca volatilidade nos preços e pode reduzir prêmios pagos ao produtor brasileiro.

Produtor ajusta custos enquanto monitora o mercado

Diante da incerteza, sojicultores mato-grossenses vêm cortando insumos, sobretudo fertilizantes, para compensar o avanço do custo do crédito rural. Nos três meses anteriores ao entendimento anunciado, a China quebrou recordes consecutivos de importação de soja, empurrando as cotações do grão brasileiro acima da referência de Chicago.

Com a reaproximação entre as duas maiores economias do mundo, o cenário pode voltar ao padrão em que os chineses compram nos EUA durante a colheita no Hemisfério Norte e migram para a América do Sul no início do ano seguinte. O modelo favorece o planejamento de Pequim e pressiona a competitividade sul-americana.

Observação atenta a novos acordos globais

Além da China, Washington conduz negociações comerciais com Europa, Índia e outros grandes mercados. Jank observa que um pacote de acordos simultâneos poderia ampliar ainda mais a concorrência para o agro brasileiro. Caso surjam mecanismos que privilegiem explicitamente a soja dos EUA, o impacto para o produtor nacional será significativo.

Por ora, a avaliação predominante é de cautela. O setor monitora a execução prática do entendimento e prepara ajustes logísticos e comerciais para preservar participação no principal destino das exportações brasileiras.

Para acompanhar análises sobre decisões governamentais que impactam o agronegócio, visite nossa seção de Política.

Em suma, a volta da soja norte-americana ao mercado chinês reposiciona o Brasil no tabuleiro global. Produtores e exportadores precisarão de agilidade estratégica para manter espaço conquistado nos últimos anos. Continue acompanhando nossos conteúdos e fortaleça suas decisões com informação de qualidade.

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