A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão, em regime inicialmente fechado, por suposta liderança de organização criminosa relacionada aos atos de 8 de janeiro. O placar foi fechado na noite de quinta-feira (11) com os votos das ministras Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, que acompanharam o relator Alexandre de Moraes. O cumprimento da pena só terá início após o esgotamento de todos os recursos cabíveis.
Votos no STF sustentam pena inédita
No voto vencedor, Alexandre de Moraes indicou Bolsonaro como “mentor” de uma estratégia para corroer a confiança pública nas instituições. A tese foi reforçada por Cármen Lúcia, que recitou versos e apontou “produção cabal de provas” apresentada pela Procuradoria-Geral da República. Cristiano Zanin, presidente do colegiado, concluiu que os discursos do então chefe do Executivo alimentaram uma cadeia de eventos com potencial golpista.
A definição do regime fechado foi proposta por Moraes sem detalhamento de critérios de dosimetria. Segundo o relator, a progressão para o semiaberto poderá ocorrer após quatro anos, desde que cumpridos os requisitos legais. O local de início de pena ainda será definido pela Justiça Federal do Distrito Federal.
Críticas destacam ausência de fundamentação jurídica
Especialistas ouvidos logo após a sessão apontaram falhas na motivação. O ex-juiz de Direito Adriano Soares da Costa afirmou que “o que se pune é a liberdade de expressão de um presidente da República”. Para ele, o voto de Zanin deixou de dialogar com ressalvas apresentadas pelo ministro Luiz Fux em manifestação na véspera.
Professor da Fundação Getulio Vargas, Daniel Vargas classificou o estilo de Cármen Lúcia como “sentimentalismo jurídico” e observou falta de análise técnica aprofundada. Já o escritor Francisco Escorsim, que acompanhou o julgamento, ironizou a condução da sessão: “foi um circo, um picadeiro”, referindo-se às interrupções de Moraes durante a leitura do voto de Lúcia.
Reação política: anistia ganha força
No Congresso, a decisão reforçou movimentos por anistia. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (AL), declarou que nada está descartado, incluindo obstrução de pauta ou apresentação de proposta de perdão. Aliados consideram que a condenação abre nova fase de embate institucional.


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Analistas apontam possíveis efeitos econômicos. Para Adriano Soares, a pena “pode reduzir a disposição de investidores”, gerando incerteza sobre a estabilidade do ambiente jurídico. O receio é de que insegurança afaste fluxos de capital em setores estratégicos.
Próximos passos na Justiça
A defesa de Bolsonaro, representada pelos advogados Celso Vilardi e Paulo Cunha Bueno, já estuda recursos. Entre as opções estão embargos de declaração para aclarar pontos obscuros do acórdão e, em seguida, recurso extraordinário ao Plenário do STF. Somente após o trânsito em julgado haverá execução da pena.

Imagem: Gustavo Moreno
Também são aguardados desdobramentos no Tribunal Superior Eleitoral, onde o ex-presidente já acumula condenações por abuso de poder político. A nova decisão pode reforçar fundamentos para manutenção de inelegibilidade até 2030.
Contexto e repercussão
O julgamento de 11 de setembro integra a série de ações penais abertas pelo STF após os eventos de 8 de janeiro de 2023. Outras sete pessoas foram condenadas no mesmo processo, com penas entre 15 e 24 anos. A Turma descartou a possibilidade de separar os réus por grau de participação, mantendo o entendimento de autoria coletiva.
Entidades de juristas reclamaram de excesso punitivo e de supressão de instâncias inferiores. Já organizações alinhadas ao governo federal afirmaram que a decisão “pacifica ameaças à democracia”. O ambiente permanece polarizado, com manifestações programadas para os próximos dias em Brasília e São Paulo.
Para acompanhar os desdobramentos legislativos sobre anistia e eventuais iniciativas de oposição, o leitor pode acessar a seção de política em geraldenoticias.com.br/category/politica.
Em síntese, a pena de 27 anos imposta a Jair Bolsonaro desloca o debate público para o campo jurídico e político. O desfecho dependerá dos recursos no STF e da articulação no Congresso, onde a hipótese de anistia já mobiliza aliados. Siga nossas atualizações e informe-se sobre os próximos lances desse processo que continua a impactar o cenário nacional.
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