Paris, 12 set. 2025 — A França registrou a quarta queda de um primeiro-ministro desde 2017. O centrista François Bayrou entregou o cargo após perder voto de confiança na Assembleia Nacional, movimento que aprofunda a crise institucional e fiscal do governo Emmanuel Macron.
Voto de desconfiança confirma desgaste político
Bayrou, nomeado por Macron para tentar estabilizar a relação entre o Executivo e um Parlamento fragmentado, não resistiu às pressões de partidos de esquerda e de extrema-esquerda, que responsabilizam o governo pelos cortes anunciados em programas sociais. A moção de desconfiança reuniu 291 votos favoráveis, ultrapassando o mínimo necessário de 289. O resultado força o presidente a escolher o quinto chefe de governo em oito anos, sinalizando instabilidade inédita na Quinta República.
Segundo líderes parlamentares, a rejeição a Bayrou cresceu nas últimas semanas com o avanço de propostas para congelar contratações no setor público e rever subsídios considerados “não essenciais”. A oposição classificou as medidas como “austeridade severa”, enquanto o Palácio do Eliseu argumenta que os ajustes são indispensáveis para conter o déficit.
Contas públicas sob pressão histórica
A situação fiscal francesa está no cerne da crise. A dívida ultrapassa 114% do Produto Interno Bruto (PIB) e o déficit projetado para 2025 alcança 5,8%. Mesmo com carga tributária em torno de 45% do PIB — uma das mais altas do mundo — a arrecadação não cobre todas as despesas. O Tesouro depende de sucessivas emissões de títulos para sustentar o modelo de bem-estar, ampliado ao longo das últimas décadas.
Economistas apontam que, mantido o ritmo atual de gastos, a capacidade de endividamento se esgota dentro de poucos anos. Agências de classificação de risco já sinalizam possível rebaixamento da nota francesa, o que elevaria custos de financiamento e poderia desencadear fuga de capitais. A comparação com a crise grega de 2009 volta ao debate, embora Paris ainda conte com uma base industrial mais robusta.
Estado de bem-estar enfrenta limites
Programas de saúde universal, educação gratuita e vastos benefícios assistenciais sustentaram por décadas o pacto social francês. Contudo, o envelhecimento da população, a desaceleração econômica e a entrada de imigrantes sem qualificação suficiente para o mercado de trabalho pressionam o orçamento. Dados oficiais indicam que o gasto social respondeu por 31% do PIB em 2024, patamar superior à média da União Europeia.


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Analistas observam que parte da classe política evita cortes profundos por receio de desgaste eleitoral. A dificuldade de reduzir despesas afeta inclusive subsídios empresariais e privilégios concedidos a grupos de interesse. Com a saída de Bayrou, Macron precisará conciliar promessas de responsabilidade fiscal com demandas de partidos que defendem mais intervenção estatal, aumentando o risco de impasse.
Próximos passos de Macron
O presidente tem dez dias para indicar novo primeiro-ministro. Bastidores apontam nomes alinhados ao movimento Renascimento, mas nenhum contabiliza apoio confortável na Assembleia. Caso o próximo gabinete também enfrente rejeição, cresce a possibilidade de Macron dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas, recurso previsto na Constituição.
Enquanto a indefinição persiste, sindicatos preparam novas mobilizações contra o congelamento de contratações e a revisão das aposentadorias. Já o mercado financeiro acompanha o rendimento dos títulos franceses, que subiu 0,4 ponto percentual após o anúncio da demissão de Bayrou.

Imagem: Tom Nichols
Para parlamentares conservadores, os acontecimentos reforçam a necessidade de enxugar o Estado e flexibilizar a economia. Eles argumentam que somente crescimento sustentado permitirá retomar a trajetória de queda da dívida. Setores à esquerda rejeitam a tese e defendem ampliação de impostos sobre grandes fortunas para manter benefícios sociais.
Em meio ao debate, o Banco Central Europeu indica que não pretende iniciar novo programa de socorro específico para a França. A instituição lembra que as regras do bloco exigem responsabilidade fiscal doméstica antes de qualquer assistência extraordinária.
O desfecho da crise francesa será acompanhado de perto por outras nações de alta carga tributária e dívida crescente. A forma como Paris ajustará suas contas pode servir de alerta — ou de inspiração — para governos que também enfrentam escolhas difíceis sobre o tamanho do Estado e a sustentabilidade de políticas sociais.
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Em síntese, a queda de François Bayrou expõe a pressão crescente sobre o modelo francês de bem-estar e coloca Emmanuel Macron diante de um teste decisivo: equilibrar as finanças públicas sem detonar nova convulsão social. Continue acompanhando nossas atualizações e receba alertas em tempo real sobre os próximos passos do governo francês.
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