Seis das principais centrais sindicais do Brasil divulgaram, nesta sexta-feira (17), uma nota conjunta em que condenam a ação militar autorizada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a Venezuela. O documento foi assinado pela Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Intersindical.
Entidades acusam Washington de “escalada imperialista”
No texto, as centrais afirmam que a operação norte-americana representa “uma perigosa escalada imperialista” e estaria voltada à “recolonização” da América Latina. Para os sindicalistas, o combate ao narcotráfico alegado pela Casa Branca seria apenas um pretexto. Elas sustentam que o objetivo real de Washington seria restabelecer o poder de “elites venezuelanas ligadas aos EUA” e reverter as políticas implementadas em mais de duas décadas de Revolução Bolivariana.
As entidades também comparam a iniciativa de Trump às intervenções realizadas pelos Estados Unidos durante a Guerra Fria. Segundo o texto, o envio de bombardeiros B-52, o posicionamento de oito navios de guerra na costa venezuelana e a autorização para operações encobertas da CIA configurariam violações ao direito internacional. “Longe de promover a democracia, o cerco militar à Venezuela representa uma ameaça intervencionista de consequências imprevisíveis”, diz a nota.
Trump mira tráfico internacional e cita lanchas carregadas de drogas
A ação norte-americana foi anunciada na quarta-feira (15) em coletiva na Casa Branca. Ao lado de integrantes de seu gabinete, Donald Trump afirmou que pretende sufocar rotas de narcotráfico que, segundo ele, partem de território controlado pelo ditador Nicolás Maduro. O republicano chegou a mencionar o possível uso de tropas em terra, já que, de acordo com o Pentágono, o litoral venezuelano está sob monitoramento naval.
“Você perde três pessoas e salva 25 mil”, disse Trump ao justificar ataques a embarcações suspeitas. De acordo com o presidente, cada lancha interceptada transportaria drogas suficientes para causar milhares de mortes por overdose nos Estados Unidos. O governo norte-americano sustenta ainda que o regime venezuelano teria liberado detentos para enviá-los clandestinamente ao território americano – acusação rechaçada por Caracas.
Centrais pedem reação de governos latino-americanos
No comunicado, as seis centrais apelam a movimentos sociais e “governos da região” – com ênfase no Brasil – para que atuem politicamente contra a ofensiva de Washington. Elas defendem “a soberania, o diálogo e a autodeterminação dos povos”, além de rechaçar qualquer possibilidade de intervenção. O texto encerra com a frase “não à guerra, não à intervenção, sim à paz e à integração latino-americana”.


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Assinam o documento Antonio Neto (CSB), Sérgio Nobre (CUT), Miguel Torres (Força Sindical), Ricardo Patah (UGT), Adilson Araújo (CTB) e Nilza Pereira de Almeida (Intersindical). Embora todas as entidades tenham posições historicamente alinhadas a governos de esquerda, a manifestação surpreende pelo tom unificado em defesa de um regime já denunciado por violações de direitos humanos por diversos organismos internacionais.

Imagem: Jim Lo Scalzo
Contexto regional e repercussão política
A iniciativa de Trump ocorre em um momento de tensão crescente entre Caracas e Washington. Desde 2019, os Estados Unidos impõem sanções ao governo Maduro e reconhecem o oposicionista Juan Guaidó como presidente legítimo. A escalada militar agora adiciona uma nova camada de pressão sobre o Palácio de Miraflores. Enquanto isso, parte da esquerda latino-americana, incluindo ex-presidentes como Luiz Inácio Lula da Silva, já se manifestou condenando qualquer intervenção externa.
Até o momento, o Itamaraty não comentou a nota das centrais. Nos bastidores, porém, auxiliares do governo brasileiro observam a movimentação sindical como um gesto de solidariedade política a um aliado ideológico, mais do que uma avaliação objetiva do cenário de segurança na região.
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Em síntese, as centrais sindicais brasileiras decidiram blindar o regime de Nicolás Maduro e acusar os Estados Unidos de imperialismo, enquanto a Casa Branca mantém seu foco declarado no combate ao tráfico internacional de drogas. Continue acompanhando nosso portal para saber como essa disputa repercute no Brasil e no continente.
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