A Ambipar, grupo brasileiro de gestão ambiental e resposta a emergências, entrou na Justiça nesta terça-feira, 21, com pedido de recuperação judicial no Brasil e solicitação de proteção contra credores nos Estados Unidos (Chapter 11), revelando dívidas que somam R$ 10,7 bilhões.
Endividamento recorde leva empresa à Justiça
Fundada e presidida por Tércio Borlenghi Neto, com participação do investidor Nelson Tanure, a Ambipar expandiu de forma acelerada na última década. A estratégia incluiu mais de 40 aquisições, abertura de capital na B3 em 2020 e listagem de uma subsidiária em Nova York três anos depois. Esse ciclo de expansão, financiado por captações expressivas, elevou o passivo financeiro e expôs o grupo a forte risco de liquidez.
Com a elevação dos juros e a retração de contratos públicos e privados, a companhia passou a registrar dificuldades para rolar dívidas. No final de setembro, obteve liminar da 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro suspendendo temporariamente pagamentos a credores. A decisão, vista como sinal de insolvência, gerou rebaixamento imediato pela Fitch Ratings, que reduziu a nota de BB- para C — patamar que indica risco elevado de calote técnico.
O impacto no mercado foi instantâneo. As ações AMBP3 caíram mais de 20% no dia da decisão judicial e acumulam recuo superior a 50% em 2025. Mesmo após a movimentação negativa, a direção divulgou comunicado afirmando que “mantém operações normalmente” e preserva “milhares de empregos diretos e indiretos”.
Investigações e renúncia de diretor agravam cenário
Além do endividamento, a Ambipar enfrenta suspeitas de irregularidades financeiras. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu investigação sobre oscilação atípica dos papéis em 2024 — ano em que o ativo valorizou 730% e passou a figurar entre as 40 ações de maior valor na B3. Em várias ocasiões, a administração informou não existir fato relevante que justificasse a volatilidade.
Outro ponto delicado é a apuração de possíveis perdas em contratos de swap e derivativos. As dúvidas aumentaram quando o diretor financeiro João Arruda renunciou ao cargo, em setembro, no auge da crise. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre o tamanho real dos prejuízos com essas operações.


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A Fitch já sinalizou que, caso a empresa não apresente plano de reestruturação crível, a classificação pode cair para RD (inadimplência restrita) ou D (inadimplência total). A perspectiva influi diretamente na capacidade de negociação com credores e na confiança dos investidores institucionais.
Reflexos de acordo com o governo federal
Em janeiro, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, a Ambipar assinou protocolo de intenções com o Ministério dos Povos Indígenas, liderado por Sônia Guajajara. O documento previa cooperação em projetos de reflorestamento, conservação e resposta a emergências climáticas em terras indígenas. Com o pedido de recuperação judicial, permanece indefinida a continuidade desse compromisso, que dependia da robustez financeira da empresa para sair do papel.
Próximos passos na Justiça brasileira e norte-americana
O processo de recuperação judicial será julgado pela Vara Empresarial responsável, que fixará prazos para apresentação do plano de reestruturação. Já nos Estados Unidos, o Chapter 11 garante proteção temporária contra arresto de bens enquanto se negociam condições com credores internacionais. Pelo rito, a administração tem de detalhar como pretende preservar operações, cortar custos e vender ativos não essenciais.

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Entre as alternativas em estudo estão redução de quadro, desinvestimento em filiais estrangeiras e revisão de contratos menos rentáveis. Até o momento, não há indicação de injeção de capital externo ou proposta concreta de alongamento das dívidas.
Impacto sobre trabalhadores e mercado ambiental
Com operações que englobam gestão de resíduos, atendimento a derrames de óleo e emergências químicas, a Ambipar emprega milhares de profissionais no Brasil e no exterior. A continuidade dos serviços depende da aprovação do plano de recuperação. Concorrentes do setor observam a movimentação, já que eventual fechamento de contratos poderá realocar demanda e alterar preços em licitações públicas.
Investidores aguardam a divulgação de dados auditados que detalhem a composição das dívidas — hoje distribuídas entre bancos nacionais, estrangeiros e detentores de debêntures. Transparência sobre passivos trabalhistas e ambientais também será decisiva para restaurar a confiança do mercado.
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Em resumo, a Ambipar inicia um processo complexo de renegociação, pressionada por dívidas bilionárias, investigações regulatórias e perda de credibilidade. Fique atento às atualizações e confira nossos próximos informes sobre o caso.
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