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Banco Central encerra testes do Drex e revê plano de moeda digital

Política

Brasília, 5 jun. 2024 – O Banco Central do Brasil (BC) decidiu desligar, na próxima segunda-feira (10), a plataforma que sustentava os testes da moeda digital Drex. A medida encerra a segunda fase do piloto iniciado em 2020 e indica uma mudança de rumo na estratégia de digitalização da autoridade monetária.

Banco Central desliga plataforma de testes

O encerramento foi comunicado na terça-feira (4) aos consórcios que participavam do programa. Nos últimos quatro anos, o BC avaliou a viabilidade de contratos inteligentes e ativos tokenizados usando a tecnologia Hyperledger Besu, ligada ao ecossistema Ethereum. O objetivo era criar uma versão digital do real, centralizada, rastreável e programável.

Apesar do impulso inicial, problemas de privacidade, segurança e escalabilidade atrasaram o cronograma. A previsão de iniciar operações comerciais ainda em 2024 foi suspensa. Com o desligamento da rede, o BC finaliza a fase de provas de conceito, reavalia prioridades e adia qualquer adoção ampla do Drex.

Nova etapa restrita a transações de garantia

Segundo o plano revisado, uma terceira fase começará até o primeiro semestre de 2026. O Drex passará a ter uso restrito como instrumento de garantia em operações entre instituições financeiras, deixando de lado a proposta de servir ao dia a dia do consumidor. Para pagamentos e transferências, o Pix permanece como solução preferencial, por ser rápido, gratuito e amplamente adotado.

A decisão representa um recuo na ambição internacional de integrar o Drex a sistemas estrangeiros e reduzir a dependência do dólar, ponto defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em discursos recentes. O atual comando do Banco Central, chefiado por Gabriel Galípolo, optou por priorizar estabilidade e proteção de dados. A postura contrasta com a gestão de Roberto Campos Neto, responsável pelo sucesso do Pix e por posicionar o BC como referência mundial em inovação de pagamentos.

Mercado mira stablecoins privadas

Analistas observam que o Brasil segue a tendência de grandes economias, como os Estados Unidos, onde o debate migrou para stablecoins privadas vinculadas a moedas oficiais. Diferente das CBDCs emitidas por bancos centrais, esses tokens são desenvolvidos por empresas do setor e funcionam fora do controle estatal, atraindo investidores interessados em soluções mais ágeis e menos burocráticas.

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Com o espaço aberto pela desaceleração do Drex, empresas de tecnologia financeira avaliam lançar projetos tokenizados voltados a crédito, câmbio e investimentos. A expectativa é de competição intensa por eficiência e custos, sem os limites impostos a uma moeda oficial digital. Ao BC caberá acompanhar, regular e garantir que tais iniciativas não ameacem a segurança do sistema bancário.

Desafios e próximos passos

Ao redefinir o Drex, o Banco Central busca equilibrar inovação com a necessidade de preservar sigilo bancário e evitar riscos cibernéticos. A próxima fase de testes envolverá menos participantes, foco em liquidação interbancária e monitoramento mais rigoroso de acesso a dados.

Especialistas lembram que países como China e União Europeia também enfrentam obstáculos semelhantes. Questões de interoperabilidade, custo de infraestrutura e receio de vigilância em massa dificultam a adoção plena de moedas digitais oficiais. No Brasil, o debate público sobre privacidade e o histórico de estabilidade do setor bancário tornam o ambiente ainda mais cauteloso.

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Em resumo, o cancelamento da atual plataforma não encerra o Drex, mas redefine seu alcance. O Banco Central sinaliza preferência por aplicações restritas e reguladas, enquanto o mercado privado ganha espaço para desenvolver soluções tokenizadas próprias. Fique atento às próximas etapas e participe do debate sobre o futuro dos pagamentos digitais no país.

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