Brasília, 11 de novembro de 2025 – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chega à marca de 100 dias em prisão domiciliar, condenado a 27 anos e três meses por suposta tentativa de golpe. O período de isolamento, iniciado em 4 de agosto, reduziu seus contatos externos, bloqueou suas redes sociais e intensificou pressões dentro do campo conservador, que agora se divide entre defender o ex-mandatário e preparar novas lideranças para as eleições de 2026.
Restrição domiciliar amplia críticas ao Supremo e mobiliza bancada de oposição
Com tornozeleira eletrônica, visitas controladas e proibição de manifestações públicas, Bolsonaro tornou-se, segundo deputados aliados, símbolo de ativismo judicial. Na Câmara, parlamentares do PL, União e Republicanos protestaram contra o que chamam de censura e cerceamento do voto de 58 milhões de eleitores.
O vice-líder Sanderson (PL-RS) classificou a medida como “afronta à vontade popular”. Rodrigo Valadares (União-SE) afirmou que não é o ex-presidente que está preso, “e sim a liberdade de expressão”. Coronel Tadeu (PL-SP) acrescentou que calar Bolsonaro “é calar a voz do povo”, enquanto Capitão Alberto Neto (PL-AM) descreveu a detenção como “instrumento de intimidação política”.
Do ponto de vista processual, os recursos apresentados pela defesa foram rejeitados pela Primeira Turma do Supremo em 7 de novembro. O ministro Alexandre de Moraes poderá ordenar o início do regime fechado a qualquer momento, caso considere os próximos recursos meramente protelatórios. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), solicitou avaliação médica antes de eventual transferência do ex-presidente para o Complexo da Papuda.
Disputas internas pautam sucessão e ameaçam unidade conservadora
O afastamento do principal líder da direita acelerou a corrida por espaço. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) desponta como aposta de setores que defendem uma frente ampla de direita e centro-direita para 2026. A movimentação, porém, esbarra na resistência de Eduardo Bolsonaro, que insiste em manter viva a possibilidade de candidatura própria da família.
O atrito extrapolou São Paulo. Em Santa Catarina, Jair Bolsonaro indicou o vereador Carlos Bolsonaro para uma das vagas ao Senado, decisão contestada por parlamentares locais que preferem a deputada Caroline de Toni. O impasse expôs fissuras no PL catarinense, aprofundadas após debate público entre as deputadas Júlia Zanatta e Ana Campagnolo, que trocaram acusações em transmissão ao vivo.


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Em paralelo, Eduardo Bolsonaro criticou o colega Nikolas Ferreira (PL-MG) por, segundo ele, liderar “dissidência” dentro da direita. O mineiro evitou confronto e divulgou fotos ao lado do ex-presidente para reforçar lealdade. Eduardo também entrou em choque com o governador Mauro Mendes (União-MT), a quem chamou de “frouxo” por suposta falta de empenho na defesa de Bolsonaro.
Pauta da segurança pública ganha centralidade na estratégia legislativa
Com a liderança de Bolsonaro temporariamente limitada, deputados e senadores conservadores concentram esforços em projetos relacionados à segurança pública. A expectativa é unificar o discurso em torno de temas com alta aprovação popular, como endurecimento de penas, ampliação do porte de arma e proteção de policiais em serviço.

Imagem: Andre Borges
Analistas interpretam a escolha como tentativa de preservar bases eleitorais enquanto o destino judicial do ex-presidente permanece indefinido. Caso Bolsonaro seja levado à Papuda, setores conservadores preveem reação mais dura nas ruas; se houver manutenção da prisão domiciliar, a tendência é de acomodação relativa, mas sem dissipar o sentimento de perseguição apontado por aliados.
Calendário jurídico pressiona corrida presidencial de 2026
O processo criminal contra Bolsonaro avançou em tempo recorde. A denúncia da Procuradoria-Geral foi aceita em 26 de março; a condenação, proferida em 11 de setembro. Restam apenas embargos infrigentes ou apelos a cortes internacionais, sem efeito suspensivo automático. Líderes do PL, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, sustentam que o ex-presidente continua “único candidato da direita”, apostando em reviravolta jurídica que o mantenha elegível.
Mesmo fora das urnas, especialistas projetam que Bolsonaro seguirá como maior cabo eleitoral do país. Seu apoio já é disputado por Tarcísio, Eduardo e outros nomes que buscam se credenciar junto ao eleitorado conservador. A consolidação de qualquer candidatura dependerá da definição sobre onde e como o ex-presidente cumprirá pena.
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Bolsonaro completa 100 dias de confinamento sob vigilância judicial, enquanto a direita tenta se reorganizar diante de incertezas eleitorais e disputas internas. A evolução do processo no Supremo e a capacidade de unificar discurso em torno de pautas conservadoras serão decisivas nos próximos meses. Fique atento às atualizações e participe nos comentários: como você vê o futuro da direita brasileira sem seu principal líder em campo?
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