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Alemanha apoia fundo florestal brasileiro, mas evita definir aporte

Econômia

Berlim, 6 de junho – O governo alemão sinalizou apoio à criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), proposto pelo Brasil para conservar biomas ameaçados. Entretanto, as autoridades em Berlim ainda não fixaram quanto pretendem disponibilizar, mantendo a contribuição em aberto enquanto avaliam detalhes técnicos e orçamentários.

Proposta brasileira quer US$ 125 bilhões em doações

O Brasil pretende lançar oficialmente o TFFF na próxima semana, como parte dos preparativos para a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), que acontecerá em Belém. O plano, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estabelece a meta de captar até US$ 125 bilhões junto a governos, organismos multilaterais e setor privado para financiar projetos de preservação e manejo sustentável em florestas tropicais consideradas estratégicas.

Para conferir robustez ao mecanismo, o Banco Mundial foi escolhido como gestor financeiro. A equipe brasileira argumenta que o envolvimento da instituição garante transparência e atratividade a investidores externos. Durante evento realizado em setembro, Lula comprometeu-se a aportar US$ 1 bilhão ao fundo e conclamou demais nações a assumirem compromissos “de igual ousadia”.

Posição alemã: sinal verde político, cautela orçamentária

Fontes do governo alemão informaram que o chanceler Friedrich Merz vê a iniciativa como “muito interessante”, sobretudo pela dimensão multilateral e pela oportunidade de reforçar a imagem europeia na liderança climática. Ainda assim, a equipe econômica de Berlim prefere não anunciar números neste estágio. “Conversas intensas” continuam em curso no Ministério do Desenvolvimento para balizar a quantia que caberá ao Tesouro alemão.

A cautela reflete preocupação com a pressão fiscal interna e com a necessidade de avaliar o retorno ambiental real sobre cada euro aplicado. O gabinete de Merz frisa que qualquer decisão terá de respeitar critérios de controle e resultados mensuráveis, evitando dispersão de recursos públicos em projetos de baixa eficácia.

Encontro bilateral e recado geopolítico

Merz viajará ao Brasil nos próximos dias, quando deve reunir-se com Lula para discutir, além do TFFF, comércio, transição energética e cooperação tecnológica. Assessores do chanceler veem a visita como forma de transmitir mensagem de continuidade na parceria climática, especialmente diante da ausência de figuras de alto escalão dos Estados Unidos nas negociações preliminares.

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No eixo europeu, a Alemanha busca manter protagonismo em pautas ambientais, mas enfrenta contestação de setores industriais que acusam o governo de elevar custos e burocracia. Em clima político mais atento ao bolso do contribuinte, qualquer aporte ao TFFF será examinado por parlamentares e sociedade civil quanto à efetividade e à prestação de contas.

Brasil tenta atrair doadores e mostrar governança

O Palácio do Planalto aposta no lançamento do fundo como trunfo diplomático para a COP30. A equipe brasileira articula uma governança com participação de países beneficiários, financiadores e entidades independentes, a fim de assegurar monitoramento de resultados. A expectativa é que regras claras aumentem a confiança de doadores tradicionais, como Alemanha, Noruega e Reino Unido, além de estimular participação de emergentes.

Ao mesmo tempo, Brasília busca evitar que o TFFF seja percebido como mecanismo de transferência de renda sem contrapartidas. O governo defende que projetos aprovados tenham metas precisas de redução de desmatamento, geração de renda local e manutenção da soberania dos países sobre seus territórios.

Desafios de captação e cenário internacional

Apesar do apoio político inicial, reunir US$ 125 bilhões representa desafio expressivo em ambiente de retração econômica global. Governos europeus sofrem pressões internas relacionadas a déficits fiscais, enquanto empresas privadas reavaliam investimentos diante de juros altos e incertezas geopolíticas.

Ademais, a ausência de representantes de mais alto nível dos EUA gera questionamentos sobre o engajamento de Washington, cujo poder de mobilização financeira costuma ser determinante em iniciativas climáticas multilaterais. O Brasil, anfitrião da próxima COP, pretende intensificar diálogos para reduzir esse vácuo e assegurar a adesão de economias significativas.

Nos bastidores, avalia-se que o valor prometido por Lula — embora simbólico — pode servir de alavanca para outras contribuições. Ainda assim, analistas apontam que países doadores tendem a condicionar recursos a auditorias rigorosas e a metas exequíveis de corte de emissões, visando evitar críticas de eleitores preocupados com eventuais desperdícios.

Para continuar acompanhando os desdobramentos da agenda ambiental e suas repercussões políticas, acesse a editoria de Política e fique por dentro das atualizações.

Em resumo, o apoio alemão ao TFFF reforça o peso diplomático da proposta brasileira, mas a indefinição sobre valores mostra que a liberação de recursos depende de critérios técnicos, transparência e equilíbrio fiscal. Acompanhe nossos próximos artigos e saiba como esse debate impactará as políticas ambientais e o bolso dos contribuintes.

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