Quem pretende tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) poderá ficar livre das aulas obrigatórias em autoescolas caso avance no Congresso a proposta apresentada pelo Ministério dos Transportes e autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida está em consulta pública até 2 de novembro e prevê manter apenas as provas teórica e prática, eliminando a carga horária mínima de 20 horas-aula.
Redução de custos e regularização de motoristas
O principal argumento do governo é o impacto no bolso do cidadão. Hoje, segundo estimativas oficiais, obter a CNH custa em torno de R$ 3,2 mil. Sem a exigência das aulas, o valor poderia cair até 80 %, chegando a cerca de R$ 640, dependendo das taxas estaduais. A pasta chefiada por Renan Filho afirma que a mudança moderniza o modelo, amplia a liberdade de escolha para o candidato e derruba barreiras burocráticas que impedem milhões de brasileiros de regularizar sua situação.
Dados do próprio ministério apontam que aproximadamente 20 milhões de pessoas dirigem sem habilitação no País. O governo espera que o corte de despesas estimule esse público a passar pelos exames oficiais e, finalmente, obter o documento. Para o Executivo, manter as provas obrigatórias é suficiente para comprovar a capacidade do motorista, enquanto a forma de preparação ficaria a critério do interessado — seja estudo autodidata, instrutor particular ou curso livre.
Reação do setor de autoescolas
Entidades ligadas à formação de condutores se posicionaram contra a proposta. A Federação Nacional das Autoescolas do Brasil (Feneauto) declarou que o fim das aulas obrigatórias representaria “um retrocesso” e poderia comprometer a segurança viária. Segundo a federação, mais de 170 mil empregos diretos estariam em risco, assim como 15 mil centros de formação.
Para o setor, confiar apenas no exame final não garante que o candidato adquira todos os conhecimentos necessários para enfrentar o trânsito brasileiro, classificado como um dos mais violentos do mundo. A Feneauto argumenta ainda que eliminar um currículo padronizado abre “lacuna crítica” no processo de ensino, permitindo que a aprendizagem seja tratada como algo informal e sem fiscalização.
Mesmo diante da resistência, o Ministério dos Transportes defende que o edital de consulta pública deixa margem para ajustes. Caso o Congresso aprove a iniciativa, o órgão poderá editar normas complementares para definir critérios de avaliação mais rígidos ou exigir horas mínimas de prática apenas para categorias específicas, como veículos pesados.


Camiseta Camisa Bolsonaro Presidente 2026 Pátria Brasil 6 X 10,00 S/JUROS


IMPERDÍVEL! Jair Bolsonaro: O fenômeno ignorado: Eles não entenderam nada




Próximos passos no Congresso
Encerrada a consulta pública em novembro, o governo reunirá as sugestões recebidas e enviará um Projeto de Lei ao Congresso Nacional. Pelas regras internas, o texto precisará ser analisado primeiro pelas comissões temáticas da Câmara, incluindo Viação e Transportes, Constituição e Justiça e Finanças. Depois, segue para o plenário e, se aprovado, vai ao Senado.
Parlamentares favoráveis à flexibilização afirmam que a iniciativa atende à demanda de eleitores por menor intervenção estatal na vida privada e por redução de custos. Já opositores citam possíveis impactos negativos na segurança do trânsito e no mercado de trabalho das autoescolas. A votação pode ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026, ano eleitoral, o que pode ampliar o debate público sobre o tema.
Consulta pública aberta
A participação popular ocorre por meio da plataforma digital do Ministério dos Transportes. Qualquer cidadão pode enviar sugestões ou críticas até 2 de novembro. A pasta destaca que todas as contribuições serão analisadas e terão resposta formal no relatório final. Caso a proposta seja alterada, um novo texto poderá ser submetido a uma segunda rodada de consultas.

Imagem: Macello Casal Jr.
No documento disponível, o governo ressalta que não pretende abolir requisitos de aptidão física, psicotécnica ou a necessidade de aprovação nas provas aplicadas pelos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans). O objetivo, segundo a equipe técnica, é apenas dar liberdade ao candidato sobre como se preparar.
Embora não haja prazo fechado para votação, a expectativa é que o assunto ganhe prioridade em razão do potencial de atingir grande parcela da população. Se aprovada tal como está, a mudança valerá para todas as categorias de habilitação, inclusive motocicletas.
Para acompanhar outras iniciativas que tramitam em Brasília, acesse a seção de Política do nosso portal.
Em resumo, a proposta de CNH sem autoescola busca tornar o processo mais acessível, reduzir custos e regularizar milhões de motoristas, mas enfrenta resistência do setor de formação de condutores. A consulta pública segue aberta, e o resultado poderá redefinir a forma como brasileiros conquistam o direito de dirigir. Participe do debate e fique atento às próximas etapas.
Para informações oficiais e atualizadas sobre política brasileira, consulte também:
CTA: Continue acompanhando nossas atualizações e saiba primeiro quando o Congresso avançar no debate sobre a CNH sem autoescola. Assine as notificações e compartilhe esta matéria com quem planeja tirar a habilitação.

