Brasília, 24 out. 2025 – A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) instalada para investigar fraudes em aposentadorias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ouviu nesta quinta-feira o ex-procurador-geral do órgão, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, e a esposa, a médica e empresária Thaisa Hoffmann Jonasson. O casal é suspeito de ter movimentado cerca de R$ 12 milhões provenientes de entidades que cobravam descontos irregulares de segurados.
R$ 28 milhões em imóvel e carros de luxo na mira do colegiado
Documentos sigilosos enviados pela Controladoria-Geral da União (CGU) à CPMI apontam que Oliveira Filho reservou, em novembro de 2023, um apartamento no edifício Senna Tower, em Balneário Camboriú (SC), avaliado em R$ 28 milhões. A construtora cancelou a operação em julho de 2024, temendo bloqueio judicial. Ainda assim, a tentativa levantou dúvidas sobre a origem dos recursos.
A lista de bens inclui a aquisição de um Porsche Cayenne híbrido por R$ 789 mil, a reserva de um Audi A5 de R$ 380 mil e a compra, em 2025, de uma Mercedes-Benz GLB 35 AMG orçada em R$ 508,5 mil. Todas as transações constam em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que baseiam a Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal.
Como funcionava o esquema segundo as investigações
De acordo com a Polícia Federal, o ex-procurador teria autorizado o desbloqueio em massa de benefícios previdenciários, contrariando pareceres técnicos, para que associações voltassem a descontar mensalidades dos contracheques de aposentados e pensionistas. Em troca, empresas ligadas a essas entidades teriam repassado R$ 11,9 milhões a contas administradas por Oliveira Filho e por companhias em nome de Thaisa.
Cerca de R$ 7,5 milhões teriam saído de firmas associadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”, apontado como lobista do esquema. O dinheiro circulou por três empresas controladas pela médica: Curitiba Consultoria, THJ Consultoria e Centro Médico Vita Care.
Depoimento protegido por habeas corpus
Amparados por decisão do Supremo Tribunal Federal, os depoentes puderam permanecer calados. Thaisa utilizou o direito em quase todas as perguntas, limitando-se a afirmar que os valores recebidos decorrem de “consultorias, pesquisas e pareceres médicos” e que jamais participou de ato ilícito. Já Virgílio respondeu a parte dos questionamentos, negou enriquecimento ilegal e declarou não ter sido indiciado.


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O relator deputado Alfredo Gaspar (União-AL) cobrou explicações sobre a reserva do apartamento em Santa Catarina: “Como um servidor público consegue firmar compromisso de R$ 28 milhões?”, indagou. Sem resposta, reforçou que o acréscimo patrimonial do ex-procurador seria de R$ 18 milhões nos últimos anos.
Parlamentares destacam inversão de valores no INSS
Durante a sessão, o senador Rogério Marinho (PL-RN) lembrou que as empresas do casal foram constituídas logo após as eleições de 2022 e receberam “de 15 a 20 milhões de reais” num intervalo de pouco mais de 18 meses. O deputado Kim Kataguiri (União-SP) classificou a atuação de Virgílio como “inversão completa de valores”, pois o ex-procurador era responsável por proteger beneficiários e, segundo a investigação, acabou facilitando o desvio.
Pelo lado governista, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) definiu o casal como “núcleo do esquema”, citando vínculos diretos entre suas empresas e grupos que enriqueceram com firmas de fachada. Apesar do tom crítico, todos os parlamentares aguardam a conclusão das quebras de sigilo bancário e fiscal para definir eventuais pedidos de indiciamento.

Imagem: TV Senado
Perfil dos investigados
Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho entrou na Advocacia-Geral da União em 2016. Assumiu a Procuradoria-Geral do INSS em 2022, no fim do governo Bolsonaro, e foi afastado em abril de 2024 após a deflagração da operação policial. Em seu depoimento afirmou ter passado por cargos técnicos em quatro governos e insistiu que “sempre atuou em defesa da Constituição”.
Thaisa Hoffmann Jonasson é médica endocrinologista, mestre em medicina interna e ex-professora universitária. No início da oitiva disse ser vítima de acusações “sem compromisso com a verdade” e declarou que apresentará toda a documentação solicitada.
Próximos passos da CPMI
Esta foi a primeira sessão exclusivamente dedicada a depoimentos. A comissão espera cruzar as informações prestadas com dados bancários para rastrear o fluxo de dinheiro entre associações, empresas de fachada e contas pessoais do casal. A Polícia Federal e a CGU também analisam movimentações atípicas para confirmar a participação de outros servidores.
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Em síntese, a CPMI concentrou-se no aumento patrimonial de R$ 12 milhões, na reserva de um imóvel de R$ 28 milhões e na compra de veículos de alto padrão. A comissão seguirá rastreando documentos para esclarecer se recursos de aposentados bancaram o patrimônio do casal. Fique atento às próximas atualizações e compartilhe esta notícia com quem acompanha os rumos da Previdência.
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