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CPI do Crime Organizado expõe falta de estratégia de governos, diz senador

Política

Brasília – O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) declarou que a ausência de coordenação entre União e estados no enfrentamento às facções demonstra que as autoridades “não têm a menor ideia do que fazer” contra o crime organizado. A avaliação foi feita após a megaoperação no Rio de Janeiro, que resultou em 113 prisões ligadas ao Comando Vermelho e 119 mortos.

Comissão deve cobrar respostas já existentes no Congresso

Autor do requerimento que cria a Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado, Vieira informou que a CPI será instalada na próxima terça-feira (3), em acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O colegiado pretende investigar falhas de gestão, sobreposição de projetos e a falta de diretrizes nacionais de segurança.

Segundo o parlamentar, o Congresso reúne propostas consolidadas para endurecer a legislação, mas o Executivo insiste em apresentar novas iniciativas apenas para assumir o protagonismo do debate. “Há uma série de projetos de deputados e senadores prontos para votação. Falta liderança e articulação para integrá-los num plano único”, afirmou em entrevista à GloboNews.

A CPI planeja ouvir governadores, secretários e técnicos de estados que registram indicadores positivos na redução da criminalidade, além de especialistas estrangeiros. “Vamos buscar exemplos de sucesso e consolidar um roteiro com reforço orçamentário, integração de informações e operações conjuntas. Para isso não é necessária nenhuma Proposta de Emenda à Constituição”, frisou.

Críticas à PEC da Segurança e disputas de protagonismo

O senador criticou a PEC da Segurança Pública, bandeira do governo Lula. Para Vieira, a proposta representa uma solução de “gabinete” desconectada da realidade, usada como argumento político diante da opinião pública. O texto está parado na Câmara desde abril e enfrenta resistência de governadores contrários a interferências federais sobre atribuições estaduais.

Vieira sustenta que a Polícia Federal já possui competência para agir contra facções transnacionais, como o Comando Vermelho, sem depender de mudanças constitucionais. “Transformar o tema em agenda eleitoral atrasa medidas que poderiam estar em vigor”, ressaltou.

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A disputa ficou evidente após a operação fluminense. O governador Cláudio Castro (PL-RJ) afirmou que o estado conduziu a ação sem apoio federal, enquanto Brasília rebateu. Mais tarde, a própria Polícia Federal confirmou ter sido informada, mas decidiu não participar. Para o senador, a divergência comprova a desarticulação entre esferas de governo.

Projetos antifacção já existem no Legislativo

O Palácio do Planalto anunciou que enviará um projeto antifacção ao Congresso. Vieira lembra que iniciativas semelhantes tramitam nas duas Casas – algumas já aprovadas em uma delas. “Falta liderança para unificar esforços. Quem perde é o cidadão, refém da violência”, concluiu.

Durante os trabalhos, a CPI pretende mapear todas as propostas sobre segurança pública em curso e recomendar a votação prioritária das que oferecem resultados práticos, como endurecimento de penas, rastreamento de dinheiro ilícito e cooperação interestadual obrigatória.

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Em síntese, Alessandro Vieira acusa União e estados de improviso e disputa política ao lidarem com facções criminosas. A CPI do Crime Organizado buscará integrar projetos já existentes e exigir coordenação efetiva entre as forças de segurança. Continue acompanhando nossas atualizações e participe: compartilhe este conteúdo e deixe sua opinião nas redes sociais.

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