Brasília, 2024 – A diplomacia brasileira ganhou novo contorno ao priorizar o conceito de Sul Global e reforçar alianças com governos de perfil autoritário. A estratégia se consolidou com a decisão de expandir o Brics, bloco que passa a incluir países como Irã, Egito, Emirados Árabes Unidos e Etiópia já em 2024, além de outros nove integrantes a partir de 2025, entre eles Belarus, Cuba e Cazaquistão.
Brics maior, aproximação com autocracias
Segundo o Itamaraty, a ampliação busca “equilibrar a ordem internacional” e “dar voz aos emergentes”. A prática, porém, coloca o Brasil ao lado de regimes criticados por violações de direitos humanos e restringe o diálogo com democracias consolidadas. A revista The Economist classificou, em junho, essa guinada como “incoerente e hostil ao Ocidente”, destacando a proximidade de Brasília com Rússia, China e Irã, enquanto Washington e Israel perdem espaço nas prioridades brasileiras.
O desenho do novo Brics inclui:
- 2024 – Entrada de Irã, Egito, Emirados Árabes Unidos e Etiópia.
- 2025 – Adesão de Nigéria, Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Tailândia e Uganda.
Com a alteração, o bloco passa de cinco para 21 membros, somando economias de perfis e regimes variados, mas majoritariamente sob governos de partido único ou liderança prolongada. O peso político do grupo cresce, enquanto a convergência de valores democráticos diminui.
Crise com Israel e distanciamento de Washington
A tensão com Tel Aviv alcançou o ápice em fevereiro, quando o presidente brasileiro comparou a reação israelense ao Hamas ao Holocausto. A declaração levou o governo de Benjamin Netanyahu a classificar o chefe do Executivo brasileiro como persona non grata e a anunciar o rebaixamento das relações bilaterais. Paralelamente, o Brasil aderiu à ação movida pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça que acusa Israel de genocídio.
No eixo Washington-Brasília, a relação também se deteriorou. Repetidas críticas à política externa norte-americana, à Lei Magnitsky e ao apoio dos EUA à Ucrânia alimentaram atritos. Enquanto isso, a Casa Branca observa o estreitamento de laços do Planalto com Moscou e Pequim. A postura brasileira contrasta com a posição de Índia e África do Sul, que preservam canais abertos tanto com o Ocidente quanto com os novos parceiros asiáticos.


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Impactos econômicos e comerciais
A opção por regimes fechados embute riscos para o comércio exterior. Estados Unidos e União Europeia seguem líderes na importação de produtos de alto valor agregado e tecnologia, setores nos quais o Brasil busca inserção. Israel, por sua vez, é referência em irrigação, segurança cibernética e inovação agrícola – áreas de interesse direto do agronegócio brasileiro.
Especialistas em comércio apontam que desacordos diplomáticos dificultam a assinatura de acordos tarifários, atrasam a entrada em cadeias globais de valor e espantam investidores que demandam segurança jurídica. Esse cenário se agrava quando o governo minimiza denúncias de violações de direitos humanos nos novos parceiros, gerando percepção de risco político e reputacional.

Imagem: Shutterstock
Sinais e críticas internas
No Congresso, parlamentares de oposição questionam a “excessiva ideologização” da política externa. Em audiência na Comissão de Relações Exteriores, o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais manifestou preocupação com exercícios militares dos EUA próximos à Venezuela, reforçando a leitura de alinhamento incondicional a Caracas. A posição gerou reação de deputados que defendem a imposição de cláusulas democráticas aos acordos firmados pelo Itamaraty.
Analistas destacam que, ao privilegiar ditaduras, o Brasil compromete o histórico de pragmatismo que marcou o Ministério das Relações Exteriores e dilui a capacidade de mediar conflitos globais. A neutralidade, antes vista como ativo de “soft power”, cede lugar a uma política marcada por preferências ideológicas.
Para acompanhar outros desdobramentos da pauta internacional e seus reflexos na política interna, acesse também a seção Política do nosso portal.
Em síntese, a ampliação do Brics e a escalada de atritos com democracias tradicionais revelam uma mudança de rota que expõe o Brasil a novas fragilidades. Fique atento às atualizações, compartilhe o conteúdo e participe do debate sobre os rumos da diplomacia nacional.
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