Há seis meses no comando da Igreja Católica, o papa Leão XIV já definiu um estilo pessoal que mescla discrição pública e firmeza doutrinária. Mesmo assim, um núcleo significativo de fiéis norte-americanos alinhados ao ex-presidente Donald Trump considera o pontífice demasiado simpático a temas caros à esquerda, como migração irrestrita e ambientalismo militante. O grupo, rotulado na imprensa internacional como “católicos MAGA”, reclama que o papa não endossa políticas de fronteira rígida, condena a pena de morte com o mesmo rigor aplicado ao aborto e repete a ênfase ecológica inaugurada por Francisco. Essa combinação basta para que críticos o definam como “comunista” ou “woke”.
Pontificado discreto e centrado na Doutrina Social
No Vaticano, observadores destacam o comportamento reservado de Leão XIV. Ele prefere textos preparados ao improviso, evita pronunciamentos ruidosos e demonstra preocupação explícita com a unidade interna da Igreja. Fontes próximas confirmam que o papa valoriza a defesa da vida e da família, mas, ao mesmo tempo, conecta esses pilares a questões sociais. Foi nessa lógica que ele escolheu o nome Leão – homenagem ao pontífice que, em 1891, lançou a encíclica Rerum Novarum, marco da Doutrina Social da Igreja.
Até agora, porém, não houve viagem internacional do papa – uma lacuna que deve ser preenchida nas próximas semanas com visitas à Turquia e ao Líbano. Fora isso, o pontificado já ofereceu documentos importantes, como a exortação apostólica Dilexi te, na qual Leão XIV alerta para “excessos de um livre-mercado desregulado”, defende a dignidade do trabalhador e repete a condenação católica histórica ao socialismo.
Resistência entre fiéis alinhados a Trump
Apesar do claro perfil doutrinal conservador, parte da base católica republicana recebe o novo bispo de Roma com desconfiança. A revista The Economist ouviu nomes ligados ao podcast War Room, de Steve Bannon, para quem o papa seria “mais perigoso” que Francisco por agir “com sutileza”. A crítica principal mira três pontos:
- postura contrária à separação de famílias de imigrantes ilegais detidas na fronteira;
- continuidade da agenda ambiental inaugurada pela encíclica Laudato Si’;
- equiparação moral, em discursos recentes, entre aborto, pena de morte e tratamentos desumanos a estrangeiros.
Para os católicos MAGA, esses posicionamentos colidem com o programa “America First”, cujo centro é a soberania das fronteiras e a rejeição de acordos climáticos que limitem a atividade econômica. Quando a plataforma republicana de 2024 abandonou a defesa nacional de uma proibição total ao aborto, boa parte desse grupo permaneceu em silêncio, evidenciando a prioridade dada à fidelidade política sobre a coerência doutrinária.
Doutrina Social não cabe em rótulos partidários
Documentos oficiais da Igreja repetem há décadas que tanto o socialismo quanto um capitalismo sem freios ferem a dignidade humana. O Compêndio da Doutrina Social, no parágrafo 335, afirma que a liberdade econômica deve ter “centro ético e religioso”. Ao mesmo tempo, o princípio da subsidiariedade limita o intervencionismo estatal, equilibrando-o com a solidariedade, o bem comum e a destinação universal dos bens. Leão XIV segue essa linha: reconhece o direito de cada país a ordenar sua política migratória, mas recorda obrigações mínimas de respeito à pessoa, como acesso à assistência religiosa e devida proteção jurídica.


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Ao insistir nessa tradição, o papa não adota plataforma partidária. Ele declara servir a Cristo, não a governos ou ideologias. Por isso, quando fiéis avaliam a ortodoxia do pontífice com base em slogans políticos – seja “Make America Great Again”, seja “Green New Deal” – correm o risco de confundir missão religiosa com disputa eleitoral.
A cobertura de parte da mídia reforça a colisão. Em reportagem recente, a CNN citou pesquisadores da Universidade Georgetown, um dos redutos do progressismo católico nos Estados Unidos, sem sinalizar o viés da fonte. O texto apresentou como certezas absolutos de Leão XIV interesses que ainda são objeto de leitura: sinodalidade, migração e meio ambiente. O papa, contudo, apenas cumpriu compromissos agendados ainda sob Francisco, a exemplo do encontro com movimentos sociais e da celebração dos dez anos de Laudato Si’.

Imagem: Fabio Frustaci
Enquanto isso, internamente, o pontífice autorizou celebração da missa tridentina na Basílica de São Pedro – gesto visto como abertura aos tradicionalistas. Para críticos, seria “iscagem”; para apoiadores, sinal de que Leão XIV busca integrar diversos carismas na Igreja. Fato é que não houve ruptura doutrinária.
Nas próximas viagens e documentos, ficará mais claro se o papa conseguirá manter a difícil equação: defender sem concessões os princípios morais – vida, família, liberdade religiosa – e, simultaneamente, cobrar responsabilidade social dos Estados. Até lá, as acusações de “papa comunista” ou “agenda woke” parecem mais reflexo da polarização política norte-americana que de dados objetivos.
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Em resumo, Leão XIV mantém compromisso claro com valores inegociáveis da tradição católica, mas não renuncia a alertar contra injustiças sociais. O desconforto de setores pró-Trump confirma o desafio de equilibrar ortodoxia moral, caridade prática e pluralismo político. Acompanhe nossos próximos artigos e receba atualizações direto no seu dispositivo.
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