Da colônia unificada de Portugal ao Estado moderno, o Brasil acumulou sucessivos conflitos internos, rupturas institucionais e disputas ideológicas que moldaram o cenário político atual. Um percurso repleto de golpes de Estado, levantes armados e intervenções militares pavimentou a trajetória do País, que ainda busca estabilidade sob uma Constituição extensa e centralizadora.
Império, proclamação militar e primeiras ditaduras
A Independência de 1822 emergiu de um movimento monárquico liderado por D. Pedro I, sem participação popular expressiva. O Império consolidou-se com D. Pedro II, cujo reinado foi derrubado em 1889 por um levante de oficiais insatisfeitos com cortes de efetivo e em busca de protagonismo político. A República foi, portanto, imposta pelas armas, não proclamada por plebiscito.
Os dois primeiros presidentes – marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto – governaram com autoritarismo. Deodoro fechou o Congresso; Floriano depôs governadores e ignorou a Constituição, desencadeando revoltas da Armada e conflitos regionais. No Rio Grande do Sul, Júlio de Castilhos instalou regime positivista próprio e a Revolução Federalista (1893-1895) ceifou milhares de vidas.
Crises regionais, tenentismo e chegada de Vargas
No início do século XX, levantes explodiram em São Paulo, Rio Grande do Sul e Amazonas. A Revolta da Vacina (1904) contestou a obrigatoriedade da imunização; alunos da Escola Militar foram presos. Em 1922, o movimento tenentista ganhou força com os 18 do Forte de Copacabana, influenciando insurreições posteriores, como a Coluna Prestes.
Getúlio Vargas capitalizou o descontentamento. A eleição de 1930, marcada por fraudes, foi anulada por seu golpe que impediu a posse de Júlio Prestes. Vargas derrubou governadores, nomeou interventores e concentrou poder. Em 1937, reforçou o controle com o Estado Novo, inspirando-se em modelos fascistas europeus: censura à imprensa, polícia política e a Consolidação das Leis do Trabalho, que até hoje rege relações trabalhistas.
Guerras internas e expansão da influência comunista
A década de 1930 testemunhou ainda a Intentona Comunista (1935), tentativa de tomada do poder encabeçada por Luís Carlos Prestes em Natal, Recife e Rio de Janeiro. Embora sufocada, o episódio fortaleceu o aparato repressivo varguista.


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Após a deposição de Vargas em 1945, o País elegeu Eurico Gaspar Dutra. Getúlio voltou pelo voto em 1951, mas, cercado por crises políticas, suicidou-se em 1954. Juscelino Kubitschek assumiu em 1956 e levou adiante o plano de construir Brasília, enfrentando um contragolpe preventivo do marechal Lott para garantir sua posse.
1964: contragolpe militar e hegemonia cultural da esquerda
A renúncia de Jânio Quadros em 1961 abriu caminho para João Goulart, que flertava com agendas revolucionárias. O contragolpe de 1964, liderado por setores das Forças Armadas, implantou o regime militar de 20 anos. Enquanto a oposição de esquerda adotava guerrilha e terrorismo urbano, o regime permitiu – por descuido ou cálculo – que intelectuais marxistas ocupassem universidades, mídia e produção cultural.

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Durante essa fase, presos políticos de extrema esquerda dividiram celas com criminosos comuns na Ilha Grande, origem da facção Comando Vermelho. Mesmo sob governo militar, o Congresso aprovou o Código Penal e a Lei de Execução Penal (1984), garantindo benefícios que, décadas depois, favoreceriam a criminalidade.
Retorno civil, Constituição de 1988 e consolidação de poder
Em 1984, os próprios militares conduziram a transição: Tancredo Neves foi eleito indiretamente, mas morreu antes da posse; José Sarney assumiu. A Constituição de 1988, elaborada por assembleia dominada por correntes de esquerda e grupos corporativistas, transformou quase todo tema em cláusula constitucional, ampliando o Estado e restringindo o cidadão. Desde então, a esquerda controlou o Executivo por 21 dos 25 anos do século XXI.
O resultado desse percurso histórico é um ciclo de populismo, centralização e aparato estatal robusto, onde leis e instituições frequentemente se dobram à conveniência política. Os escândalos recentes e a instabilidade econômica expõem a dificuldade de romper a repetição de crises iniciada ainda no período imperial.
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Em síntese, a história brasileira comprova que a disputa pelo poder, o uso instrumental das leis e a influência ideológica geraram um ambiente político volátil. Entender essa cronologia é essencial para avaliar os desafios atuais e as possibilidades de reforma. Continue acompanhando nossos conteúdos e compartilhe este artigo para ampliar o debate.
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