Brasília, 4 nov. 2025 – O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP), reconheceu que a esquerda falhou na forma de tratar os trabalhadores de aplicativos e prometeu mudar a interlocução do Planalto com motoristas e entregadores. A autocrítica veio em entrevista publicada nesta terça-feira (4), quando Boulos admitiu que o governo “poucas vezes parou para ouvir” a categoria antes de propor regras para o setor.
Regulamentação perde apoio após críticas de motoristas e entregadores
Desde o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Ministério do Trabalho defende um modelo que fixa remuneração mínima de R$ 32,09 por hora, salário mensal equivalente ao mínimo nacional e contribuição de 7,5 % ao INSS. O texto foi encaminhado à Câmara ainda em 2024, mas perdeu força quando entidades de motoristas e entregadores classificaram a proposta como “inviável” e distante da realidade das plataformas.
A resistência partiu também das empresas que comandam o setor, que alertaram para impacto financeiro e possível redução da oferta de corridas e entregas. O impasse travou as negociações e expôs dificuldade da equipe do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, em costurar consenso no Congresso.
Categoria mantém ceticismo mesmo com nova articulação
No primeiro dia após a posse na Secretaria-Geral, Boulos recebeu lideranças dos entregadores no Palácio do Planalto. Dias depois, almoçou com representantes da categoria, que entregaram carta de reivindicações pedindo isenção de impostos na compra de veículos e linhas de crédito com juros reduzidos, em moldes semelhantes aos concedidos a taxistas.
Nicolas Souza Santos, da Aliança Nacional dos Entregadores, afirmou que as conversas anteriores com o Ministério do Trabalho “não avançaram” e que a mobilização dos profissionais será decisiva para qualquer ganho concreto. “Somos gatos escaldados”, disse, indicando desconfiança sobre mudanças substanciais na proposta já em tramitação.
Dentro do governo, auxiliares admitem que a nomeação de Boulos tem objetivo político de reduzir a oposição de um grupo que hoje critica abertamente o Planalto. No entanto, reconhecem que a pauta é uma das mais sensíveis da gestão e que o texto se encontra em fase final na Câmara, com pouca margem para alterações profundas.


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Relator pretende votar parecer ainda neste ano
O deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), relator do projeto, informou que a última audiência pública ocorrerá na próxima terça-feira (11). A intenção é levar o parecer ao plenário antes do recesso parlamentar. “Muitas ideias vieram da proposta do governo, mas agora a discussão está madura”, disse Coutinho, demonstrando ceticismo sobre a influência de Boulos nas etapas finais.
Segundo dados do IBGE, o número de motoristas e entregadores por aplicativo cresceu 25,4 % desde 2022, alcançando 1,7 milhão de trabalhadores em 2024. Mais da metade atua no transporte de passageiros, enquanto 29,3 % se dedicam à entrega de alimentos e mercadorias.

Imagem: Fernando Frazão
Autocrítica expõe falta de diálogo com base de apoio
Ao admitir “erros muitas vezes” da esquerda, Boulos sinalizou mudança de abordagem. A fala ocorre após o Planalto reconhecer que não consultou suficientemente os profissionais afetados. O ajuste de rota, contudo, enfrenta prazo apertado e resistência consolidada tanto no setor produtivo quanto entre os próprios trabalhadores.
No Congresso, parlamentares avaliam que qualquer alteração de última hora exigiria nova rodada de negociações, o que poderia empurrar a votação para 2026. A essa altura, interlocutores governistas temem desgaste político maior caso o projeto seja rejeitado ou aprovado com conteúdo distante do pretendido pelo Planalto.
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Em resumo, Guilherme Boulos tenta recompor pontes com motoristas e entregadores, mas enfrenta cronograma avançado e ceticismo generalizado. A categoria aguarda respostas objetivas, enquanto o Parlamento corre para concluir a votação da proposta ainda neste ano.
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