O resultado das contas públicas federais voltou a mostrar desequilíbrio significativo. De janeiro a setembro de 2025, o déficit primário somou R$ 100,4 bilhões, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (30) pelo Tesouro Nacional. O número supera a barreira dos R$ 100 bilhões e mantém o governo longe do objetivo oficial de zerar o resultado primário neste ano.
Receitas crescem menos que despesas
Nos nove primeiros meses de 2025, a receita líquida do governo federal avançou 3,5% em termos reais, totalizando R$ 1,686 trilhão. O crescimento, porém, não foi suficiente para acompanhar a expansão da despesa total, que subiu 2,8% e atingiu R$ 1,787 trilhão. A diferença entre esses dois movimentos explica o saldo negativo verificado no período.
A Previdência Social continua a ser o principal ponto de pressão. O sistema registrou déficit de R$ 286,3 bilhões, valor que supera em quase três vezes o rombo global das contas. Já o Tesouro apresentou superávit de R$ 186,4 bilhões, e o Banco Central apontou déficit de R$ 523 milhões. Apesar do resultado positivo do Tesouro, o desempenho da Previdência anulou o efeito e levou o saldo consolidado para o vermelho.
Meta fiscal enfrenta risco crescente
A legislação vigente fixa a meta de resultado primário em equilíbrio para 2025, com margem de tolerância de 0,25% do PIB (cerca de R$ 31 bilhões). Além disso, determinados gastos, como parte dos precatórios e a compensação a aposentados do INSS, ficam fora do cálculo. Segundo projeção divulgada pelo próprio governo no último relatório bimestral de receitas e despesas, o ano deve terminar com déficit de R$ 73,5 bilhões. Descontadas as despesas excluídas pela regra, restaria um saldo negativo de R$ 30,2 bilhões, praticamente no piso admitido.
Mesmo assim, a meta ainda corre risco. Na semana passada, a Instituição Fiscal Independente (IFI) estimou que o Executivo precisará assegurar R$ 27,1 bilhões adicionais no último trimestre para cumprir o alvo formal. O cálculo considera a evolução recente da arrecadação e o ritmo de execução orçamentária.
Medidas em discussão no Congresso
Parte dos recursos pode vir de um projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (29) e que aguarda análise do Senado. O texto endurece regras para compensações tributárias e transfere o programa Pé-de-Meia para o piso constitucional da educação, o que reduz pressão sobre outras áreas do Orçamento.


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O governo também aposta em novas iniciativas de arrecadação, como ajustes em tributos federais e revisão de incentivos fiscais. No entanto, ainda não há garantias de que essas propostas serão suficientes nem de que terão tramitação célere. Até o momento, o mercado mantém expectativa cautelosa sobre a trajetória fiscal do país.

Imagem: Sebastião Moreira
Previdência segue como principal desafio
O déficit da Previdência Social, responsável por quase três vezes o resultado negativo agregado, reforça o debate sobre a necessidade de medidas estruturais. O envelhecimento da população e o ritmo de concessão de benefícios pressionam as contas, enquanto a arrecadação previdenciária cresce de forma mais lenta. Sem ajustes de longo prazo, analistas veem dificuldade para a União alcançar superávits consistentes nos próximos anos.
Próximos passos e impactos
Com o déficit acima de R$ 100 bilhões, o governo Lula precisa acelerar a implementação de medidas de curto e médio prazo. Caso o objetivo de déficit zero não seja atingido, o Novo Arcabouço Fiscal prevê restrições automáticas para 2026, limitando a expansão real das despesas. Essa possibilidade tende a intensificar o debate político e econômico até o fim do ano.
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Resumo: o governo encerrou o período de janeiro a setembro com déficit de R$ 100,4 bilhões, resultado que pressiona a meta de saldo zero e reforça a necessidade de novas receitas e controle de gastos. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe este conteúdo para manter mais pessoas informadas.
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