A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS rejeitou, na tarde de quinta-feira (9), o pedido para quebrar os sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de Paulo Augusto de Araújo Boudens, ex-chefe de gabinete e assessor de confiança do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A solicitação, apresentada pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), buscava também acesso às movimentações detectadas pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
Decisão da CPMI e alinhamento de votos
O requerimento recebeu 17 votos contrários e 13 favoráveis. Todos os parlamentares alinhados ao Palácio do Planalto se posicionaram contra a medida, garantindo a blindagem do ex-assessor. O resultado foi criticado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), que acusou a base governista de impedir o avanço das investigações. Jordy, autor do pedido, classificou a derrota como “lamentável”, destacando que a quebra de sigilo poderia esclarecer a origem de pagamentos milionários.
Segundo documentos já anexados à CPMI, Boudens recebeu R$ 3 milhões da empresa Arpar Participação e Empreendimentos entre 2023 e 2024. No mesmo período, a Arpar foi abastecida com R$ 49 milhões em depósitos do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como operador de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas.
Histórico do ex-assessor e suspeitas pendentes
Boudens já havia se tornado personagem de um escândalo em 2021, quando reportagens revelaram a contratação de seis mulheres da periferia do Distrito Federal que devolviam até 95 % dos salários recebidos ao gabinete de Alcolumbre. Na ocasião, o ex-assessor admitiu responsabilidade e firmou um acordo de não persecução penal no Supremo Tribunal Federal, comprometendo-se a ressarcir os valores para evitar processo criminal.
Mesmo afastado do gabinete de Alcolumbre no fim de 2024, Boudens foi nomeado para o Conselho de Estudos Políticos do Senado, cargo que rende remuneração superior a R$ 30 mil mensais. A designação ocorreu enquanto a CPMI intensificava apurações sobre o fluxo financeiro envolvendo a Arpar e o Careca do INSS.
Além disso, o Senado impôs sigilo de 100 anos às listas de visitantes registrados nos gabinetes da Casa, entre eles o do atual presidente do Senado. A decisão dificulta a verificação de possíveis encontros entre Antunes e parlamentares, ponto considerado crucial para a CPMI.


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Foco da CPMI do INSS
Instalada para investigar o suposto esquema de descontos ilegais em benefícios previdenciários, a CPMI busca identificar ligações políticas e empresariais que possam ter facilitado as fraudes. Segundo integrantes do colegiado, as transações que envolvem Arpar, Antunes e Boudens levantam suspeitas sobre lavagem de dinheiro e financiamento de atividades irregulares com recursos públicos.
Parlamentares da oposição avaliam que a negativa em quebrar os sigilos retardará a obtenção de provas bancárias e telemáticas capazes de traçar o caminho do dinheiro. Já integrantes da base argumentaram que o requerimento seria “prematuro” e poderia violar garantias individuais antes do amadurecimento das investigações.

Imagem: Internet
Próximos passos no colegiado
A CPMI deverá votar novos pedidos de convocação e de acesso a informações sigilosas nas próximas sessões. A oposição sinaliza que insistirá na quebra de sigilos de Boudens, além de requerer depoimentos de diretores da Arpar e do próprio Antunes. Lideranças do governo, porém, afirmam não ver indícios suficientes para ampliar o alcance das medidas investigativas.
Enquanto o impasse político se mantém, aposentados e pensionistas seguem aguardando resposta sobre o prejuízo potencial nas suas rendas. Técnicos calculam que descontos não autorizados podem ter alcançado milhares de beneficiários, mas os valores exatos ainda dependem do cruzamento de dados do INSS, bancos e operadoras de crédito.
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Este conteúdo destacou o bloqueio imposto pela base governista à quebra de sigilos de um ex-assessor ligado a Davi Alcolumbre, detalhou as movimentações financeiras suspeitas e explicou as implicações para a CPMI do INSS. Continue conosco, compartilhe a matéria e acompanhe as atualizações.
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