Empresário ouvido sob escolta contesta acusações
O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”, foi levado nesta semana ao Senado para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga irregularidades na Previdência Social. Detido preventivamente desde 12 de setembro, Antunes chegou escoltado pela Polícia Federal e amparado por decisão do Supremo Tribunal Federal que lhe garantiu o direito ao silêncio. Mesmo assim, ele optou por responder aos parlamentares, exceto ao relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).
Logo no início da sessão, Gaspar recordou declarações anteriores em que chamara o depoente de “ladrão dos aposentados”. O empresário revidou dizendo que o relator adota postura “tendenciosa” e, por esse motivo, se manteria calado diante de suas perguntas. A troca de acusações provocou intervenção do advogado de defesa, Kleber Lopes, que qualificou a abordagem como desrespeitosa e ameaçou retirar o cliente da oitiva caso o tom fosse mantido.
Instantes depois, o deputado Zé Trovão (PL-SC) se levantou, dirigiu-se ao advogado e exigiu silêncio, sendo contido por agentes da Polícia Legislativa. Diante do clima tenso, a presidência suspendeu os trabalhos por cinco minutos. Com a retomada da audiência, o vice-presidente da CPI, deputado Duarte Júnior (PSB-MA), tentou acalmar os ânimos, permitindo que as perguntas prosseguissem.
Acusações de fraude e denúncias de ameaça
Antunes é apontado pela Polícia Federal como um dos principais articuladores de um esquema de desvio de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social. Segundo os investigadores, ele teria ampliado patrimônio no exterior, adquirido imóvel nos Estados Unidos e pretendia deixar o país. No plenário, o empresário rejeitou todas as acusações: “Sou empreendedor, não possuo vínculos com governos nem participei de fraudes”, declarou.
O relator apresentou ainda um boletim de ocorrência registrado em 2 de setembro no 23º Distrito Policial de Perdizes, em São Paulo. Um ex-funcionário de Antunes alegou ter sido ameaçado de morte após se recusar a entregar celulares, notebooks e um iPad que conteriam dados sensíveis. O episódio serviu de base para o pedido de prisão preventiva acolhido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.


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A defesa rebate e classifica o ex-colaborador de “chantagista”. Antunes afirmou que o ex-funcionário “espalhou mentiras” e tenta extorqui-lo. O empresário acrescentou ter disponibilizado endereços e documentos à Polícia Federal desde o início das investigações.
Quebra de sigilo e pedido de prisão de advogado
Mesmo sem respostas completas do depoente, a CPI aprovou novos requerimentos de quebra de sigilo bancário. Também encaminhou ao Supremo Tribunal Federal solicitação de prisão preventiva do advogado Nelson Willians, alvo de operação da PF por suspeita de envolvimento no mesmo esquema. O escritório de Willians prestou serviços para o empresário Maurício Camisotti, investigado como beneficiário das fraudes e que nega participação.
A comissão já encaminhou mais de 20 pedidos de prisão desde que foi instalada, mas somente decisões judiciais podem efetivar as detenções. Em nota, a defesa de Willians reiterou disposição para colaborar e declarou acompanhar o processo “com serenidade”.

Imagem: Internet
Debate sobre apadrinhamento político
Durante a reunião, o relator indagou quem teria apresentado Antunes a dirigentes do INSS, exibindo fotografia do empresário ao lado de ex-gestores do órgão. “Qual foi o padrinho político que abriu as portas?”, perguntou Gaspar. Antunes permaneceu em silêncio, reforçando o direito assegurado pelo STF. Parlamentares governistas tentaram amenizar o embate, mas a oposição defendeu firmemente a apuração dos responsáveis por prejuízos bilionários à Previdência.
Impacto para os cofres públicos e próximos passos
Relatórios preliminares da CPI estimam que as fraudes possam ter drenado cifras significativas do caixa do INSS, recurso sustentado por contribuições de trabalhadores e empregadores. Deputados favoráveis a medidas mais duras defendem a recuperação do dinheiro e punição exemplar dos envolvidos, argumentando que idosos e pessoas com deficiência são os principais prejudicados pela sangria nos benefícios.
Nas próximas semanas, a comissão deve ouvir novas testemunhas e analisar documentos obtidos com as quebras de sigilo aprovadas. A expectativa é concluir o relatório final até o fim do ano legislativo, indicando dirigentes públicos, empresários e intermediários que colaboraram para burlar normas previdenciárias.
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Este texto apresentou os principais acontecimentos da sessão da CPI do INSS que ouviu o “Careca do INSS”, destacou os pedidos de novas quebras de sigilo e o clima de tensão entre parlamentares, defesa e investigados. Continue acompanhando nossas atualizações diárias e compartilhe a reportagem.
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