O recente bombardeio a um prédio residencial em Doha, atribuído a caças israelenses, matou cinco integrantes do Hamas e um agente de segurança do Catar, abalando a confiança regional nas garantias de proteção oferecidas pelos Estados Unidos. O episódio ocorreu poucas horas antes de o Hamas apresentar resposta a uma proposta de cessar-fogo intermediada por Washington, Catar e Egito para o conflito na Faixa de Gaza.
Aliado estratégico dos EUA vê sua segurança colocada em xeque
O Catar, pequeno mas influente emirado do Golfo Pérsico, abriga a base aérea de Al Udeid, a maior instalação militar norte-americana no Oriente Médio. Em abril, o emir Tamim bin Hamad Al-Thani recebeu o ex-presidente Donald Trump em uma visita cercada de pompa que resultou em acordos bilionários de defesa e na promessa de cooperação estreita em segurança.
Desde o início da guerra em Gaza, Doha vem atuando como canal de diálogo entre Israel e Hamas. O primeiro-ministro catari, Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al-Thani, reuniu-se pessoalmente com o negociador-chefe do grupo palestino, Khalil Al-Hayya, na segunda-feira (8), buscando avançar num acordo que inclua troca de reféns e trégua temporária.
O ataque de terça-feira (9) surpreendeu o governo catari. Em entrevista concedida à CNN na quarta-feira (10), Al-Thani classificou a ação como “terrorismo de Estado”, acusou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de violar leis internacionais e afirmou que o episódio “acabou com qualquer esperança” imediata de libertar os sequestrados.
Parcerias no Golfo reavaliam dependência de Washington
A investida em solo catariano repercutiu entre as monarquias vizinhas. Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e o próprio Catar firmaram, em maio, compromissos que somam estimados US$ 3 trilhões em contratos comerciais e militares com os EUA. A expectativa era de que tais acordos funcionassem como dissuasão contra ataques externos.
Especialistas ouvidos por veículos internacionais apontam que, após o incidente em Doha, essas capitais devem ponderar alternativas de segurança. HA Hellyer, do Carnegie Endowment for International Peace, avalia que a região “questionará que tipo de arquitetura de defesa precisa buscar, em vez de depender de um parceiro que não conseguiu protegê-los”.


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Embora o Catar tenha condenado publicamente o ato, o governo ainda não sinalizou rupturas com Washington. Entretanto, o episódio fortalece a percepção de que a cobertura norte-americana apresenta limites quando interesses israelenses entram em jogo.
Mediações sob risco e impasse humanitário em Gaza
Além do Catar, Egito e Omã historicamente intermediam conversas entre Israel e facções palestinas. Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita também se oferecem como palco para tratativas de paz em outros conflitos, como a guerra russo-ucraniana. Analistas indicam que o ataque em Doha eleva o custo político dessas iniciativas, pois demonstra que facilitadores podem virar alvos.
Hasan Alhasan, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, afirma que “poucos países aceitarão riscos semelhantes em troca de um papel de mediação”. Com as negociações suspensas, reféns israelenses permanecem em cativeiro e civis palestinos continuam expostos aos bombardeios na Faixa de Gaza.

Imagem: Israel Doha
Impacto sobre o relacionamento EUA–Israel
O governo norte-americano ainda não divulgou detalhes sobre eventual consulta prévia de Israel antes da operação em Doha. A ausência de respostas públicas contribui para a sensação de que Washington carece de mecanismos eficazes para conter ações unilaterais de seu principal aliado no Oriente Médio.
Para os países do Golfo, a prioridade será observar se os EUA reforçarão compromissos de segurança ou adotarão postura mais firme em relação às operações israelenses que extrapolem fronteiras. A reação de Donald Trump, que mantém significativo capital político entre líderes árabes, pode influenciar futuras movimentações.
O bombardeio em Doha, portanto, vai além de um episódio isolado: revela limitações tangíveis no arranjo de proteção atualmente liderado pelos Estados Unidos e lança dúvidas sobre a viabilidade imediata de novas tréguas em Gaza.
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Em síntese, o ataque intensifica a incerteza sobre a capacidade norte-americana de garantir segurança a seus parceiros e impõe novos obstáculos às negociações para cessar-fogo. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe esta análise para manter o debate informado.
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