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CEO da Ubisoft reage a campanha Stop Killing Games e descarta suporte eterno aos títulos

Tecnologia

A discussão sobre a preservação de jogos digitais ganhou um novo capítulo após o CEO da Ubisoft, Yves Guillemot, afirmar que “nada é eterno” em relação ao suporte oferecido aos títulos da empresa. A declaração foi feita durante uma reunião com acionistas e surgiu como resposta direta à campanha Stop Killing Games, movimento europeu que pede leis para garantir o acesso contínuo a games antigos, mesmo depois da interrupção oficial dos servidores.

Campanha pressiona União Europeia por direitos de acesso

Conduzida pelo youtuber Ross Scott, a Stop Killing Games ganhou visibilidade no início de 2024, logo após a Ubisoft desligar os servidores de The Crew. A medida tornou o jogo, lançado em 2014, completamente inacessível para quem o adquiriu. Em reação, consumidores abriram processos alegando perda de acesso a um produto já pago.

A campanha defende que, ao comprar um jogo, o consumidor deveria ter o direito de utilizá-lo indefinidamente, independentemente da continuidade do suporte oficial. O movimento já reúne mais de 1,4 milhão de assinaturas e recebeu apoio público de Nicolae Ștefănuță, vice-presidente do Parlamento Europeu, que endossa a ideia de que o título passa a pertencer ao comprador após a venda.

Ubisoft enfatiza modelo de licença limitada

Na reunião de acionistas relatada pelo site Game File, Guillemot reconheceu o esforço da Ubisoft para manter serviços ativos pelo maior tempo possível, mas reforçou que esse período tem limites. Segundo o executivo, o setor de jogos opera como serviço, o que inclui eventuais desligamentos de servidores por motivos técnicos ou financeiros.

Em linha com esse entendimento, a Ubisoft atualizou recentemente seu Contrato de Licença de Usuário Final (EULA). O texto revisto estabelece que, caso o suporte a um jogo seja encerrado, o comprador deve destruir qualquer cópia ainda instalada. A mudança busca minimizar responsabilidades legais e evitar novos litígios semelhantes aos abertos após a desativação de The Crew.

Indústria avalia futuro dos jogos como serviço

O impasse não se restringe à Ubisoft. Editores de todos os portes enfrentam custos contínuos para manter servidores, atualizar softwares de segurança e garantir compatibilidade com sistemas operacionais modernos. Em fevereiro, a Microsoft sinalizou que a próxima geração do Xbox priorizará integração com a nuvem, modelo que também depende da disponibilidade de servidores e, portanto, pode ter vida útil limitada.

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Críticos observam que essa abordagem transforma o jogo em um serviço temporário, em vez de um produto permanente. Ex-funcionários da Microsoft já manifestaram preocupação sobre a dependência excessiva de conexão constante e sobre a possibilidade de usuários perderem acesso a bibliotecas adquiridas digitalmente.

Próximos passos e debate regulatório

A mobilização popular e o apoio de parlamentares europeus adicionam pressão para que a Comissão Europeia avalie regras sobre preservação de software e direitos do consumidor no ambiente digital. Por enquanto, não há legislação específica que determine prazo mínimo de suporte ou obrigue empresas a manter servidores ativos após o fim da comercialização de um título.

Enquanto novas normas não são definidas, a Ubisoft destaca que continuará “fazendo o possível para garantir a melhor experiência” dentro dos limites operacionais. A empresa não detalhou soluções alternativas, como servidores comunitários ou patches offline, mas reiterou que cada caso será avaliado individualmente.

A controvérsia sinaliza uma redefinição no conceito de propriedade digital. Jogadores, desenvolvedores e reguladores passam a discutir com mais intensidade até que ponto a compra de um jogo significa posse efetiva ou apenas acesso temporário, questão que deverá moldar modelos de negócio e políticas de consumo nos próximos anos.

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