Rio de Janeiro, 13 de outubro de 2025 — O diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Sousa Pereira, afirmou que os preços elevados nas lojas, lanchonetes e demais estabelecimentos dentro dos aeroportos têm papel decisivo na formação das tarifas de embarque cobradas dos passageiros. Segundo ele, a maior fatia da receita dos terminais vem justamente do comércio, o que permite reduzir o custo repassado diretamente ao consumidor na hora de comprar a passagem.
Receita comercial sustenta mais da metade do faturamento
Durante participação no Regulation Week da Fundação Getulio Vargas, evento iniciado em 8 de outubro na capital fluminense, Tiago Sousa Pereira detalhou a composição financeira das concessões aeroportuárias. De acordo com o diretor, entre 55% e 60% do faturamento dos aeroportos administrados pela iniciativa privada provêm de lojas, restaurantes e serviços instalados nas áreas de circulação.
Já os valores pagos pelas concessionárias ao governo federal — outorgas e demais contrapartidas — representam de 40% a 45% da arrecadação total. Esse equilíbrio, sustentou o dirigente, é decisivo para assegurar que a tarifa aeroportuária brasileira seja uma das menores do mundo, englobando taxas de embarque, conexão, pouso, permanência, armazenagem e movimentação de cargas.
“A receita de varejo tem participação importante para o operador da concessão. Isso cria condições para manter a tarifa aeroportuária em patamar competitivo”, declarou Sousa Pereira, enfatizando que o modelo reduz a necessidade de repasses adicionais aos bilhetes aéreos.
Impacto no bolso do passageiro
Dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentam recuo de 7% no preço das passagens aéreas nos últimos 12 meses, contraste direto com a elevação do custo de vida em outros itens. No mesmo período, alimentos subiram 6,6%; o tradicional pão de queijo, comum nas praças de alimentação dos aeroportos, encareceu 8,1%; e o café em xícara acompanha a variação do pó, cujo preço aumentou 38,3%, resultando em avanço de 15,4% para a bebida pronta.
O segmento de transporte, no entanto, ainda reflete oscilações frequentes. Desde julho de 2023, a categoria registrou altas sucessivas, atingindo pico de 7,7% em setembro daquele ano. A partir de junho de 2025, o ritmo de aumento diminuiu, mas o IPCA mais recente aponta acréscimo acumulado de 3,2% em 12 meses.


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Modelo de concessão e pressão tributária
Diante do contexto de elevação de tributos discutido pelo governo federal, a Anac sustenta que o desempenho das concessões aeroportuárias reforça a importância de fontes alternativas de receita, sem transferir novos encargos ao usuário final. O posicionamento do diretor ecoa o princípio de que, ao ampliar a liberdade de atuação do setor privado dentro dos terminais, o Estado consegue reduzir a dependência de tarifas e, consequentemente, aliviar o passageiro.
Sousa Pereira enfatizou que a política de preços dos estabelecimentos comerciais é definida pelo mercado, não pela agência reguladora, respeitando contratos firmados em cada concessão. Ainda assim, a autarquia acompanha indicadores de qualidade de serviço e transparência, avaliando a experiência do consumidor nas áreas de embarque e desembarque.
Contraponto: custo de alimentação segue elevado
Apesar do alívio verificado nas passagens, o consumidor que circula pelos aeroportos segue enfrentando valores elevados em refeições e bebidas. Analistas apontam que o ambiente de alto custo operacional, somado à concentração de público disposto a pagar pela conveniência, sustenta margens mais robustas para os lojistas.

Imagem: Pedro França
O diretor da Anac reconheceu a diferença de preços, mas reiterou que a política de concessões exige equilíbrio econômico-financeiro. “A alternativa seria aumentar a tarifa de embarque para todos os passageiros, inclusive os que não consomem dentro do aeroporto”, ponderou.
Cenário prospectivo
Com novas rodadas de leilões previstas para 2026, o setor de aviação observa a possibilidade de ingresso de operadores estrangeiros e ampliação da competição. Nesse modelo, a expectativa da Anac é manter o foco em investimentos em infraestrutura e diversificação de receita não tarifária, preservando as passagens como vetor de atração de público.
Empresas aéreas também defendem a manutenção de tarifas de embarque menores, argumentando que custos previsíveis estimulam rotas e voos adicionais, gerando emprego e renda nas regiões atendidas. A agência reguladora, por sua vez, indica que seguirá monitorando o equilíbrio entre arrecadação comercial e tarifas cobradas dos passageiros.
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Em síntese, a Anac reforça que o comércio interno dos aeroportos funciona como amortecedor de custos, sustentando uma das tarifas de embarque mais baixas do mercado global. Continue acompanhando nossas publicações e fique por dentro dos próximos leilões e mudanças regulatórias que podem afetar diretamente o preço das viagens aéreas no país.
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