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Câmara libera R$3 bilhões fora do teto para impulsionar indústria de defesa

Econômia

A Câmara dos Deputados aprovou, na noite de 3 de novembro, o Projeto de Lei Complementar 204/2025, que autoriza a União a afastar até R$ 3 bilhões da meta fiscal e do limite de despesas em 2025, desde que os recursos sejam destinados a projetos estratégicos de defesa nacional. O texto, originário do Senado e relatado pelo deputado General Pazuello (PL-RJ), segue agora para sanção presidencial.

Regras excepcionais até 2030

Pelo texto aprovado, o valor retirado do limite de gastos em 2025 será descontado do montante que também poderá ser excluído em 2026. Para o exercício de 2026, o governo estará autorizado a deixar fora do teto o menor entre R$ 5 bilhões ou a parcela do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) destinada ao Ministério da Defesa. Qualquer quantia usada no próximo ano deverá subtrair os R$ 3 bilhões aplicados em 2025.

O mecanismo especial valerá de 2026 a 2030. Todas as despesas retiradas do teto serão classificadas como investimentos de capital, e os restos a pagar resultantes não entrarão no cálculo do resultado primário, conforme a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Com isso, o Executivo ganha previsibilidade para planejar contratos de longo prazo ligados a pesquisa, desenvolvimento e aquisição de equipamentos militares.

Efeito esperado na Base Industrial de Defesa

Ao defender o parecer, o relator destacou que a Base Industrial de Defesa (BID) responde por 4,78 % do Produto Interno Bruto, reúne 1.140 empresas e gera cerca de 3,2 milhões de empregos diretos e indiretos. Ainda segundo Pazuello, cada real investido no setor movimenta dez reais na economia nacional, argumento que pesou para convencer o plenário.

Os projetos beneficiados poderão contar com recursos de fundos públicos vinculados ao Ministério da Defesa. A expectativa é incentivar modernização de aeronaves, sistemas de comunicação, blindados, munições inteligentes e plataformas navais, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros e fortalecendo a soberania tecnológica do país.

Votos favoráveis e críticas em plenário

Parlamentares de diferentes siglas repercutiram a proposta. O deputado Hildo Rocha (MDB-MA) considerou a medida um passo consistente para equipar as Forças Armadas e impulsionar a indústria nacional, com reflexos positivos no emprego.

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O líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), classificou a aprovação como vitória, mas lamentou a rejeição de sua emenda que destinava até 10 % dos valores para o enfrentamento ao crime organizado. Já a deputada Adriana Ventura (Novo-SP) chamou o dispositivo de “contabilidade criativa” e afirmou que ele enfraquece o arcabouço fiscal recém-aprovado.

Apesar das divergências, a proposta avançou com apoio expressivo, refletindo entendimento de que investimentos em defesa têm caráter estratégico e asseguram capacidade de dissuasão em cenário internacional instável.

Próximos passos

Com a votação concluída na Câmara, o projeto segue para a mesa do presidente da República. Se sancionado, o governo deverá detalhar, já na elaboração do Orçamento de 2025, quais programas absorverão os primeiros R$ 3 bilhões liberados. O acompanhamento ficará a cargo das comissões de Orçamento no Congresso, que deverão verificar a execução e o enquadramento de cada despesa nas regras estabelecidas.

Para leitores que desejam acompanhar outras decisões no Legislativo, o conteúdo sobre as recentes sessões do Congresso em Política traz atualizações diárias.

Em resumo, a Câmara deu sinal verde para um espaço fiscal de R$ 3 bilhões em 2025, com potencial de chegar a R$ 5 bilhões nos anos seguintes, destinado exclusivamente à defesa. A iniciativa reforça a indústria nacional, preserva empregos de alta qualificação e amplia a autonomia tecnológica do Brasil. Fique atento às próximas etapas e acompanhe os desdobramentos no nosso portal.

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