Dois episódios recentes, narrados pelo escritor Orlando Tosetto e pelo jornalista Paulo Polzonoff Jr., ilustram como cidadãos comuns continuam a colocar a solidariedade acima das divisões ideológicas. Em um hospital de Curitiba e em uma pizzaria da mesma cidade, pessoas de posições políticas opostas decidiram cuidar umas das outras, provando que o convívio cordial persiste apesar do clima de polarização que domina o debate público.
Hospital vira palco de cooperação entre direita e esquerda
Em sua newsletter “Silly Talks”, divulgada em 24 de outubro de 2025, Orlando Tosetto descreveu a rotina de acompanhar a internação da esposa em um hospital particular. Segundo o cronista, a paciente instalada ao lado de sua mulher acabara de retirar o útero e passar por procedimento de raspagem. Jovem, com cerca de 30 anos, a visitante declarou-se simpatizante de pautas de esquerda, enquanto a esposa de Tosetto sempre se apresentou como conservadora.
O diálogo político foi prontamente evitado. Ainda assim, durante o período de observação clínica, as duas pacientes trocaram água, compartilharam diagnósticos, dividiram orientações médicas e, sobretudo, ofereceram apoio mútuo. Ao receber alta, despediram-se em meio a abraços e lágrimas, firmando amizade que ignorou rótulos partidários.
Tosetto concluiu o relato com a frase “ainda há seres humanos por aí”, ressaltando que, em situações limites, o cuidado pessoal sobrepõe-se a qualquer militância. O episódio contradiz a imagem de confronto permanente reforçada por redes sociais e noticiários, lembrando que o cotidiano brasileiro continua marcado por cooperação espontânea.
Veterano montanhista comprova força do exemplo pessoal
O mesmo sentimento foi testificado por Paulo Polzonoff Jr. em uma pizzaria local, ao conhecer o engenheiro Henrique Paulo Schmidlin, popularmente chamado de “Vitamina”. Aos 95 anos, Schmidlin tornou-se referência entre praticantes de montanhismo por demarcar trilhas nos principais picos da Serra do Mar, no Paraná. O convidado chegou ao encontro munido de um pequeno pote de pimentas malaguetas, tempero ao qual atribui sua longevidade e disposição para continuar subindo morros com frequência.
No jantar, Vitamina relatou façanhas que incluem jornadas noturnas, abertura de rotas pouco exploradas e assistência a grupos de escoteiros. O veterano mencionou ter acompanhado as mudanças climáticas na região ao longo de sete décadas e frisou a importância de manter vivas as histórias da geração que iniciou o montanhismo organizado no estado.


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O jornalista observou que raramente tais relatos recebem atenção do público, mais interessado em disputas ideológicas do que em exemplos práticos de perseverança. Ainda assim, ao redor da mesa, amigos e convidados mostraram entusiasmo com cada detalhe narrado pelo nonagenário, reforçando a tese de que experiências concretas continuam cativando ouvintes, desde que lhes seja oferecida oportunidade de escuta.
Convivência cotidiana contradiz cenário de hostilidade
Ambos os relatos convergem para um mesmo ponto: fora do ambiente virtual, a maior parte dos brasileiros segue disposta a cooperar, mesmo quando posições políticas divergem. A cena do hospital evidenciou que duas mulheres com visões de mundo opostas podem trocar cuidados médicos sem converter a enfermaria em arena ideológica. Já o encontro com Vitamina expôs a carência de atenção dada a pioneiros locais que, ao conservarem hábitos saudáveis e espírito aventureiro, servem de inspiração para gerações mais jovens.
Esses exemplos ganham relevância num período em que conflitos são amplificados por algoritmos e discursos radicais. Embora debates públicos costumem destacar embates entre esquerda e direita, episódios cotidianos apontam que valores de solidariedade e respeito ainda balizam grande parte das interações sociais no país.

Imagem: Ettore Fabris
Importância de valorizar histórias fora do embate partidário
Ao destacar a amizade forjada dentro de um hospital e o legado de um montanhista quase centenário, Tosetto e Polzonoff trazem à tona a necessidade de registrar e divulgar histórias que fujam ao ciclo de notícias centrado em disputas políticas. Reconhecer trajetórias pessoais, segundo os autores, ajuda a recuperar o senso de comunidade e diminui a influência de narrativas que apresentam o Brasil como permanentemente fraturado.
Para leitores conservadores, adeptos de uma visão crítica sobre a polarização alimentada pela mídia tradicional, os dois episódios oferecem prova concreta de que a sociedade civil continua a transformar boas intenções em ações práticas. O cuidado a pacientes em ambiente hospitalar, sem questionar “em quem você votou”, e o entusiasmo em ouvir um senhor de 95 anos descrevendo trilhas abertas na Serra do Mar demonstram que a convivência plural permanece viável.
Em síntese, tanto a história no leito hospitalar quanto a conversa no restaurante reforçam que a solidariedade cotidiana supera barreiras ideológicas e merece ser reconhecida. Valorizar esses exemplos pode inspirar mais brasileiros a colocar a empatia acima do debate partidário e a reservar espaço para narrativas que construam, em vez de dividir.
Se você acompanha a pauta política e quer entender como a convivência civilizada pode influenciar o debate público, confira também nossa cobertura em Política.
Esses dois relatos comprovam que a sociedade brasileira mantém viva a disposição para a ajuda mútua, mesmo em tempos de forte polarização. Compartilhe este artigo e incentive mais pessoas a priorizar o respeito e a cooperação no dia a dia.
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