Brasília, 16 de outubro de 2025 – Uma coluna publicada em O Globo pelo jornalista Fernando Gabeira trouxe à tona o caso de Alexandra Aparecida da Silva, 45 anos, apontada como exemplo de possível abuso judicial relacionado aos episódios de 8 de janeiro de 2023. O texto reacendeu o debate sobre o alcance das medidas adotadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após os atos em Brasília, classificados pelo governo como tentativa de golpe, mas contestados por setores que consideram o enquadramento jurídico desproporcional.
Quem é Alexandra e por que seu nome ganhou destaque
Alexandra, trabalhadora sem filiação partidária nem histórico de liderança política, foi presa preventivamente por suposta participação nas invasões às sedes dos Três Poderes. Segundo a coluna, ela não portava armas, não comandava grupos e se encontrava em Brasília como manifestante. A defesa sustenta que não há provas que a vinculem a depredações ou articulações golpistas, argumento reforçado por Gabeira ao narrar as condições pessoais da ré, mãe e responsável por sustento familiar.
O caso converteu-se em símbolo para críticos que denunciam um “tribunal de exceção” no país. Para esses observadores, a prisão de pessoas sem antecedentes violentos reflete a extensão de um estado de exceção disfarçado de defesa da democracia. A narrativa contrasta com a posição oficial, que enquadra os atos como tentativa organizada de subverter o resultado eleitoral de 2022.
Outros réus e a contagem de vozes silenciadas
Além de Alexandra, centenas de investigados aguardam julgamento sob acusações de golpe de Estado, incitação ao crime e dano ao patrimônio público. Entre eles está Filipe Martins, ex-assessor presidencial detido por suposta fuga para o exterior, fato contestado pela defesa ao afirmar que a viagem não ocorreu. Esses processos alimentam a pergunta lançada pela Gazeta do Povo: “quantas vozes o Supremo calou?”. O jornal questiona se o volume de prisões preventivas e medidas cautelares viola garantias constitucionais, como a presunção de inocência.
De acordo com informações públicas do STF, mais de 1,3 mil denúncias foram recebidas no âmbito dos inquéritos sobre o 8 de janeiro, resultando em centenas de prisões. A Corte argumenta que os atos representaram risco concreto à ordem democrática e que a gravidade justifica a adoção de medidas rigorosas. Organizações de direitos humanos, contudo, pedem revisão caso a caso para evitar punição coletiva.
O debate sobre “golpe civil” e estado de exceção
Setores críticos ao governo classificam o episódio de janeiro como “rebelião desorganizada” sem liderança militar, armas ou comando centralizado. Para eles, a alcunha de golpe legitima uma reação institucional que teria ultrapassado limites constitucionais, gerando o que chamam de “golpe civil inverso” – quando, sob o pretexto de proteger a democracia, instalam-se práticas excepcionais.


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Já o Executivo e a Procuradoria-Geral da República mantêm a versão de que houve tentativa de subverter o resultado eleitoral por meio de invasão violenta aos prédios públicos, depredação e disseminação de desinformação. A partir desse diagnóstico, pediram ao STF a prisão de envolvidos e a imposição de restrições, como bloqueio de redes sociais e apreensão de passaportes.
Reação da sociedade e consequências políticas
A exposição de histórias individuais, como a de Alexandra, pressiona parlamentares a fiscalizar a atuação do Judiciário. Na Câmara, integrantes da oposição prometem abrir Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para examinar supostos excessos processuais. Governistas, por sua vez, defendem o STF e afirmam que a Corte age para evitar nova escalada antidemocrática.
Analistas ligados a entidades civis observam que o clima de polarização dificulta consenso sobre limites entre punição legítima e abuso de poder. Enquanto isso, familiares de réus reclamam de lentidão nos julgamentos e de restrições impostas sem condenação definitiva. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou que acompanha os processos e avalia denúncias de violações procedimentais.

Imagem: Marcelo Camargo
Próximos passos nos tribunais
O STF mantém calendário de audiências para ouvir réus do 8 de janeiro. No segundo semestre de 2025, está prevista a análise de recursos que questionam a validade das prisões preventivas prolongadas. Advogados de defesa afirmam que pretendem levar os casos à Corte Interamericana de Direitos Humanos se considerarem esgotadas as vias internas.
Para Alexandra, a expectativa é de que o tribunal julgue, nas próximas semanas, pedido de revogação de prisão com base na ausência de provas materiais. Caso obtenha liberdade, seu caso poderá influenciar decisões sobre demais acusados em circunstâncias semelhantes.
O desfecho desses processos definirá o alcance do precedente criado após 8 de janeiro e testará o equilíbrio entre segurança institucional e direitos individuais no país.
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Em resumo, a repercussão do caso Alexandra recoloca em pauta a discussão sobre a linha tênue entre defesa da ordem democrática e exagero punitivo. Acompanhe nossos próximos artigos e fique informado sobre cada etapa judicial.
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