Brasília — A condução dos trabalhos na Câmara dos Deputados voltou ao centro do debate após o episódio em que parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro bloquearam o acesso do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), à Mesa Diretora. O ato ocorreu na noite de quarta-feira (6) e provocou reação imediata de líderes de partidos de centro, que agora cobram sanções formais contra os envolvidos.
Escolta improvisada garante chegada de Motta à Mesa
Segundo relatos de deputados presentes, Motta precisou do apoio direto de quatro líderes partidários para atravessar o grupo de oposicionistas que ocupava o espaço da Mesa. Doutor Luizinho (PP-RJ), Isnaldo Bulhões (MDB-AL), Elmar Nascimento (União Brasil-BA) e Mario Heringer (PDT-MG) abriram caminho e, já no púlpito, seguraram a cadeira para que o presidente assumisse o posto.
Durante a ação, o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) manteve-se sentado na cadeira da presidência. Já Zé Trovão (PL-SP) tentou impedir a subida de Motta pelas escadas que levam à Mesa. Testemunhas afirmam que o presidente precisou solicitar “respeito” para prosseguir. Apesar do clima tenso, não houve confronto físico, e a sessão foi retomada minutos depois.
Centro pede punição e teme efeito cascata
Líderes de partidos de centro avaliam que a ausência de resposta institucional ao episódio pode fragilizar a autoridade de Motta e abrir precedente para novas manobras semelhantes, inclusive por legendas de esquerda. O grupo defende a aplicação de suspensão de até seis meses aos deputados que, na avaliação deles, “obstruíram deliberadamente” a movimentação do presidente da Câmara.
Entre as medidas em discussão está o envio do caso ao Conselho de Ética, que poderia analisar a cassação do mandato dos envolvidos. A proposta encontra apoio de parte expressiva do chamado “Centrão”, bloco responsável pela maioria das votações no plenário.
Outra ala, porém, considera que punições severas podem acirrar ânimos e gerar novo foco de instabilidade. Esses parlamentares lembram que o regimento prevê etapas preliminares, como advertência ou censura escrita, antes de penalidades mais duras.


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Aliados cobram reação de Motta
Deputados próximos ao presidente afirmam que Motta não pode “recuar” sob pena de reforçar a impressão de fragilidade. Eles argumentam que manifestações de obstrução, quando toleradas, tendem a transformar-se em instrumento de pressão constante sobre a Mesa Diretora.
No mesmo sentido, há quem defenda mudanças procedimentais para impedir ocupação da Mesa por parlamentares sem autorização. Hoje, o regimento determina que somente membros indicados da Diretoria podem permanecer no local, mas a regra costuma ser flexibilizada em grandes votações.
Impacto sobre a base governista e a oposição
O episódio ocorre em meio a negociações delicadas sobre projetos econômicos e propostas de emenda constitucional. Interlocutores do Palácio do Planalto veem na turbulência uma oportunidade para aproximar siglas de centro, interessadas em garantir previsibilidade nas sessões.

Já oposicionistas ligados a Bolsonaro argumentam que a presença na Mesa foi uma forma legítima de protesto contra o que classificam como “pauta imposta” pela presidência. Eles reiteram que não houve violência e que Motta conseguiu abrir a sessão normalmente.
Mesmo assim, a perspectiva de sanções preocupa a bancada de oposição. Avalia-se que um eventual processo no Conselho de Ética poderia comprometer votos importantes em comissões e no plenário, especialmente em matérias que exigem quórum qualificado.
Próximos passos na Câmara
Até o momento, não há prazo definido para a apresentação de representações formais contra Van Hattem, Zé Trovão ou outros deputados que permaneceram na Mesa. A expectativa é de que o tema seja levado à reunião de líderes prevista para a próxima semana.
Caberá a Hugo Motta encaminhar qualquer pedido de investigação ao Conselho de Ética. Caso o processo seja instaurado, os parlamentares poderão apresentar defesa, indicar testemunhas e recorrer em última instância ao Plenário.
Em paralelo, técnicos legislativos analisam a possibilidade de reforçar protocolos de segurança interna, aumentando a presença de servidores credenciados próximos à Mesa Diretora em momentos de votação sensível.
O desfecho deve influenciar futuras estratégias de oposição e governo, definindo se atos de bloqueio físico voltarão a fazer parte do repertório político dentro da Câmara ou se serão contidos por medidas disciplinares mais rígidas.


