Um momento inusitado marcou o início do julgamento do chamado núcleo de desinformação no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira, 14 de outubro. Durante a sustentação oral, o advogado Melillo Dinis do Nascimento, defensor do réu Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, atribuiu ao ministro Alexandre de Moraes a condição de torcedor do Palmeiras. Reconhecido corintiano, o magistrado reagiu em tom de brincadeira e advertiu que a afirmação traria “consequências sérias”.
Brincadeira sobre clubes expõe debate sobre desinformação
O episódio ocorreu na Primeira Turma do STF, responsável por julgar o núcleo 4 da investigação. Para ilustrar a facilidade com que notícias falsas ganham espaço, Melillo brincou:
“É um momento histórico em que qualquer desinformação pode ser atribuída a qualquer pessoa. Quer ver? Se eu disser que o ministro Alexandre de Moraes é torcedor do Palmeiras, isso não só é injusto, como traz consequências quando ele for ao Itaquerão.”
A menção ao estádio corintiano fez Moraes rebater prontamente: “E para o senhor também. Consequências sérias.” O advogado concordou: “Claro, seríssimas.”
Na sequência, Melillo citou outros ministros para reforçar o argumento. Ele sugeriu, hipoteticamente, que o ministro Luiz Fux pratica krav maga em vez de jiu-jitsu; que Flávio Dino teria sido governador da Carolina do Norte, e não do Maranhão; e que a ministra Cármen Lúcia não apreciaria Minas Gerais. Segundo o defensor, a radicalização política cria um ambiente onde tais distorções se propagam sem controle.
Quem são os réus do núcleo 4 e por que estão em julgamento
O processo em análise envolve sete acusados de supostamente usar informações sabidamente falsas para desestabilizar a ordem social após a eleição de 2022. Integram o grupo:


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Ailton Moraes Barros (ex-major do Exército); Ângelo Denicoli (major da reserva); Carlos Cesar Moretzsohn Rocha (ex-presidente do instituto Voto Legal); Giancarlo Rodrigues (subtenente); Guilherme Almeida (tenente-coronel); Marcelo Bormevet (agente da Polícia Federal); e Reginaldo Abreu (coronel).
Nesta terça-feira, 15, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou a condenação de todos. O procurador-geral Paulo Gonet argumentou que os denunciados realizaram “manejo estratégico de informações falsas” como instrumento de mobilização social.
A Primeira Turma reservou originalmente quatro sessões — 14, 15, 21 e 22 de outubro — porém cancelou a de quarta-feira, 15. O colegiado pretende concluir o julgamento até terça-feira, 21, dispensando a data extra.
Contexto e repercussão
Mesmo em tom de brincadeira, a troca entre Moraes e o advogado ganhou destaque por ocorrer em meio a um processo que trata justamente de desinformação. A reação bem-humorada do ministro contrastou com a gravidade das acusações em pauta e reforçou a atenção do tribunal ao impacto de declarações públicas, inclusive nas redes.

Imagem: Internet
Parte da defesa dos réus baseia-se no argumento de que o ambiente político, descrito pelo advogado como “fundamentalista, polarizado e cristalizado”, favoreceria a circulação de boatos sem fiscalização adequada. A PGR, por sua vez, sustenta que os acusados agiram de forma deliberada e coordenada, motivo pelo qual pede penas exemplares.
Durante a sessão, não houve manifestação de outros ministros sobre o comentário esportivo, mas o episódio serviu como ilustração prática para a tese da própria defesa: afirmações aparentemente inofensivas, quando disseminadas, podem gerar efeitos concretos — até mesmo para quem as propaga.
Próximos passos e expectativa de desfecho
Com a sustentação oral concluída, a Primeira Turma iniciou a fase de votos. A expectativa é que o ministro relator apresente seu posicionamento na próxima reunião. Caso o cronograma se mantenha, o colegiado poderá fechar o julgamento antes do fim de outubro.
Se condenados, os réus podem recorrer ao plenário do STF, mas o tribunal costuma manter a linha adotada nas turmas quando os casos envolvem os mesmos fundamentos jurídicos. A defesa já sinalizou que, se necessário, acionará todos os recursos cabíveis.
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Em síntese, a sessão inaugural do núcleo de desinformação no STF foi marcada por uma provocação futebolística que expôs, de forma didática, o foco do julgamento: o alcance de informações falsas. Fique atento às próximas sessões e acompanhe nossas atualizações para entender como a corte superior definirá o destino dos envolvidos.
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