O ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Carsten Schneider, usou as redes sociais nesta segunda-feira (17) para exaltar o Brasil e lamentar não poder prolongar sua estadia após a COP30, encerrada em Belém. A publicação ocorreu poucas horas depois de ganharem repercussão as declarações do chanceler alemão, Friedrich Merz, que comparou de forma depreciativa as condições de trabalho entre o Brasil e a Alemanha durante um evento em Berlim.
Declarações de Merz geram desconforto
Em discurso no Congresso Alemão do Comércio, Merz relatou que jornalistas que o acompanharam na cúpula do clima estariam “felizes por voltar” e que nenhum demonstrou vontade de permanecer em Belém. A fala, feita após o retorno da delegação europeia, foi divulgada na íntegra pelo governo alemão e reproduzida pela emissora Deutsche Welle.
O objetivo do chanceler era defender um ambiente econômico mais competitivo na Alemanha, com ênfase em regras de imigração mais restritivas e cortes de despesas sociais. Ao mencionar a conferência no Brasil, Merz tentou ilustrar dificuldades logísticas e climáticas enfrentadas no Norte do país, mas o tom depreciativo provocou reação imediata de autoridades brasileiras.
O prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), classificou o comentário como “arrogante e preconceituoso”. Já o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), lembrou que nações responsáveis por grande parte das emissões globais deveriam ser mais sensíveis aos desafios da Amazônia.
Schneider faz elogios e tenta desarmar tensão
No mesmo dia, Carsten Schneider publicou uma foto em que aparece pescando na região amazônica. Em português, descreveu o Brasil como “maravilhoso” e destacou a hospitalidade da população. O ministro afirmou que gostaria de permanecer no país após a conferência climática, mas sua agenda oficial não permitiria.
A revista alemã Stern interpretou o gesto como um esforço para “acalmar os ânimos” e evitar desgaste diplomático. Segundo a publicação, em discurso feito no último fim de semana, Schneider já havia chamado Belém de “magnífica”, reconhecendo, porém, desigualdades e pobreza ainda visíveis na cidade.


Camiseta Camisa Bolsonaro Presidente 2026 Pátria Brasil 6 X 10,00 S/JUROS


IMPERDÍVEL! Jair Bolsonaro: O fenômeno ignorado: Eles não entenderam nada




Enquanto buscava reduzir a tensão, Schneider reiterou o compromisso de Berlim com o combate ao aquecimento global e confirmou a adesão da Alemanha ao Tropical Forests Forever Fund (TFFF). O fundo, criado pelo governo brasileiro, pretende captar até US$ 125 bilhões no longo prazo para financiar ações de preservação ambiental. O valor exato da contribuição alemã não foi divulgado.
Contexto da COP30 e interesses em jogo
A COP30 foi realizada em Belém, capital paraense, escolhida pela Organização das Nações Unidas como sede justamente por estar no coração da Amazônia. O encontro serviu para discutir metas de redução de emissões, financiamento verde e proteção de florestas tropicais.
Durante sua passagem pela cúpula, Merz reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e indicou apoio ao TFFF. Ainda assim, as falas posteriores do chanceler contrastaram com o tom diplomático esperado, abrindo espaço para críticas no Brasil e na própria mídia alemã.

Imagem: Internet
Analistas veem na reação rápida de Schneider um movimento para evitar que a controvérsia afete projetos bilaterais de cooperação ambiental. A Alemanha já é uma das principais financiadoras do Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES, e busca manter protagonismo em iniciativas de sustentabilidade.
Repercussão política no Brasil
A polêmica reacendeu debates internos sobre soberania e imagem internacional da Amazônia. Parlamentares da base governista apontaram preconceito europeu, enquanto vozes oposicionistas cobraram postura firme do Itamaraty para preservar o respeito ao país. Apesar da crítica generalizada, autoridades brasileiras enfatizaram a importância de manter canais abertos com a Alemanha, um dos parceiros econômicos mais relevantes da região.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores destacou que as relações diplomáticas seguem “solidas” e que episódios pontuais não comprometem projetos conjuntos de longo prazo. Não houve, até o momento, pedido formal de desculpas por parte de Merz.
Para acompanhar outras movimentações que envolvem o Palácio do Planalto e o cenário externo, veja a cobertura completa em Política.
Em resumo, a fala depreciativa de Friedrich Merz gerou reação imediata no Brasil, mas o gesto posterior do ministro Carsten Schneider busca minimizar o desgaste e preservar a cooperação bilateral em temas ambientais. Continue informado e acompanhe futuros desdobramentos sobre relações internacionais e políticas de sustentabilidade.
Para informações oficiais e atualizadas sobre política brasileira, consulte também:

