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Crise do metanol derruba destilados e eleva demanda por cerveja e vinho em SP

Econômia

A contaminação de bebidas com metanol provocou uma guinada no perfil de consumo alcoólico em bares e restaurantes da capital paulista. Levantamento da empresa de pagamentos Zig, que avaliou 393 mil pedidos realizados por 110 mil clientes em 371 casas, aponta queda drástica nos destilados e avanço significativo da cerveja e dos vinhos.

Destilados recuam 70% após denúncias de contaminação

Entre agosto e setembro, período analisado, o consumo de destilados despencou 70%. O gim apresentou o tombo mais severo, recuando 77%, seguido pela vodca, com redução de 71%. O uísque também perdeu espaço. A mudança reflete a cautela do público diante dos relatos de intoxicação relacionados ao metanol, composto químico tóxico identificado em lotes clandestinos.

A queda nas doses de destilados derrubou o faturamento total dos estabelecimentos em 27%. Horários tradicionalmente fortes, das 22h às 2h, acusaram retração de 28%, enquanto o movimento após as 2h encolheu 35%. O sábado, dia mais lucrativo da semana para o setor, registrou queda de 33%.

Cerveja e vinho ganham espaço e sustentam parte da receita

Com a perda de credibilidade dos destilados, consumidores migraram para bebidas consideradas mais seguras ou de menor risco. A cerveja, que já liderava o mercado, ampliou sua participação de 47% para 68%, um salto de 7 pontos percentuais. Espumantes cresceram 58%, vinhos subiram 36% e as bebidas “prontas para beber” avançaram 29%.

Apesar desse deslocamento, o aumento nas categorias fermentadas não compensou totalmente o rombo deixado pelos destilados. O tíquete médio caiu 13%, recuando de R$ 118, em média, para valores menores. Segundo a Zig, a rapidez da reação do consumidor demonstra que a confiança é determinante para a saúde financeira do setor.

Impacto maior entre mulheres, jovens e casas de grande porte

O estudo revela que mulheres e jovens de 18 a 24 anos, público historicamente mais associado a coquetéis, sentiram maior efeito. A frequência feminina recuou 20%. Entre os jovens, a queda chegou a 25%. Além disso, o número de consumidores únicos encolheu 15%, indicando que parte do público simplesmente deixou de frequentar bares durante a crise.

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Estabelecimentos maiores, localizados em bairros como Itaim, Vila Madalena e Morumbi, foram os mais afetados. Nessas regiões, o consumo de drinks de gim e vodca era expressivo. A retração nesses itens, portanto, implicou perda direta de receita. O levantamento mostra ainda redução de 34% nas vendas de energéticos, revelando a ligação estreita entre esses produtos e os destilados nas baladas paulistanas.

Confiança na cadeia de fornecimento decide ritmo da retomada

Para especialistas do setor, a normalização depende da rápida identificação das origens do metanol e da fiscalização firme contra fornecedores clandestinos. A Zig destaca que o público responde de forma imediata quando percebe risco sanitário, substituindo a bebida ou evitando o consumo. Dessa forma, a transparência nas informações e a eficiência regulatória são cruciais para restaurar a credibilidade dos destilados.

Os dados sugerem que a recuperação dos bares passa pela garantia de qualidade em toda a cadeia. Enquanto essa segurança não for plenamente restabelecida, cerveja, vinho e espumante devem seguir ampliando participação, sustentando o faturamento do setor.

Para acompanhar como a agenda econômica e regulatória influencia o dia a dia dos bares e restaurantes, acesse a seção de Política do Geral de Notícias.

Em síntese, a crise do metanol alterou o comportamento de consumo em São Paulo: destilados perderam espaço, fermentados ganharam terreno e o mercado busca recuperar a confiança do público. Fique atento às próximas atualizações e compartilhe esta análise com quem frequenta a noite paulistana.

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