A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2025, a COP 30, começou em Belém sob intensa atenção internacional – não só pelas discussões ambientais, mas pela série de problemas operacionais que já marcam o encontro. Participantes relatam preços elevados, falhas básicas de infraestrutura e decisões controversas do governo federal, o que coloca o Brasil diante de um potencial constrangimento global.
Preços elevados e estrutura insuficiente
No primeiro dia do evento, jornalistas e delegados se depararam com preços considerados abusivos nas áreas de alimentação. Uma combinação simples de coxinha e refrigerante custa R$ 70, enquanto um salgado de camarão chega a R$ 29. Um lanche que mal pode ser chamado de refeição completa atinge R$ 99, valor que surpreendeu visitantes estrangeiros e brasileiros.
Além dos custos, faltou água nos banheiros destinados à imprensa logo no início das atividades oficiais. O contratempo provocou filas e reclamações que circularam rapidamente nas redes sociais, acompanhadas de vídeos gravados por correspondentes internacionais.
Hotéis cheios, diárias nas alturas e escassez de veículos
A hospedagem em Belém tornou-se outro ponto crítico. Relatos indicam diárias de hotéis acima do padrão de grandes capitais, enquanto proprietários de imóveis anunciados em plataformas de aluguel por temporada pedem valores equivalentes ao preço de venda de casas inteiras. Delegações estrangeiras também enfrentam pouca oferta de carros para locação; algumas embaixadas decidiram transportar seus próprios veículos de Brasília até a capital paraense em caminhões-cegonha.
O quadro é agravado pela malha viária limitada, que dificulta o deslocamento entre os centros de conferências, hotéis e pontos turísticos. Observadores alertam que o fluxo intenso de autoridades e representantes de mais de 190 países pode provocar congestionamentos e atrasos em compromissos oficiais.
Presidência opta por iate privado e impõe sigilo
Enquanto os participantes lidam com estruturas improvisadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou o apoio logístico da Marinha e escolheu o iate privado “Iana III” para sua estadia em Belém. O governo alega que a embarcação militar oferecida não apresentava condições adequadas de conforto. Entretanto, os custos relativos à contratação do iate permanecem sob sigilo imposto pelo Executivo.


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A decisão motivou reação da bancada do partido Novo na Câmara dos Deputados, que protocolou projeto de lei para impedir a decretação de sigilo em gastos dessa natureza sem comprovação de risco à segurança nacional. Parlamentares argumentam que a transparência é essencial, sobretudo em um evento financiado com recursos públicos e acompanhado por jornalistas de todo o mundo.
Impacto na imagem do país
O Governo Federal pretendia utilizar a COP 30 como vitrine das políticas ambientais brasileiras e reforçar o papel de liderança do país na pauta climática. Todavia, a combinação de preços elevados, infraestrutura deficiente e falta de transparência ameaça transformar o encontro em referência negativa de gestão pública. Analistas destacam que o noticiário internacional pode enfraquecer a mensagem diplomática que o Planalto esperava transmitir.
Para a população local, as falhas expõem problemas históricos de desenvolvimento. Belém, marcada por índices de renda inferiores à média nacional, recebe investimentos emergenciais para abrigar chefes de Estado, mas ainda enfrenta carências em saneamento, transporte e segurança – fatores citados por entidades civis como prioridades permanentes, não apenas durante eventos de grande porte.

Imagem: Ricardo Stuckert
Próximos passos e monitoramento
A Organização das Nações Unidas acompanha as queixas registradas e solicitou relatórios detalhados sobre preços e logística. Governos estrangeiros avaliam medidas para proteger delegações, enquanto empresas de turismo recalculam pacotes que incluem a participação em painéis e visitas às comunidades ribeirinhas.
A agenda oficial prevê debates sobre metas de neutralidade de carbono, financiamento climático e preservação da Amazônia. No entanto, diplomatas temem que a exposição dos problemas de infraestrutura ofusque as negociações técnicas e reduza o foco em compromissos ambientais concretos.
O Ministério do Meio Ambiente afirmou que ajustes estão em andamento para resolver falhas de abastecimento e que já houve reuniões com representantes do setor hoteleiro para coibir preços considerados abusivos. Até o momento, porém, não foi divulgado um cronograma de ações nem estimativas de redução de custos para os participantes.
À medida que a conferência avança, a expectativa é de que o debate sobre transparência e eficiência pública ganhe espaço paralelo aos temas climáticos. Se o governo conseguir reverter parte dos problemas relatados, os danos à imagem podem ser contidos; caso contrário, o Brasil corre o risco de transformar a COP 30 em símbolo de desperdício e falta de planejamento.
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Nesta COP 30, o Brasil enfrenta o desafio de equilibrar ambições ambientais com a responsabilidade de oferecer estrutura adequada aos visitantes. A continuidade das falhas pode comprometer negociações críticas e sacrificar capital diplomático conquistado em anos de articulação internacional. Siga nossa cobertura e fique informado sobre os desdobramentos.
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