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Bebê dado como morto reage antes do enterro e expõe falhas em maternidade do Acre

Política

Um recém-nascido prematuro de 23 semanas, declarado morto pela maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco (AC), chorou dentro do caixão momentos antes do enterro e sobreviveu por mais de 13 horas sem qualquer assistência. O caso, ocorrido entre 24 e 25 de outubro, colocou em discussão a segurança dos protocolos hospitalares e reacendeu o debate sobre a proteção à vida de bebês extremamente prematuros.

Atendimento inicial e oferta de aborto

De acordo com o relato dos pais, moradores do interior do Amazonas, a gestante deu entrada na maternidade no dia 23 de outubro, apresentando fortes contrações aos cinco meses de gravidez. A equipe médica informou que, em gestações tão precoces, a chance de sobrevivência do feto seria mínima e sugeriu a interrupção da gravidez. O casal, contrário ao aborto por convicções pessoais e religiosas, recusou a proposta e decidiu aguardar o parto natural.

No dia seguinte, 24 de outubro, o bebê nasceu com 520 gramas e ainda envolto na bolsa amniótica. Segundo o pai, uma enfermeira afirmou que o filho havia nascido sem sinais vitais, colocou-o em um saco plástico e encaminhou o corpo ao necrotério. A família foi orientada a organizar o funeral.

Descoberta no velório e retorno ao hospital

Na manhã de 25 de outubro, já na funerária, um parente solicitou que o caixão fosse aberto. Ao retirar a tampa, os presentes ouviram o choro do recém-nascido. A mãe segurou o filho junto ao peito para aquecê-lo, enquanto a família providenciava transporte de volta ao hospital. O bebê foi internado de imediato na UTI do Hospital da Criança, onde recebeu o nome de José Pedro.

Apesar dos esforços da equipe de terapia intensiva, o prematuro não resistiu às complicações causadas pela longa exposição sem calor, hidratação ou alimento. Ele faleceu na madrugada de 26 de outubro. No dia 27, os pais realizaram o sepultamento em cerimônia restrita à família.

Falhas apontadas e investigação

A Secretaria de Saúde do Acre informou ter aberto sindicância para apurar os procedimentos adotados pela maternidade. A principal linha de investigação é a suposta ausência de confirmação criteriosa de óbito, etapa que exige atestados clínicos e, em situações de extrema prematuridade, observação adicional em incubadora. Conselhos de classe devem analisar a conduta de médicos e enfermeiros envolvidos.

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Organizações pró-vida destacam que o episódio evidencia risco de decisões apressadas que podem custar vidas. Para esses grupos, a oferta de aborto frente à incerteza do prognóstico demonstra uma cultura hospitalar queprioriza a interrupção da gestação em vez de investir em cuidados neonatais avançados. Entidades defensoras da vida pretendem acompanhar o inquérito e cobrar responsabilização.

Debate sobre prematuridade e liminares do STF

O caso de José Pedro repercutiu em meio à discussão nacional sobre limites da viabilidade fetal. Liminares recentes do Supremo Tribunal Federal, como a do ministro Alexandre de Moraes na ADPF 1141, abriram espaço para procedimentos de interrupção tardia, incluindo assistolia fetal em gestações acima de 20 semanas. Para setores conservadores, a experiência no Acre reforça a necessidade de cautela diante de decisões judiciais que podem relativizar a vida de bebês prematuros.

Ainda não há data para a conclusão da investigação estadual, mas o Ministério Público local deverá receber o relatório final. A Defensoria Pública, que acompanha a família, afirma que também pode acionar a Justiça por danos morais e materiais.

Casos como esse mantêm em evidência a importância de protocolos claros para confirmação de óbito neonatal e de investimentos em UTIs que permitam tentar salvar prematuros extremos. Enquanto aguardam respostas, os pais de José Pedro confiam que a história do filho alerte outras unidades de saúde a redobrar cuidados.

Se você quer acompanhar o desdobramento jurídico e político desse caso, confira a cobertura completa em nosso caderno de Política.

Este relato ilustra como falhas de procedimento podem ter consequências irreversíveis e reacende o debate sobre a defesa da vida desde a concepção. Siga acompanhando nossas atualizações e compartilhe este conteúdo para que mais pessoas se informem e cobrem transparência dos gestores públicos.

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