Brasília, 14 out. 2025 – O acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas, firmado na semana passada como primeira etapa do plano de paz apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, interrompeu dois anos de confrontos na Faixa de Gaza. Paradoxalmente, o entendimento que deveria ser motivo de celebração foi recebido com constrangido silêncio – seguido de protestos – pelos mesmos grupos que, desde 2023, acusavam Israel de genocídio e clamavam por trégua “imediata”.
Cessar-fogo recebe aval amplo e garante ajuda humanitária
O pacto contou com o respaldo de nações ocidentais como França, Reino Unido, Canadá e Austrália, além de países islâmicos que tradicionalmente apoiam a causa palestina – Catar, Turquia e Egito. O texto prevê a libertação de todos os reféns israelenses, vivos ou mortos, em troca de prisioneiros palestinos, e o restabelecimento de corredores de ajuda humanitária.
A Agência das Nações Unidas para Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) informou, após a assinatura, que há estoques de mantimentos suficientes em Gaza para ao menos três meses, contradizendo as denúncias de fome generalizada que pautaram manifestações recentes.
Em Israel e em bairros civis de Gaza, o anúncio foi recebido com manifestações de alívio. Famílias de reféns comemoraram a possibilidade de reencontros, enquanto motoristas celebravam pelas ruas de Tel Aviv e Khan Yunis. A trégua, entretanto, depende do desarmamento progressivo do Hamas – ponto que enfrenta resistência do grupo.
Ativismo pró-palestino reage com frustração e novos protestos
Nas horas que sucederam a divulgação do acordo pela Casa Branca, lideranças de coletivos pró-Palestina mantiveram silêncio público. O clima de desalento rapidamente cedeu lugar a atos contra o próprio cessar-fogo. No sábado, milhares marcharam em Londres entoando “Palestina livre do rio ao mar”, exigindo embargo de armas a Israel e chamando o plano de Trump de “farsa”.
Manifestações similares ocorreram no domingo em Montreal, Canadá, e, na segunda-feira, em Sydney e Melbourne, Austrália. Faixas e discursos rejeitaram qualquer proposta que envolva desarmar o Hamas ou reconhecer o direito de autodefesa israelense. O ponto mais crítico das reivindicações permanece a extinção completa do Estado judeu – objetivo reiterado pelo slogan que virou marca dos protestos.


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No Brasil, não houve passeatas pós-acordo, porém, um dia antes da assinatura – 8 de outubro – estudantes e militantes reuniram-se em São Paulo para lembrar o ataque terrorista de 2023. O ato, realizado na sede da Apeoesp, chamou de “bandidos” os quatro brasileiros assassinados naquela ocasião, sinalizando disposição para contestar qualquer entendimento costurado pelos Estados Unidos.
Hamas mantém armas e intensifica controle interno
Mesmo sob trégua, relatórios de inteligência apontam que o Hamas reforçou postos de controle em áreas não ocupadas por tropas israelenses. Militantes patrulham ruas, prendem dissidentes e confrontam clãs locais que contestam sua autoridade. Agências internacionais indicam que dezenas de “colaboradores” foram detidos e aguardam execução.
O grupo também demonstra desprezo pelos símbolos do massacre de 2023. Em Khan Yunis, um restaurante recém-inaugurado recebeu o nome “Café Nova”, alusão direta ao festival de música que foi palco da chacina de civis israelenses. A escolha do nome tem sido vista como afronta deliberada às vítimas e aos esforços de reconciliação.

Imagem: Internet
Acerto expõe contradições de militância ocidental
Durante dois anos, organizações pró-Palestina denunciaram suposto genocídio, exigiram cessar-fogo e criticaram a interrupção de ajuda humanitária. Com o acordo em vigor, as mesmas vozes rejeitam a iniciativa, argumentando que a proposta “não vai à raiz do conflito” – e ignorando a suspensão imediata das hostilidades.
Analistas observam que a antipatia por Trump pesa mais que a preocupação humanitária declarada. O presidente republicano é retratado como principal inimigo do movimento, e qualquer plano associado a seu governo tende a ser rechaçado, independentemente de aliviar o sofrimento de civis palestinos.
Diante das contradições, a narrativa que antes mirava o resgate de crianças em Gaza agora foca em deslegitimar Israel, reduzir sua capacidade de defesa e impulsionar campanhas de boicote. A mudança de foco reforça a percepção de que o objetivo primário não é a proteção dos palestinos, mas o isolamento diplomático do Estado judeu.
Para quem acompanha os desdobramentos no Oriente Médio, a sequência de fatos evidencia um paradoxo: quando a paz se torna palpável, parte da militância que se diz pacifista prefere manter as hostilidades em curso. Se o cessar-fogo resistirá às pressões internas do Hamas e às manifestações externas, os próximos meses dirão.
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Em resumo, o cessar-fogo mediado por Donald Trump interrompeu as armas em Gaza, salvou vidas e abriu canais de ajuda. Ainda assim, setores que se proclamam defensores dos civis palestinos protestam contra a iniciativa, revelando contradições que ganham força sobretudo quando a proposta de paz parte de um líder conservador. Continue acompanhando nossos conteúdos e compartilhe este artigo para ampliar o debate.
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