Os Correios encaminharam ao Tribunal de Contas da União (TCU) um plano de recuperação financeira que combina um empréstimo de R$ 20 bilhões com um Programa de Demissões Voluntárias (PDV) mirado em, no mínimo, 10 mil empregados. O documento foi apresentado nesta sexta-feira (14) e tem como objetivo cobrir o déficit operacional acumulado pela estatal desde 2015.
Prejuízo crescente pressiona estatal
No primeiro semestre de 2025, a empresa registrou prejuízo de R$ 4,37 bilhões. A receita total alcançou R$ 8,9 bilhões, montante 9,5% inferior ao verificado em igual período de 2024. O segmento de encomendas internacionais encolheu 61,3%, resultado atribuído pela diretoria a “mudanças regulatórias recentes”.
Emmanoel Rondon, presidente dos Correios, reconheceu que o retorno ao lucro só é esperado para 2027. A projeção foi levada ao TCU e reforça a necessidade, segundo a direção, de medidas drásticas para recompor o caixa.
A pressão financeira se intensifica porque, em 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retirou a estatal do Programa Nacional de Desestatização. A decisão mantém a empresa sob controle direto do governo federal e, portanto, dependente de recursos públicos caso não consiga reverter a sequência de resultados negativos.
Pontos centrais do plano de recuperação
Além do PDV e do empréstimo bilionário, o pacote de ajustes lista:
- Venda de imóveis considerados ociosos;
- Renegociação de contratos com fornecedores para reduzir custos;
- Captação de recursos externos voltada ao “Programa de Modernização e Transformação Ecológica”.
Para viabilizar financiamento internacional, uma comitiva da estatal viajou a Xangai em abril. O grupo buscou apoio junto ao Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), instituição dos BRICS, para parte dos investimentos pretendidos.


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No encontro de 5 de novembro entre dirigentes dos Correios e técnicos do TCU, o pedido de empréstimo de R$ 20 bilhões foi classificado pelo tribunal como “de alto risco”. O órgão de controle criou uma força-tarefa para acompanhar não apenas a situação da empresa, mas também de outras nove estatais com performance financeira preocupante.
Reações no Congresso e possível CPI
Parlamentares de oposição criticaram o plano de endividamento. O deputado federal Alberto Neto (PL-MT) protocolou representação no TCU apontando possível violação à Lei de Responsabilidade Fiscal. O congressista sustenta que o empréstimo projeta impacto direto sobre as contas públicas e exige aval legislativo mais rigoroso.
Líderes de bancadas conservadoras articulam a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para avaliar a gestão da estatal. A ideia ganhou força após divulgação do pedido de empréstimo e pode avançar nas próximas semanas, a depender do apoio formal de 171 deputados.

Imagem: Marcelo Camargo
PDV mira 10 mil desligamentos
O Programa de Demissões Voluntárias deverá ser lançado ainda neste semestre, segundo fontes internas. A meta inicial é reduzir o quadro em 10 mil trabalhadores, número equivalente a cerca de 15% do efetivo atual. O detalhamento das condições de adesão, como indenizações e manutenção de benefícios, será negociado com sindicatos.
Nos cálculos da diretoria, o PDV deve gerar economia anual significativa na folha de pagamento, considerada um dos maiores custos fixos da empresa. Embora não haja estimativa oficial divulgada, analistas consultados pela equipe econômica do governo citam potencial de redução de despesa na casa das centenas de milhões de reais.
Próximos passos
O TCU analisará a viabilidade do plano e pode impor ajustes antes de liberar o empréstimo. Caso o tribunal rejeite a proposta, a estatal terá de buscar alternativas, como antecipação de receitas ou cortes adicionais em investimentos.
Enquanto isso, o mercado acompanha os desdobramentos com atenção. O desempenho dos Correios impacta diretamente setores como comércio eletrônico, logística e importação de pequenos volumes, áreas que dependem do serviço postal em todo o território nacional.
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Em resumo, o plano dos Correios une demissões voluntárias, venda de ativos e endividamento elevado para tentar conter um rombo que já ultrapassa R$ 4 bilhões apenas em 2025. O TCU terá palavra decisiva sobre o financiamento de R$ 20 bilhões, enquanto o Congresso discute a instalação de CPI. Siga nossas próximas publicações, compartilhe esta matéria e deixe seu comentário sobre as medidas propostas.
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