Brasília — O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) toma posse nesta quarta-feira como ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República. A cerimônia está marcada para a tarde, no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que retorna de compromissos na Ásia na véspera. Boulos substitui Márcio Macêdo, dispensado no recente rearranjo de pastas promovido pelo chefe do Executivo.
Posse e primeira missão no governo
Segundo interlocutores do Planalto, a principal tarefa delegada a Boulos é “colocar o governo na rua”. Para isso, o novo ministro planeja percorrer os 26 estados, em ritmo de uma viagem por semana. A agenda nacional pretende divulgar programas federais diretamente aos eleitores e reforçar a imagem do Planalto em regiões onde a aprovação do presidente ainda não se consolidou.
Na semana anterior à posse, Boulos trabalhou ao lado de Márcio Macêdo para garantir a transição administrativa e discutir os nomes que comporão a equipe da Secretaria-Geral. O ministério concentra articulação social, diálogo com movimentos e acompanhamento de políticas voltadas a participação popular.
Estratégia de olho em 2026
A ofensiva pelo interior do país coincide com a sinalização explícita de Lula sobre disputar a reeleição em 2026. Durante visita à Indonésia, o presidente assumiu publicamente, sem ressalvas, que buscará mais quatro anos de mandato — posição que contraria o compromisso de 2022, quando afirmou tratar-se de um governo de transição.
Com a confirmação da candidatura, o Planalto aposta no capital político de Boulos entre movimentos urbanos de esquerda para ampliar a militância em torno de Lula. O roteiro estadual também deve abrir espaço para encontros com lideranças locais e monitoramento de iniciativas federais.
Trajetória ligada ao MTST e ao PT
Guilherme Boulos ganhou projeção nacional como coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), organizado nas periferias de grandes cidades. No decorrer da década passada, aproximou-se do Partido dos Trabalhadores e passou a frequentar agendas do então ex-presidente Lula.


Camiseta Camisa Bolsonaro Presidente 2026 Pátria Brasil 6 X 10,00 S/JUROS


IMPERDÍVEL! Jair Bolsonaro: O fenômeno ignorado: Eles não entenderam nada




Em abril de 2018, Boulos esteve com Lula no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC no dia da prisão do petista, condenado pelo então juiz Sergio Moro no caso do triplex do Guarujá. À época, o líder do MTST defendeu que Lula não se entregasse voluntariamente à Polícia Federal.
Candidaturas anteriores e apoio do presidente
Mesmo filiado ao PSOL, Boulos recebeu gestos do PT em várias disputas eleitorais. Foi candidato à Presidência em 2018, quando Lula, ainda pré-candidato, gravou vídeo para o lançamento da campanha psolista. Dois anos depois, concorreu à prefeitura de São Paulo e avançou ao segundo turno, após pressão pública de Lula para que o petista Jilmar Tatto desistisse da corrida. Ainda assim, foi derrotado por Bruno Covas (PSDB).
Quatro anos depois, Lula articulou nova aliança com o PSOL e colocou o PT a favor de Boulos na eleição paulistana. O deputado chegou novamente ao segundo turno, mas perdeu para Ricardo Nunes (MDB). Apesar das derrotas consecutivas, manteve influência junto à esquerda e agora assume posto estratégico no governo.
Repercussão e próximos passos
A nomeação de Boulos confirma a disposição do Planalto de intensificar o contato com bases sociais ligadas a movimentos de moradia. Por outro lado, o giro semanal pelo país deve enfrentar desafios logísticos e orçamentários, além de resistência de setores críticos à atuação do MTST.

Imagem: Internet
Para parlamentares de oposição, as viagens indicam uso da máquina pública na antecipação da campanha presidencial. A Secretaria-Geral nega finalidade eleitoral e afirma que a presença nos estados buscará apenas acompanhar a execução de políticas e ouvir demandas locais.
Mesmo antes da posse, a equipe já mapeia estados prioritários, começando por Nordeste e Sudeste, regiões com maior densidade populacional. A previsão é que os deslocamentos ocorram às sextas-feiras, aproveitando finais de semana para agendas com movimentos e prefeituras.
Nos bastidores, interlocutores avaliam que Boulos pretende fortalecer pontes com governadores aliados e tentar neutralizar resistências de administrações estaduais sob comando de partidos de centro e direita. O ministro, porém, tem evitado comentários públicos sobre as pretensões políticas para 2026.
Com a posse confirmada, o cronograma inicial de viagens deve ser apresentado ao presidente ainda nesta semana. A expectativa é que os primeiros compromissos externos ocorram já na semana seguinte, em estado ainda não definido oficialmente.
Se você quer acompanhar outras movimentações do cenário político, acesse a seção dedicada do nosso site em Política e fique por dentro dos desdobramentos em Brasília.
Em resumo, Guilherme Boulos assume a Secretaria-Geral com a missão de intensificar o contato do governo federal com a população, por meio de visitas semanais aos estados, enquanto Lula consolida o plano de buscar a reeleição em 2026. Continue acompanhando para saber como essa estratégia se refletirá nas disputas que se aproximam.
Para informações oficiais e atualizadas sobre política brasileira, consulte também:

