Belém, Pará — Um coquetel planejado pela primeira-dama Rosângela Silva, a Janja, para receber chefes de Estado durante a Cúpula de Belém, etapa preparatória da COP30, acabou restrito a ministros, dirigentes de estatais e aliados políticos. Nenhum líder estrangeiro compareceu, apesar de o evento constar na agenda oficial como “Coquetel oferecido pelo Presidente da República e pela senhora Janja Lula da Silva aos Chefes de Delegação”.
Cenário cuidadosamente montado
O salão foi decorado com luzes azuis e violetas que buscavam criar atmosfera formal. Telões instalados nos quatro cantos exibiam imagens de ribeirinhos, paisagens amazônicas e manifestações culturais paraenses, enquanto o som ambiente reforçava a identidade regional com lambada. O renomado chef Saulo Jennings assinou o cardápio, focado em pratos típicos da culinária amazônica. Entre as opções, destacaram-se três variedades de peixe regional, com ênfase no filhote, além de uma ilha de drinks com oito tipos de coquetéis preparados na hora.
Segundo a reportagem da Band, a lista de convidados incluía nomes de peso do próprio governo. A ex-presidente Dilma Rousseff, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, participaram de conversas reservadas. Também marcaram presença os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Marcos Antônio Amaro (Gabinete de Segurança Institucional).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama permaneceram cerca de 30 minutos no local. Nesse intervalo, Janja chegou a dançar alguns passos de lambada. Após breve circulação entre as mesas, o casal deixou o ambiente.
Ausência de chefes de Estado gera constrangimento
Embora o protocolo previsse a presença de líderes estrangeiros, nenhum chefe de Estado compareceu. De acordo com o jornalista Túlio Amancio, os mandatários alegaram cansaço após a extensa agenda de compromissos. Ainda assim, a ausência foi notada e criou desconforto entre assessores, que esperavam aproveitar a ocasião para fortalecer relações diplomáticas nas horas finais do encontro.
Durante o evento, Lula foi abordado pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom. O etíope manteve longa conversa com o presidente, a ponto de dificultar a saída de Lula do salão. Outro participante de destaque foi o secretário-geral da ONU, António Guterres, que circulou à vontade e conversou em português com membros da delegação brasileira.


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Apesar da baixa adesão de chefes de Estado, o clima permaneceu solene. O encontro celebrou o anúncio de US$ 5 bilhões direcionados ao Fundo das Florestas Tropicais para Sempre, principal resultado da reunião internacional realizada na capital paraense.
Repercussão política
A ausência de líderes estrangeiros levanta questionamentos sobre a coordenação do Itamaraty e sobre a efetividade da agenda de soft power conduzida pelo Palácio do Planalto. A expectativa do governo era encerrar o dia com demonstração de prestígio internacional, mas o vazio na recepção terminou por concentrar os holofotes em figuras domésticas do Partido dos Trabalhadores.
Assessores justificaram que os presidentes e primeiros-ministros haviam participado de encontros bilaterais e painéis até o início da noite, optando por descanso. Contudo, a recusa coletiva a comparecer evidencia certo desalinhamento logístico, especialmente em um momento em que o Brasil busca demonstrar capacidade de liderança global na pauta ambiental.

Imagem: Internet
Nos bastidores, integrantes da comitiva apontaram falhas de comunicação e logística para acomodar o cronograma dos chefes de delegação. Mesmo com decoração sofisticada e menu regional firmado, a iniciativa não alcançou o objetivo político mais amplo.
Detalhes do investimento anunciado
O Fundo das Florestas Tropicais para Sempre foi desenhado para reunir recursos de governos, setor privado e filantropia. Os US$ 5 bilhões anunciados concentram-se em conservação, monitoramento e pesquisa, com foco na Amazônia Legal e em biomas tropicais de países parceiros. Durante o coquetel, discursos breves reforçaram o compromisso de destinar parte das verbas a projetos de comunidades ribeirinhas e iniciativas de bioeconomia.
Na avaliação dos organizadores, a assinatura de compromissos financeiros fortalece a credibilidade da COP30, marcada para novembro de 2025 em Belém. No entanto, a recepção esvaziada pode servir de alerta para a equipe de protocolo na preparação de futuras agendas sociais vinculadas a eventos multilaterais.
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Este artigo mostrou como um evento pensado para estreitar laços diplomáticos terminou sem a presença esperada de chefes de Estado. Continue acompanhando nossas publicações e receba atualizações em tempo real sobre a organização da COP30 e outros temas de governo.
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