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Derrite recua e retira mudanças na lei antiterrorismo após pressão do Planalto

Econômia

O deputado Guilherme Derrite (PP-SP) protocolou na noite de terça-feira, 11, um novo parecer para o projeto de lei apelidado de “antifacção”. O texto abandona a ideia de alterar a Lei Antiterrorismo e elimina trechos que mexiam na competência da Polícia Federal (PF), pontos que vinham sendo combatidos abertamente pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pressão do Executivo altera estratégia

A primeira versão do relatório igualava organizações criminosas a atos terroristas e restringia intervenções diretas da PF, exigindo solicitação formal de governos estaduais. Após reiteradas críticas de ministros, técnicos do Ministério da Justiça e da própria PF, Derrite optou pelo recuo. Ele declarou ter tomado a decisão “após amplo debate democrático e criteriosa análise técnica”.

No lugar das mudanças na Lei Antiterrorismo, o parlamentar propõe um diploma autônomo batizado de Marco Legal do Combate ao Crime Organizado. Segundo o relator, essa via torna “desnecessária qualquer disposição expressa sobre a competência do Ministério Público, da Polícia Federal ou das polícias judiciárias estaduais”, mantendo inalteradas as regras constitucionais em vigor.

O gesto veio acompanhado de sinalização do presidente da comissão especial, Hugo Motta (Republicanos-PB), que já indicava durante o dia disposição para atender os argumentos do Planalto nos dois pontos mais contestados.

Argumentos em jogo: economia, soberania e atuação policial

Integrantes do governo federal alegavam que enquadrar facções como terroristas poderia gerar efeitos econômicos nocivos, sobretudo na relação com investidores estrangeiros. A leitura no Executivo era de que países, a exemplo dos Estados Unidos, poderiam usar a legislação revista como justificativa para operações próprias sob o pretexto de combater células terroristas em território nacional, afetando a soberania brasileira.

De outro lado, a oposição sustenta que só a equiparação ao terrorismo garante o intercâmbio internacional de inteligência necessário para sufocar o crime organizado. “Se o relator retirar a questão do terrorismo, o PL continuará defendendo um projeto específico para isso”, declarou o líder da legenda, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), antes mesmo de o novo relatório ser apresentado.

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A Polícia Federal emitiu nota pública na segunda-feira, 10, alertando para a possibilidade de enfraquecimento das investigações se a corporação ficasse dependente de convite dos Estados. De acordo com a PF, este modelo “compromete o interesse público” e contraria o objetivo de “endurecer o combate ao crime e fortalecer as instituições”. Com a retirada dos dispositivos, a crítica perde força, mas agentes seguem acompanhando o texto.

Próximos passos no Congresso

O relatório atualizado deve ser analisado na comissão especial nas próximas semanas. Caso aprovado, segue para o plenário da Câmara dos Deputados. Aliados do Palácio do Planalto consideram que, sem a cláusula antiterrorismo, a tramitação ganha ambiente menos hostil. A base conservadora, porém, prepara emendas para reincluir a equiparação ou, no mínimo, ampliar os instrumentos de investigação sem novas amarras burocráticas.

Apesar da retirada imediata, Derrite reiterou que pretende apresentar futuramente um projeto autônomo focado em organizações criminosas armadas. O movimento mantém viva a discussão sobre tipificar facções como terroristas, tema que tende a retornar ao centro do debate legislativo.

Impacto para forças de segurança e Estados

Com a manutenção do arranjo constitucional atual, a PF conserva prerrogativa de abrir inquéritos em crimes de repercussão nacional, inclusive contra facções. Governadores, por sua vez, seguem responsáveis pelo policiamento preventivo e pela maior parte de investigações locais por meio das polícias civis. A articulação política indicará se o futuro Marco Legal trará instrumentos adicionais, como bancos de dados unificados, compartilhamento obrigatório de relatórios de inteligência e regras especiais de delação premiada.

Governistas defendem cooperação federativa e investimento em políticas sociais para enfraquecer o recrutamento por organizações criminosas. Já deputados de oposição insistem em endurecimento penal e ampliação do poder de fogo das forças de segurança, argumento recorrente em bancadas alinhadas à pauta da segurança pública.

Para continuar acompanhando a tramitação de propostas que impactam diretamente a segurança pública, acesse também a seção de política em Geral de Notícias.

Em síntese, o novo parecer de Guilherme Derrite contém recuos significativos na comparação com a versão inicial, mas mantém o foco em criar um marco específico de combate ao crime organizado. A disputa entre governo e oposição agora se desloca para definir se, no futuro, facções armadas serão ou não tratadas como terroristas. Acompanhe os próximos capítulos e participe do debate compartilhando esta reportagem.

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