Brasília – A vice-presidência de Controles Internos e Gestão de Riscos do Banco do Brasil (BB) comunicou que produtores rurais em processo de recuperação judicial não terão acesso a financiamento “hoje, amanhã ou nunca mais”. A afirmação, feita na última semana, gerou reação imediata do setor agropecuário, responsável por cerca de um terço do Produto Interno Bruto nacional, 30% dos empregos formais e pelo superávit da balança comercial.
Banco estatal impõe veto definitivo ao crédito
O posicionamento do BB contrasta com a função estratégica de um banco controlado pela União, cuja missão oficial inclui fomentar atividades produtivas. Produtores recorrem à recuperação judicial quando não encontram alternativas diante de perdas climáticas, flutuações de renda ou políticas econômicas que elevam custos e reduzem margens.
Nos últimos anos, o campo enfrentou sequência de eventos extremos. Enchentes no Rio Grande do Sul devastaram lavouras; seca prolongada atingiu estados como Paraná e Mato Grosso; e a taxa básica de juros, mantida em patamar elevado, encareceu linhas de crédito. Diante desse cenário, o veto indiscriminado do BB amplia a fragilidade do produtor que já tem garantias exauridas.
Parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) estiveram recentemente com o vice-presidente de Agronegócios do banco, Gilson Bittencourt, para discutir o endividamento crescente. A reunião terminou sem proposta concreta de flexibilização, segundo relatos de deputados.
Endividamento no campo cresce sem apoio efetivo
Dados da Serasa Experian apontam 565 pedidos de recuperação judicial no agronegócio apenas no segundo trimestre de 2025, salto de quase 32% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram registrados 429 pedidos. Mato Grosso, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Goiás concentram a maior parte dos casos, justamente as unidades federativas com maior produção de grãos, carnes e fibras.
Na avaliação de entidades ligadas ao setor, a oferta de crédito oficial não acompanha a realidade de custos de produção. O governo federal promoveu o “maior Plano Safra da história” em valores nominais, mas as taxas aplicadas, a ausência de subsídio suficiente e a demora na liberação dos recursos limitaram o alcance prático da medida. Ao mesmo tempo, o Executivo defendeu a tributação de instrumentos privados de financiamento, como Fiagro, CRA e LCA, o que, na leitura de produtores, eleva a insegurança e encarece ainda mais o capital.


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No Congresso, tramitam iniciativas para amenizar o quadro. A Medida Provisória 1.314 destina R$ 12 bilhões em crédito a produtores e cooperativas prejudicados por eventos climáticos ocorridos entre julho de 2020 e junho de 2025. Há, ainda, projeto relatado pela senadora Tereza Cristina que moderniza o seguro rural, ampliando cobertura e reduzindo burocracia.
Apesar dessas propostas, o custo financeiro permanece um obstáculo. Com a Selic em 15%, as exigências de garantia aumentam, e o prazo de carência encurta, inviabilizando a recuperação de fluxo de caixa para muitos empreendimentos. Sem seguro rural robusto e com linhas oficiais limitadas, a recuperação judicial acaba sendo o último recurso para preservar ativos e manter empregos.

Imagem: Michel Willian
Setor busca saída diante de risco de marginalização
Especialistas alertam que vetar produtores em recuperação judicial cria círculo vicioso: quanto mais prolongada a negativa, maior a probabilidade de incapacidade de pagamento, ampliando calotes e perdas de produtividade. No âmbito econômico, restringir crédito a um segmento que responde por parcela substancial das exportações pode comprometer gerações de divisas e prejudicar a balança comercial.
A Frente Parlamentar da Agropecuária defende que a recuperação judicial seja reconhecida como mecanismo legítimo de reestruturação e não como sinal automático de insolvência permanente. Em nota, a bancada reforçou que “marginalizar quem passa por dificuldade conjuntural equivale a penalizar quem sustenta o país”.
Produtores também apontam a necessidade de ajuste fiscal para reduzir pressões sobre os juros e abrir espaço a subsídios focalizados. Sem medidas estruturais, o campo mantém produtividade, mas à custa de endividamento crescente e vulnerabilidade aos choques climáticos.
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Em resumo, o veto do Banco do Brasil a produtores rurais em recuperação judicial aprofunda o desafio de acesso a crédito num momento de alta de custos e instabilidade climática. O Congresso discute linhas emergenciais e reformas no seguro rural, mas, enquanto as propostas não avançam, o risco de paralisação de investimentos no setor permanece. Fique atento às atualizações e compartilhe esta reportagem para ampliar o debate sobre o futuro do agro brasileiro.
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