Um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) aponta que, para cada duas famílias contempladas pelo Bolsa Família, uma deixa de participar do mercado de trabalho. O dado evidencia o impacto direto da forte expansão do programa de transferência de renda, que ganhou escala sem precedentes desde a pandemia.
Programa triplicou de valor e ampliou beneficiários
No fim de 2019, o benefício médio do Bolsa Família girava em torno de R$ 190. Com a criação do Auxílio Emergencial em 2020, seguido pelo Auxílio Brasil e, depois, pela retomada do nome original em 2023, o valor subiu para R$ 600 e chegou aos atuais R$ 670 — alta de 253% em seis anos. O número de famílias atendidas saltou de 14 milhões para 21 milhões no mesmo período, enquanto o orçamento explodiu de R$ 35 bilhões para R$ 170 bilhões anuais.
Segundo o pesquisador Daniel Duque, responsável pelo estudo, o benefício passou a representar 35% da renda mediana do trabalho no país, contra 15% antes da pandemia. Essa mudança provocou resultados claros sobre a oferta de mão de obra: a taxa de participação no mercado, que era de 63,6% no fim de 2019, caiu para 61,6% no primeiro semestre de 2023. Em junho de 2025, o índice manteve-se baixo, em 62,4%, apesar da taxa de desemprego mínima de 5,8% registrada pelo IBGE.
Efeitos concentrados em jovens do Norte e Nordeste
A pesquisa revela que jovens homens entre 14 e 30 anos, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, são os mais propensos a abandonar a busca por trabalho após ingressar no Bolsa Família. Entre os beneficiários, a probabilidade de estar empregado recuou 12%, e a chance de ter carteira assinada, 13%. Já a queda de 11% na participação global na força de trabalho reforça a relação direta entre o valor do auxílio e o desestímulo ao emprego formal.
No Nordeste, a taxa de participação desceu de 56% no último trimestre de 2019 para 54,1% no primeiro trimestre de 2025. O Sul foi a única região com leve avanço, de 66,8% para 66,9%, alteração considerada estatisticamente marginal pelos economistas.
Regra de proteção não compensa a perda de renda
Mesmo com a “regra de proteção” — mecanismo que permite ao trabalhador formalizado manter 50% do benefício por até dois anos — muitos beneficiários concluem que a renda garantida do programa supera as perspectivas de ganho no emprego formal. Essa avaliação pesa ainda mais quando o cidadão já possui alguma fonte informal de receita, reduzindo o incentivo à carteira assinada.
Consequências de longo prazo para o capital humano
O afastamento dos jovens do mercado compromete a formação de capital humano. Ao postergar a entrada no emprego, eles deixam de adquirir experiência e qualificação profissional, fundamentais para a produtividade futura. Pesquisadores avaliam que, sem ajustes, o programa pode transformar um instrumento de amparo social em barreira ao desenvolvimento econômico.


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Propostas de redesenho do benefício
Entre as alternativas avaliadas pela FGV Ibre está a redução do benefício básico de R$ 600, liberando recursos para grupos considerados prioritários, como mães com filhos pequenos ou jovens que abandonaram os estudos por necessidade de renda. A ideia é que o Bolsa Família volte a funcionar como trampolim para a autonomia financeira, e não como incentivo à inatividade.
Outras sugestões incluem integrar o programa a cursos técnicos orientados pelo mercado, estímulos ao empreendedorismo e ações de formalização. Dessa forma, o auxílio serviria como complemento temporário, enquanto o beneficiário adquire qualificação e melhora o potencial de renda.
A discussão sobre o futuro do Bolsa Família ganha força à medida que o orçamento federal destinado ao programa cresce e os indicadores de participação no mercado de trabalho mostram pouca recuperação. Economistas argumentam que a calibragem do valor do benefício e a vinculação a políticas de capacitação podem reduzir o “custo oculto” identificado pelo estudo.
Para acompanhar outros desdobramentos sobre políticas públicas e seus impactos, confira a seção dedicada em Política.
Em resumo, a ampliação do Bolsa Família trouxe alívio a milhões de lares, mas também provocou queda expressiva na oferta de mão de obra, sobretudo entre jovens do Norte e Nordeste. Ajustes no desenho do programa podem tornar o auxílio um estímulo à produtividade, e não um freio ao emprego formal. Continue acompanhando nossas publicações e fique informado sobre as mudanças que afetam o mercado de trabalho.

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