Brasília, 29 de setembro de 2025 — O deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP) voltou a defender publicamente a criação de dois países no território nacional, proposta que ele denomina de “Brasil do Sul” e “Brasil do Norte”. A declaração, feita em entrevista veiculada nesta terça-feira, reavivou a pauta separatista surgida ainda nos anos 1980 e provocou críticas imediatas em diversos setores, inclusive no campo conservador.
O que diz o parlamentar
Bilynskyj sustenta que a divisão resolveria impasses econômicos e políticos, ao concentrar regiões “produtivas” em um Estado independente. Sem apresentar cronograma ou plano de transição, o parlamentar argumenta que a separação permitiria políticas fiscais e sociais próprias, livres do que ele descreve como “interferência ideológica” do governo federal.
Segundo o deputado, o novo país englobaria os estados do Sul e parte do Sudeste, enquanto a faixa restante do território formaria o “Brasil do Norte”. Para justificar a proposta, ele cita diferenças de arrecadação, perfil eleitoral e prioridades administrativas entre as regiões.
Repercussão imediata
A reação surgiu rapidamente. O jornalista Paulo Polzonoff Jr., em artigo publicado no mesmo dia, classificou a ideia como “estapafúrdia” e “criminosa”, alertando para riscos de conflito interno semelhantes a episódios ocorridos nos Bálcãs na década de 1990. Polzonoff, que se declara de direita, avaliou que a defesa do separatismo evidencia “desunião” e “ausência de amálgama” entre forças conservadoras brasileiras.
Dentro do Congresso, aliados de Bilynskyj mostraram cautela. Parlamentares do próprio PL admitiram que a medida esbarra em cláusulas pétreas da Constituição, que preservam a integridade territorial. Líderes partidários ressaltaram, ainda, a inexistência de apoio popular organizado nem de trâmites regimentais para essa alteração.
Contexto histórico
O movimento separatista do Sul ganhou visibilidade nos anos 1980, quando grupos regionais apontavam diferenças de desenvolvimento como argumento pela emancipação. Nenhuma iniciativa chegou a avançar no Legislativo federal. Casos de separação pacífica, como o “divórcio de veludo” que originou República Tcheca e Eslováquia em 1993, são frequentemente citados por defensores do desmembramento brasileiro. Contudo, especialistas recordam que processos semelhantes resultaram em conflitos armados, a exemplo da Guerra de Secessão nos Estados Unidos e das disputas étnicas nos Bálcãs.


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Implicações legais
Juristas lembram que a Constituição de 1988 impede a fragmentação do território sem uma reforma profunda, que exigiria aprovação em dois turnos na Câmara e no Senado, com quórum de três quintos. Além disso, qualquer proposta desse tipo precisaria de referendo nacional. Sem essas etapas, a divisão seria considerada inconstitucional.
Divisão dentro da direita
Embora provenha de um parlamentar alinhado ao bolsonarismo, a proposta encontra resistência em alas conservadoras que defendem a unidade nacional como valor histórico. Analistas apontam que a iniciativa sinaliza dificuldade de articulação interna à direita, sobretudo em período pré-eleitoral. O receio é de que a pauta fragmente ainda mais a oposição ao governo e desvie o foco de temas como segurança pública, responsabilidade fiscal e liberdade econômica.

Imagem: Bruno Spada
Possíveis desdobramentos
Até o momento, não há indicação de que o projeto será formalizado em forma de Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Se isso ocorrer, precisará do apoio de 171 deputados para iniciar tramitação. Sem mobilização robusta e diante de críticas de diversas correntes, a expectativa entre lideranças parlamentares é de que a iniciativa enfrente barreiras logo na fase inicial.
Em síntese, a nova investida separatista de Paulo Bilynskyj reacende debate antigo, mas esbarra em obstáculos constitucionais, políticos e na defesa histórica da integridade territorial. A repercussão negativa no próprio campo conservador indica que o tema dificilmente avançará sem amplo consenso nacional.
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Resumo: o deputado Paulo Bilynskyj voltou a propor a criação de dois países no território brasileiro, ideia que reacendeu críticas e expôs divisões na direita. Continue acompanhando nossos conteúdos e compartilhe este artigo para ampliar o debate sobre a integridade nacional.
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