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Direita lota ruas e pressiona Congresso a votar anistia antes do veredicto de Bolsonaro

Política

A mobilização organizada pela direita no feriado de 7 de Setembro levou milhares de pessoas às principais capitais brasileiras e reaqueceu a pauta da anistia aos investigados desde 2019, incluído o ex-presidente Jair Bolsonaro. Com faixas, cartazes e críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), os manifestantes exigiram que a Câmara dos Deputados coloque o projeto em votação já nesta semana, às vésperas da retomada do julgamento de Bolsonaro pelo plenário da Corte.

Oposição intensifica articulação em Brasília

Líder do PL na Câmara, o deputado Sóstenes Cavalcante declarou na Avenida Paulista que a bancada chegará à capital federal com apoio das ruas para destravar o texto. Ele cobrou do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), a inclusão imediata da proposta na ordem do dia. A minuta, ainda não protocolada formalmente, perdoa condenados, processados ou investigados desde 14 de março de 2019, data de abertura do inquérito das fake news no STF.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), endossou a cobrança. Segundo ele, a maioria do plenário — estimada em mais de 350 deputados — já estaria comprometida com a aprovação. “Trazer a anistia para a pauta é restabelecer a justiça e resgatar o país”, afirmou durante discurso no ato paulista.

No Senado, porém, o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) sinaliza resistência a qualquer texto que beneficie Bolsonaro. Mesmo assim, a oposição lembra que 41 senadores já subscreveram pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes e pressiona Alcolumbre a pautar o requerimento.

Manifestações ganharam fôlego nacional

A Avenida Paulista concentrou o maior público do dia. Além de deputados federais e estaduais, passaram pelo trio elétrico a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que chamou de “humilhação” o monitoramento policial a que o marido é submetido, e o pastor Silas Malafaia, que denunciou “perseguição religiosa” após ter documentos pessoais apreendidos pela Polícia Federal.

No Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) liderou ato em Copacabana e classificou o julgamento no STF como “segunda facada” no ex-presidente. Em Brasília, o deputado Zé Trovão (PL-SC) relatou que sua prisão domiciliar imposta por Moraes apenas reforçou sua disposição de protestar. Outros eventos aconteceram em Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Recife, sempre com bandeiras do Brasil e palavras de ordem contra o STF.

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Julgamento de Bolsonaro retoma na terça-feira

O Supremo volta a analisar na próxima terça (9) a ação que acusa Jair Bolsonaro de suposta tentativa de golpe de Estado. Moraes, relator do processo, será o primeiro a votar. A expectativa é de que o resultado seja conhecido até sexta-feira (12). A proximidade das datas impulsiona a estratégia da oposição de aprovar a anistia antes da conclusão do julgamento.

Reação modesta da esquerda

Enquanto a direita comemorava grandes públicos, os atos organizados pelo PT e por movimentos de esquerda registraram baixa adesão. Em Brasília, o grupo pró-Lula reuniu poucas dezenas de pessoas a menos de dois quilômetros da manifestação conservadora. Sem força nas ruas, a ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais) convocou reunião para esta segunda (8) no Palácio do Planalto com líderes de MDB, PSD, União Brasil, PP e Republicanos. O objetivo é traçar estratégias que travem o avanço da anistia no Congresso.

Próximos passos no Legislativo

A bancada do PL confia na articulação com PP, União Brasil e PSD para formar maioria confortável na Câmara. Caso o texto seja protocolado e aprovado, seguirá ao Senado, onde Alcolumbre terá de decidir se submete a matéria ao plenário. Nos bastidores, governistas tentam convencer senadores de centro a adiar qualquer deliberação até o STF concluir o julgamento.

Parlamentares favoráveis à anistia defendem que o perdão seja “amplo e irrestrito”, alcançando não só manifestantes presos em 2023, mas também Bolsonaro e aliados alvos de inquéritos. Já adversários acusam a iniciativa de “blindar” o ex-presidente.

Contexto político e institucional

Desde o início de agosto, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e usa tornozeleira eletrônica, medida determinada após a Polícia Federal apontar risco de fuga. Veículos que entram e saem de seu condomínio em Brasília são revistados. Os advogados do ex-presidente alegam violação de direitos e cerceamento de defesa.

O embate entre Legislativo e Judiciário, portanto, ganhou novo capítulo com a demonstração de força das ruas. A oposição aposta no capital político recém-adquirido para aprovar a anistia e abrir caminho à volta de Bolsonaro ao cenário eleitoral de 2026.

Para acompanhar o desenrolar dessa pauta no Congresso, confira nossa cobertura completa em Política.

Resumo: a direita mostrou capacidade de mobilização nacional, elevou a pressão sobre Câmara e Senado e transformou a anistia em tema central antes do veredicto do STF. Acompanhe os próximos capítulos e participe do debate nos comentários.

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