13 de outubro de 2025 — Um gesto de poucos segundos em um show de Alcione foi suficiente para colocar novamente em pauta a histórica aliança entre setor cultural e poder estatal. Ao dedicar a apresentação ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a cantora ouviu parte da plateia gritar “sem anistia!”, palavra de ordem adotada por grupos de oposição ao atual governo e ao próprio tribunal. A cena, registrada em vídeos que circularam nas redes sociais, gerou reação imediata de comentaristas conservadores e reforçou o distanciamento entre a direita e a chamada “classe artística”.
Gesto acompanha tradição de apoio ao poder
Segundo análise publicada na imprensa nacional, a deferência de Alcione a Alexandre de Moraes não foi um ato isolado. De Roma Antiga ao Brasil contemporâneo, artistas costumam prestar reverência a autoridades em troca de prestígio, incentivos ou simplesmente alinhamento ideológico. No caso brasileiro, a simbiose tornou-se evidente nos últimos anos, especialmente depois que o STF passou a legislar sobre temas sensíveis e a intervir em pautas políticas, ampliando seu protagonismo.
Para setores de direita, esse movimento é visto como confirmação de que o universo cultural permanece majoritariamente alinhado à esquerda. O apoio público a ministros da Corte, acusados de ativismo judicial, reforça a percepção de que a cultura opera como força auxiliar na legitimação de decisões que restringem liberdades de expressão e manifestação. O fato de os gritos de “sem anistia!” terem partido da própria plateia da artista indica, porém, que nem todos os presentes compartilham dessa deferência institucional.
Direita sente falta de representatividade cultural
Comentaristas conservadores apontam um fenômeno recorrente: a carência de vozes artísticas de grande alcance que defendam abertamente valores liberais-conservadores, como liberdade econômica, Estado limitado e respeito irrestrito à Constituição. Enquanto cantores consagrados, atores e escritores acumulam prêmios, incentivos estatais e cadeiras em academias de cultura, raros são os que se insurgem contra a atuação do STF considerada invasiva por juristas independentes.
Esse vácuo gera frustração. O público alinhado à direita gostaria de ver veteranos da Música Popular Brasileira criticando censura prévia ou cancelamentos digitais. Em vez disso, vê ícones culturais participando de eventos em homenagem a magistrados que, segundo parlamentares de oposição, concentram poderes incompatíveis com a separação de Poderes. A ausência de uma “beautiful people” conservadora, como ironizam alguns colunistas, mantém a narrativa cultural dominada por quem defende maior intervenção estatal.
Reação nas redes sociais expõe divisões
Logo após os vídeos do show circularem, hashtags pedindo boicote a Alcione figuraram entre os assuntos mais comentados. Embora promessas de “nunca mais ouvir” determinado artista sejam comuns, especialistas em mercado fonográfico avaliam que essas reações raramente se convertem em impactos financeiros duradouros. A explicação, segundo analistas, é que a indústria do entretenimento ainda detém influência suficiente para amortecer críticas, principalmente quando conta com apoio de veículos de mídia tradicional.


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Por outro lado, a manifestação do público no próprio local do evento sinaliza fadiga crescente com a politização unilateral. A plateia pagante, em tese disposta a prestigiar a cantora, expressou desaprovação imediata quando o nome de Moraes foi citado. Para observadores atentos, episódios semelhantes tendem a se repetir enquanto figuras públicas insistirem em usar o palco para chancela política sem abertura ao contraditório.
STF sob questionamento
Alexandre de Moraes tornou-se personagem central do debate político ao conduzir inquéritos sobre suposta “desinformação” e determinar medidas que críticos classificam como censura. Suas decisões incluem bloqueio de perfis em redes sociais, multas a plataformas digitais e prisões preventivas de manifestantes, entre outras ações que suscitaram denúncias de abuso de autoridade perante organismos internacionais. O elogio de artistas a esse protagonismo não é novidade, mas o clima social indica desgaste crescente da Corte em segmentos que denunciam “juristocracia”.

Imagem: Fernando Frazão
Expectativa de mudança cultural permanece distante
Enquanto não surge um bloco significativo de produtores culturais independentes, a direita continuará sem referência equivalente a nomes como Chico Buarque ou Caetano Veloso em termos de alcance popular. Criar estrutura que permita a artistas conservadores disputar prêmios, mercados e audiências exige tempo, capital e redes de difusão ainda monopolizadas por agentes tradicionais — muitos beneficiados por leis de incentivo como a Rouanet. Até lá, cenas como a do show de Alcione tendem a alimentar o ciclo de indignação nas redes, sem alterar de imediato as correlações de força no setor.
Mesmo assim, a reação espontânea da plateia demonstra que parte dos consumidores já não aceita, passivamente, que entretenimento e militância caminhem juntos em direção única. O enfraquecimento de monopólios de mídia, aliado a plataformas digitais, cria oportunidades para novos agentes culturais se estabelecerem fora do eixo estatal. Resta saber quem ocupará esse espaço e com qual agenda.
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Em síntese, o episódio envolvendo Alcione e Alexandre de Moraes expõe a persistente assimetria de forças entre esquerda cultural e público conservador. A plateia contestou, as redes amplificaram e o debate sobre liberdade artística versus militância estatal ganha novo capítulo. Continue conosco e receba alertas em tempo real sobre política, cultura e economia.
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