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Crise no Rio revela como Estado cede espaço a facções, alertam Hobbes e Weber

Política

As comunidades dominadas pelo tráfico no Rio de Janeiro, em 2025, materializam o “estado de natureza” descrito por Thomas Hobbes em 1651. Sem autoridade soberana que assegure ordem e previsibilidade, a vida se torna insegura, regida pela força bruta e pelo medo. A crise de segurança que se intensificou neste ano confirma o colapso do monopólio estatal da violência, abrindo caminho para que facções imponham regras próprias a milhões de moradores.

Contratos sociais rompidos

Hobbes defendia que indivíduos transferem ao Estado o direito de usar a força em troca de proteção. Nas encostas cariocas, esse pacto foi quebrado. A ausência de polícia regular e de serviços públicos consistentes empurra trabalhadores para um cotidiano precário, no qual a lealdade ao grupo armado local é requisito básico de sobrevivência. Violações mínimas a normas impostas pelo crime costumam ser punidas de forma imediata e letal, enquanto “tribunais” clandestinos decidem sobre vida ou morte sem qualquer garantia legal.

Armas longas à vista, extorsões diárias de comerciantes e aliciamento de crianças confirmam a retirada do Estado. Com isso, o morador se vê novamente na realidade em que “o homem é o lobo do homem”, conforme a célebre fórmula hobbesiana.

Weber e o monopólio da força legítima

No início do século XX, Max Weber refinou a tese de Hobbes ao definir o Estado moderno como detentor exclusivo do uso legítimo da força dentro de um território. O sociólogo sublinhou que esse poder se torna legítimo quando respaldado por consenso jurídico e social. Sempre que o governo renuncia a exercer tal prerrogativa — seja por omissão, receio ou cálculos políticos —, forças paralelas ocupam o vácuo, impondo suas próprias leis.

A realidade fluminense confirma esse diagnóstico. Facções preenchem o espaço deixado pelo ente público, oferecendo “proteção” em troca de obediência total. O morador passa a depender do humor do chefe da quadrilha para realizar tarefas simples, como abrir um comércio, circular em vias específicas ou até festejar em datas comemorativas. O resultado é a corrosão do próprio princípio de legitimidade estatal.

Narrativas que alimentam o caos

Enquanto o poder público falha, parte do debate público relativiza o papel do crime organizado e criminaliza o trabalho policial. Quando operações são classificadas como “genocídio” — mesmo com dados indicando que facções matam mais que a polícia —, cria-se uma inversão moral: o uso legítimo da força vira abuso, e o abuso do crime ganha status de resistência. ONGs dedicadas exclusivamente aos “direitos humanos” dos bandidos, acadêmicos engajados e autoridades que defendem o “desarmamento” da polícia contribuem, conscientemente ou não, para fragilizar ainda mais o pacto social.

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Essa retórica, longe de proteger populações vulneráveis, favorece senhores da guerra que escravizam comunidades inteiras. Ao equiparar Estado e crime, mina-se a confiança nas instituições e fortalece-se quem opera fora da lei.

Dever irrenunciável do Estado

Hobbes alertou que a fraqueza do soberano é convite ao caos. Weber acrescentou que sem legitimidade da força não existe Estado moderno. O cenário carioca demonstra que hesitar em retomar territórios é optar pela barbárie. Reconquistar áreas dominadas por facções não significa ignorar eventuais excessos policiais, mas reconhecer que a alternativa à ação estatal é o reinado do mais violento.

Portanto, restaurar a presença policial permanente, acelerar processos judiciais e garantir serviços públicos básicos são medidas urgentes para reconstruir o contrato social. Sem isso, o Rio de Janeiro continuará refém de grupos armados que decidem quem vive, quem morre e como a economia local funciona.

O debate sobre segurança pública precisa sair do terreno das justificativas ideológicas e voltar-se aos fundamentos da civilização: lei, ordem e legítima proteção dos cidadãos. Hobbes e Weber, separados por quase três séculos, convergem na mesma conclusão — sem monopólio estatal da força, a sociedade sucumbe à violência incontida.

Para aprofundar o entendimento sobre as responsabilidades do poder público, confira também a cobertura completa em Política, onde analisamos outras iniciativas de segurança em curso no país.

Em síntese, a crise no Rio é prova de que onde o Estado recua, o crime avança. Conhecer esse diagnóstico é o primeiro passo para exigir medidas eficazes. Compartilhe este conteúdo e participe do debate por soluções que devolvam tranquilidade às famílias brasileiras.

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