Brasília, 16 mai. 2026 – Brasil e Estados Unidos divulgaram nesta quarta-feira (15) uma nota conjunta classificando como “muito positiva” a reunião entre o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. O encontro, realizado em Washington, marcou o primeiro passo concreto para destravar o diálogo bilateral após meses de tensões comerciais e diplomáticas.
Primeiro contato formal desde a imposição de tarifas
O governo Donald Trump endureceu as relações em julho passado ao instituir novas tarifas sobre produtos brasileiros, restringir vistos e aplicar sanções financeiras a autoridades do país. Desde então, não havia reuniões de alto nível. A conversa desta quarta-feira, que começou com 15 minutos a portas fechadas e seguiu por mais 50 minutos com assessores, encerrou esse hiato.
A delegação norte-americana foi composta por Rubio e pelo representante de Comércio, Jamieson Greer; o lado brasileiro contou com Mauro Vieira e sua equipe. A pauta concentrou-se em temas econômicos, deixando de fora justificativas políticas para as medidas punitivas e sanções aplicadas contra ministros do Supremo Tribunal Federal e integrantes do governo Lula.
De acordo com o comunicado, “as autoridades concordaram em colaborar e conduzir discussões em múltiplas frentes no futuro imediato e estabelecer um caminho de trabalho a seguir”.
Agenda econômica ganha prioridade
O texto oficial, publicado simultaneamente pelo Department of State, pelo Itamaraty e pela Agência de Representação Comercial dos EUA, destaca que os dois governos buscarão avançar em “questões de comércio em andamento”. Ainda não foram detalhados os setores que podem ter tarifas revistas ou quotas ampliadas, mas fontes envolvidas indicam que produtos agrícolas e bens manufaturados lideram a lista de interesses recíprocos.
Embora não mencionada na nota, a expectativa é que a retomada do diálogo abra caminho para a redução das barreiras impostas a exportações brasileiras de aço e alumínio, bem como para maior acesso de companhias norte-americanas a licitações públicas no Brasil.


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Ainda segundo o comunicado, “ambas as partes concordaram em trabalhar juntas para agendar uma reunião entre o presidente Trump e o presidente Lula na primeira oportunidade possível”.
Reunião presidencial pode redefinir rumos políticos
O possível encontro entre Trump e Lula ganha relevância política porque reúne dois chefes de Estado que vêm de espectros ideológicos distintos. No entanto, a sinalização de diálogo pode destravar pendências em áreas estratégicas – energia, segurança e investimentos privados.
Diplomatas brasileiros consideram que a reunião ministerial serviu como “gesto de boa-fé” e deverá ser replicada em novos grupos de trabalho. Entre as frentes previstas estão:
- Comércio e investimentos;
- Transporte aéreo e facilitação de vistos de negócios;
- Cooperação em cadeias de semicondutores.
Rubio e Vieira comprometeram-se a manter contato constante para monitorar resultados e preparar uma agenda de curto prazo. O Itamaraty informou que reuniões técnicas poderão ocorrer já nas próximas semanas por videoconferência, sem necessidade de deslocamentos.
Detalhes do encontro
• Local: Departamento de Estado, Washington.
• Duração total: 65 minutos.
• Participantes centrais: Marco Rubio, Jamieson Greer, Mauro Vieira.
• Assuntos tratados: comércio bilateral, definição de roteiros de trabalho, planejamento de cúpula presidencial.
• Ponto fora da pauta: nenhuma discussão sobre sanções aplicadas a membros do STF ou justificativas políticas para tarifas.
Ao fim da reunião, não houve entrevista coletiva. O governo norte-americano limitou-se a divulgar a nota oficial; o Brasil reproduziu o texto sem adições. Dessa forma, segue incerto se haverá flexibilização imediata das tarifas impostas em julho.

Imagem: Internet
Próximos passos
O documento oficial prevê “discussões em várias frentes no futuro imediato”. Na prática, isso implica criar grupos técnicos com representantes de ministérios brasileiros da Fazenda, Desenvolvimento e Agricultura, além de agências norte-americanas de comércio e tesouro. As datas serão anunciadas após troca de correspondências diplomáticas.
Para analistas de comércio, a reunião sinaliza disposição de Washington de reavaliar medidas restritivas, desde que o Brasil apresente garantias de abertura de mercado e alinhamento regulatório. Já para Brasília, o reengajamento busca proteger exportações-chave, preservar empregos no campo e favorecer o equilíbrio da balança comercial.
Interlocutores próximos à Casa Branca afirmam que a eventual audiência entre Trump e Lula dependerá do progresso nas negociações técnicas. Se confirmada, a cúpula presidencial poderá ocorrer durante uma reunião do G20 ou em visita oficial a Washington.
Enquanto o calendário diplomático avança, empresários aguardam sinais objetivos. Entidades comerciais brasileiras esperam que a fase de “conversas muito positivas” se traduza em redução de tarifas antes da próxima safra agrícola.
Nos bastidores, parlamentares republicanos elogiaram a retomada do diálogo e defenderam que qualquer concessão seja acompanhada de compromissos do governo Lula em áreas como propriedade intelectual e compras governamentais.
Resumo – O encontro Vieira–Rubio encerrou a paralisação das tratativas bilaterais iniciada em julho, traçou diretrizes para avançar em comércio e abriu caminho para um futuro encontro Trump-Lula. A nota conjunta, divulgada pelos dois governos, indica que grupos técnicos serão criados em curto prazo para detalhar medidas de facilitação de negócios.
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